Nova Délhi, 29/04/2005 – A Índia vai redobrar seus esforços nos próximos meses para alcançar um posto permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, apesar da oposição de seu vizinho Paquistão. Esta foi a mensagem dada pelas autoridades indianas ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que na quarta-feira encerrou uma visita de três dias a Nova Délhi. Por sua vez, Annan anunciou que pressionará a comunidade internacional para que tome uma decisão sobre as propostas de reforma do Conselho quando tiver início, em setembro, o 60º período de sessões da Assembléia Geral das Nações Unidas.
"A Índia deixo claras suas pretensões e o secretário-geral mencionou que se poderia tomar uma decisão nas sessões da Assembléia Geral" em Nova York, afirmou o diretor do governamental Instituto para Análises e Estudos de Defesa, Uday Bhaskar, depois de uma reunião com Annan. Esse também manteve encontros privados com o primeiro-ministro Manmohan Singh, com o chanceler Natwar Singh e outros funcionários governamentais indianos. Anna fez uma escala na capital da Índia antes de se dirigir a Jacarta, para participar da Cúpula África-Ásia 2005. "A proposta indiana tem a força suficiente para não ficar refém do sistema da ONU", disse Bhaskar à IPS.
O funcionário indiano afirmou que o Conselho de Segurança é anacrônico e não reflete os interesses da comunidade internacional, e afirmou que a Índia merece um lugar permanente, considerando sua crescente influência econômica e política na região. "Inclusive, Washington, prevê que, até 2020, o produto interno bruto indiano estará perto de superar as economias européias, ficando atrás somente de Estados Unidos, China e Japão", ressaltou. Até agora, aproximadamente 74 mil soldados, observadores militares e policiais indianos participaram de 41 das 59 operações de paz da ONU. As autoridades indianas acertaram com Annan promover a reforma da ONU no período de sessões de setembro, disse aos jornalistas o porta-voz da chancelaria Navtej Sarna. Quando lhe perguntaram se o secretário-geral havia dado seu apoio à pretensão da Índia de ocupar um assento permanente, respondeu que isso era "confidencial".
Um painel de alto nível liderado pelo primeiro-ministro tailandês, Anand Panyarachun, propôs formalmente, em dezembro, ampliar o Conselho de Segurança, hoje integrado por 15 membros, sendo cinco permanentes e com direito de veto sobre as decisões do órgão (China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia). O painel apresentou dois modelos. Um adiciona seis países ao grupo de membros permanentes, e o outro cria oitos postos semi-permanentes, dois para a África, dois para a América, dois para a Ásia e dois para a Europa.
Enquanto Washington responde com ambigüidade à candidatura da Índia, os outros membros permanentes do Conselho a apóiam. O presidente da França, Jacques Chirac, disse que o Conselho de Segurança não representa o mundo atual e deveria ser ampliado, integrando como membros permanentes Alemanha, Japão e nações em desenvolvimento, como o Brasil.
Por sua vez, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, também expressou seu apoio à candidatura da Índia ao visitar esse país no início deste mês, ao mesmo tempo em que condenou a pretensão do Japão de ocupar um assento permanente no Conselho. Como era de esperar, o Paquistão deixou claro seu rechaço à candidatura indiana, pis teme que Nova Délhi ganhe maior influência na disputa pela fronteiriça província de Caxemira. Bhaskar expressou dúvidas de que seja possível realizar uma reforma no curto prazo. "É evidente que não haverá um consenso rápido", afirmou. Na semana passada, o primeiro-ministro Singh disse que "há poderes que não querem ceder o que têm", e alertou que "existe uma grande luta pela frente".
No começo deste mês, Kofi Annan exortou os países-membros da ONU a aprovarem um dos modelos já no próximo período de sessões da Assembléia Geral, mesmo se não houver consenso. "Se o consenso parece impossível, não deve servir de desculpa para o imobilismo. A reforma do Conselho de Segurança está na agenda das Nações Unidas há mais de uma década, e é tempo de tomarmos decisões difíceis", afirmou.

