Agricultura: As mentiras têm pernas curtas

Pretória, 22/06/2005 – Recentemente, um parlamentar sul-africano falou de persistentes "temores" entre setores de nossa população branca que incorporaram determinados estereótipos negativos sobre as pessoas negras, quando de fato não há absolutamente nenhuma ameaça de nenhuma natureza. Outro parlamentar afirmou que havia mal-estar entre alguns sul-africanos diante do surgimento de uma gente de negócios negra e de sucesso, especialmente aquela vinculada ao partido governante (Congresso Nacional Africano), porque algumas pessoas brancas, tanto no país quanto no estrangeiro, pensam que os africanos são intrinsecamente corruptos e que, portanto, não podem ter sucesso nos negócios a não ser através da corrupção.

Em recente artigo, o professor Willie Estehuyse, da Stellenbosch University, citou um escritor segundo o qual "a África foi de fato satanizada em um discurso pós-colonial que fala de catástrofes perpétuas e de desastres não-naturais". Outro escritor, ao se referir à maneira como o Ocidente discutiu a incidência de aids na África, disse: "Estamos sendo testemunhas de uma reorganização fundamental do racismo ocidental e como a analogia colonial entre raça e classe se desvanece, agora se forja um novo conceito segundo o qual a negritude africana se assimila ao sexualmente perverso". É evidente que a suposta ameaça de uma catástrofe perpétua é evocada porque somos um país africano dirigido por um governo africano.

O complemento desta projeção de catástrofes é a noção de que se vivia melhor quando a África, e a África do Sul em particular, estavam sob regimes coloniais ou da minoria branca. Em recente artigo, Seamus Milne, do jornal britânico Guardian, citou Andrew Roberts, que afirmou. "A África nunca conheceu melhores tempos do que os da época em que esteve sob domínio britânico". Milne descreve Roberts como "um conservador". Portanto, não pode ser uma surpresa que Roberts elogie o imperialismo e o colonialismo britânico nem que os conservadores em nosso país possam, talvez não tão abertamente nem descaradamente, defender o colonialismo e o apartheid. Milne destaca que o Reino Unido nunca pediu desculpas aos milhões de pessoas de todo o mundo as quais colonizou.

Esterhuyse também descreve: "Não é que todos os afrikaners sejam racistas ou expressem idéias que denigram os negros. Aqueles que pensam de outra maneira, entretanto, não são ouvidos nem vistos". Os afrikaners que não são racistas e que não expressam idéias negativas sobre a população negra são o catalisador que trará a normalização das relações em nosso país. Infelizmente, enquanto esses decentes sul-africanos não estão sendo vistos nem ouvidos, os outros continuaram difundindo a idéia falsa de que a África do Sul está gradualmente se afundando sob a carga combinada do regime galopante e da corrupção, da má administração, do crescente empobrecimento, de uma economia letárgica, de uma maciça perda de postos de trabalho, de um rápido aumento da taxa de mortalidade e de uma crescente marginalização das minorias nacionais. Mas, tudo isso não poderia estar mais longe da verdade.

Em maio de 2005, a empresa de consultoria internacional Grant Thornton divulgou seu International Bussiness Owners Survey 2004 com os resultados de um estudo feito com 26 países, incluindo a África do Sul. Entre outras coisas, o estudo concluiu que os empresários sul-africanos estavam mais que o dobro confiantes sobre suas perspectivas econômicas do que no ano anterior, e situou a África do Sul no quarto lugar quanto à expectativa dos empresários, atrás de Índia, Austrália e Estados Unidos.

Durante o ano anterior, 56% de nossas empresas aumentaram o número de seus empregados e nos três anos anteriores 75% delas aumentou o volume de seus ingressos. Este ano, espera-se que 79% das empresas aumentem o volume de sua produção. Além disso, 51% das companhias esperam aumentar o número de empregados, enquanto 6% prevêem uma redução, enquanto 54% estão dispostas a investir em novas unidades e máquinas e 36% em novos prédios.

Muito interessante é, ao contrário de tudo que é dito sobre o impacto da criminalidade, a ameaça do terrorismo e a insegurança em geral, que estes problemas foram considerados insignificantes como causas de estresse entre os empresários. Esta informação proporcionada pela consultoria Grant Thornton Survey sobre nosso país nos oferece uma história radicalmente diferente da contada pelos que encontravam favorável aos seus interesses a propagação de estereótipos negativos sobre a África do Sul. A esperança e não o desânimo é que determinará o futuro de nosso país e da África como um todo. Os estereótipos não servem para definir quem somos nem para determinar quem seremos. (IPS/Envolverde)

(*) Thabo Mbeki e Presidente da África do Sul.

Thabo Mbeki

Thabo Mbeki is president of South Africa.

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