Bangcoc, 26/04/2005 – Os governos asiáticos deverão adotar novas políticas para atender a crescente população idosa, alertou a Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para Ásia e pacífico (Escap). Na Ásia há atualmente 326 milhões de homens e mulheres com mais de 60 anos. Isto representa 10% da população total do continente e três vezes mais do que há 50 anos, diz um relatório da Escap apresentado nesta segunda-feira na capital da Tailândia."O envelhecimento da população vai se acelerar nos próximos 50 anos", disse à imprensa o secretário-executivo desse comitê da Organização das Nações Unidas, Kim Hak Su. Até 2050, o número de idosos na Ásia chegará a 1,2 bilhão, cerca de 23% da população do continente.
Por outro lado, se prevê que a proporção de mulheres idosas dentro da população do continente passará dos 5%, em 2000, para 12,4% em 2050, enquanto a dos homens cairá de 4,3% a 10% no mesmo período. O Japão, a economia mais poderosa da Ásia e hoje com 128 milhões de habitantes, enfrenta o maior desafio. Em 2050, cerca de 42% de sua população serão de idosos. Já a China, com seus atuais 1,3 bilhão de habitantes, terá 437 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2050. a população da Índia, com cerca de 1,1 bilhão de pessoas, e a Indonésia, com 218 milhões, também envelhecem rapidamente. Dentro de 45 anos, nesses dois países haverá um idoso para cada cinco habitantes.
Algumas das causas desta mudança demográfica são os avanços nos cuidados médicos, o sucesso das campanhas para combater enfermidades mortais como malária e cólera, e os resultados positivos das iniciativas para o controle da natalidade. "A expectativa de vida aumentou para 67,4 anos na Ásia, isto é, 26 anos mais ou 63%, e para 74,4 anos no Pacífico, isto é, 13,5 anos mais ou 22%", indica o estudo da Escap. Esta transformação ameaça mudar a tradição asiática de que os idosos sejam sempre cuidados por seus filhos. Embora, no momento, em todos os países haja esforços para preservar a antiga ordem familiar. "A boa notícia é que a estrutura da família não se rompeu, ainda. A maioria dos idosos na Ásia é atendida por seus filhos", disse à IPS a diretora de Assuntos Sociais Emergentes da Escap, Thelma Kay.
Existe consenso entre os governos asiáticos de que a resposta não está na construção de abrigos especiais para as pessoas de mais idade, fato comum no Ocidente. "As pessoas aqui não estão contentes com esse tipo de instituição para os idosos como existe no Ocidente, porque vão contra nossa forma de vida e cultura", disse à IPS o diretor de programas para o sudeste da Ásia da organização internacional HelpAge, usa Khierwrord. Portanto, os governos preferem um "modelo asiático", apreendendo com os sistemas de atenção para com os idosos existentes na Coréia do Sul, Índia, Malásia e Cingapura, onde os familiares são envolvidos.
"A Índia aplicou um sistema de assistência social para os idosos que se encontra em uma fase inicial, mas cria muita esperança, enquanto a Malásia tem outro que estimula os familiares a cuidarem de seus velhos em casa", explicou Kay. As autoridades também estão analisando mudanças nos sistemas de seguros sociais, bem como das leis trabalhistas, que em muitos casos discriminam as pessoas velhas. Os atuais sistemas de pensões aplicados no continente "são insustentáveis diante do crescente número de aposentados e da redução dos contribuintes", ressaltou Kim. (IPS/Envolverde)

