Lomé, 29/04/2005 – O opositor Akitani-Bob se declarou nesta quarta-feira vencedor das eleições presidenciais de domingo em Togo, mas, as autoridades anunciaram preliminarmente o triunfo do presidente Faure Gnassingbe, que desatou uma intensa onda de violência. O anúncio feito terça-feira pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (Ceni) foi recebido com ira por simpatizantes da oposição, que levantaram barricadas e colocaram fogo em pneus nas ruas de Lomé, capital de Togo, a polícia respondeu com gás lacrimongêneo, o que enfureceu ainda mais os manifestantes. "Levantaremos mais barricadas e faremos de Togo um país ingovernável", afirmou à IPS Celestin Soke, de 28 anos. Mais de mil togoleses fugiram da violência e buscaram refúgio em Benin, informou à IPS o escritório municipal da localidade fronteiriça de Grand-Popo.
Nesta quarta-feira, quando Akitani-Bob se declarou vitorioso, ocorreram novos protestos e cenas semelhantes às do dia anterior foram registradas. Insistentes versões dão conta da morte de uma dezena de manifestantes a tiros e que muitos outros ficaram feridos. Milhares de simpatizantes de Faure Gnassingbe, filho do falecido presidente Gnassingbe Eyadema, também saíram às ruas. Muitos chegaram desde o norte do país, bastião do oficialismo, armados de facões. O presidente da Ceni, Kissem Thangai Walla, afirmou que, segundo os dados preliminares, Gnassingbe obteve 60,22% dos votos e Akitani-Bob 38,19%. O oposicionista moderado Harry Olympio consegui apenas 0,55%. A Ceni calculou que dois terços dos cidadãos aptos a votar compareceram às urnas. De todo modo, a própria comissão advertiu que não pôde apurar os votos depositados em urnas destruídas por manifestantes.
"O presidente disse que essa vitória é de todo o povo de Togo", afirmou o diretor da campanha de Gnassingbe, Komi Selom Klassou. O dirigente ofialista "planeja apelar a todos os cidadãos para construir um Togo estável". Porém, a oposição advertiu que o governo cometeu uma "fraude maciça", não só durante a votação, mas, também, no processo de verificação e na distribuição das credenciais. Jovens concentrados nas ruas gritavam em coro "nos roubaram a vitória". As preocupações pelo que consideram uma má preparação das eleições levaram Akitani-Bob, Olympio e outro candidato de oposição que depois retirou sua candidatura, Nicolas Lawson, a reclamar o adiamento da votação.
O então ministro do Interior, François Boko, aderiu ao chamado, mas, a resposta foi sua destituição. Agora, encontra-se refugiado na embaixada da Alemanha, de acordo com várias versões. A campanha eleitoral esteve rodeada de violência, com choques entre facções rivais em várias zonas da capital nos dias 16 e 17 deste mês. Estima-se que seis simpatizantes do oficialismo e um da oposição morreram nesses incidentes. "Nos negamos a aceitar que nos roubem as eleições pela enésima vez", disse á IPS o secretário-geral da União de Forças pela Mudança (UFC), Jean Pierre Fabre, cujo partido era um dos seis que apoiavam a candidatura de Akitani-Bob.
O exilado líder da UFC, Gilchris Olympio, há muito tempo rivalizava com Eyadema, até que morreu, em fevereiro. Gnassingbe assumiu a chefea do Estado depois da morte de seu pai com apoio das forças armadas. Pressionado pela oposição, que qualificou sua investidura de inconstitucional, concordou em convocar eleições e se apresentou como candidato da União do Povo Togolês. Por outro lado, muitos opositores exilados em Gana regressaram ao país e se dirigiram à capital, onde seus dirigentes convocam uma resistência maciça ao novo governo.
O subsecretário-executivo da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Ecowas), Cheick Oumar Diarra, admitiu que foram constatadas várias irregularidades nas eleições. O bloco enviara cerca de 150 observadores. De todo modo, segundo Diarra, as irregularidades não foram suficientemente sérias a ponto de colocar em dúvida o resultado da votação. O presidente da Liga Togolesa de Direitos Humanos, Adote Ghandi Akwe, advertiu que não houve observadores durante a votação, o que, segundo ele, constituiu uma violação das leis eleitorais.
A organização não-governamental Iniciativa 150 garantiu que partidários do governo procuraram colocar irregularmente folhas de votação oficialistas nas urnas, ao mesmo tempo em que enquanto negavam acesso aos locais de votação aos seus representantes. "Depois das eleições, milicianos encapuzados levaram as urnas á força. De acordo com a lei, elas devem ser abertas em público", afirmou a ONG. Gnassingbe se propõe formar um governo de unidade nacional. Gilchrist Olympio rejeitou sua oferta eo acusou de conduzir uma "farsa" eleitoral. (IPS/Envolverde)
(*) Com a colaboração de Ali Idrissou-Toure, desde Cotonou.

