Agricultura: Medida dos EUA contra Cuba é um tiro no próprio pé

Havana, 27/06/2005 – Uma medida que obriga Cuba a pagar suas importações de alimentos comprados nos Estados Unidos antes que estes sejam embarcados afeta, em primeiro lugar, as pequenas e médias empresas agropecuárias norte-americanas. A restrição a esse comércio limitado, anunciado em fevereiro e aplicada em março pelo escritório de Controles de Bens Estrangeiros (OFAC, dos EUA) levou Havana a comprar em outros mercados produtos no valor de US$ 300 milhões, quantia que tinha destinado para suas importações dos Estados Unidos. As regulamentações "encarecem os produtos norte-americanos, os coloca fora da competição e cedem seu espaço para países vizinhos ou da União Européia", disse o diretor da empresa estatal cubana Alimport, Pedro Alvarez.

Cuba estava preparada para dar um "sensível salto" este ano em suas compras dos Estados Unidos, segundo Alvarez. Mas de uma quantia estimada entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões para compras de alimentos, o comércio fechará em um valor próximo ao de 2004, de US$ 474 milhões. Alvarez e membros de uma delegação empresarial norte-americana em visita a Havana asseguraram em entrevista coletiva na semana passada que as limitações afetam, sobretudo, as pequenas e médias empresas dos Estados Unidos. A rodada de negócios em Cuba teve as presenças de representantes do Departamento de Desenvolvimento Econômico do Estado de Lousiana, da Associação de Produtores de Arroz dos Estados Unidos e da Associação de comércio Estados Unidos-Cuba.

Este comércio acontece apesar do embargo ao regime cubano, imposto há mais de 40 anos por Washington. O Congresso dos Estados Unidos autorizou, em 2000, a venda de alimentos para Cuba, como exceção a esse bloqueio. O intercâmbio, iniciado no ano seguinte, só pode ser em um sentido (exportações para Cuba) e à vista. A essas limitações somou-se, desde março deste ano, a exigência do pagamento da mercadoria em território dos Estados Unidos antes de seu embarque. Segundo fontes oficiais, Cuba comprou US$ 178,5 milhões em produtos agro-alimentar em 2002, US$ 343,9 milhões em 2003 e US$ 474 milhões em 2004. Em três anos, essa ilha do Caribe passou a ser o 25º mercado para produtos agrícolas norte-americanos.

Aproximadamente 145 empresas produtoras e processadoras de alimentos, portos e companhias de diversos setores, de 37 Estados norte-americanos, se beneficiaram desde 2002 com a exportação de cerca de 300 produtos, num valor aproximado de US$ 1 bilhão. Mas as transações caíram 26% entre janeiro e abril últimos, em relação a igual período do ano passado, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A contração inclui uma queda de 52% nas compras de arroz. No total, segundo dados da Alimport, este ano serão feitas compras no valor de US$ 253,8 milhões, incluindo o custo dos embarques.

As importações de arroz previstas inicialmente desde os Estados Unidos acabaram sendo compradas na China e no Vietnã, fornecedores tradicionais de Cuba. "Temos produtores de arroz para os quais o mercado cubano é importante, e o estão perdendo", afirmou Kirby Jones, presidente da Associação de Comércio Estados Unidos-Cuba. A entidade, criada em abril passado, reúne 45 entidades norte-americanas, entre associações, portos, escritórios de agricultura de 20 Estados e empresas grandes, médias e pequenas. Esta é a primeira vez que companhias norte-americanas se organizam em uma única entidade para trabalhar em favor da normalização das relações comerciais com Cuba e apoiar os esforços legislativos que são feitos nessa direção.

Uma carta enviada na semana passada pela associação a um grupo de legisladores favoráveis à flexibilização do embargo a Cuba, afirma que as vendas continuarão caindo durante todo ano, se não mudarem as condições de pagamento. Segundo a carta, o setor de alimentação norte-americano registra perdas pela queda em suas vendas para Cuba de arroz, óleo de soja, milho, tomate, maçãs e outras frutas e leite em pó, entre outros produtos. "Antes de 2001, não existia o comércio e não havia motivos para lutar por algo que nunca existira. Agora, temos uma comunidade agropecuária e empresarial que pela primeira vez está perdendo algo", afirmou Jones. (IPS/Envolverde)

Dalia Acosta

Dalia Acosta ha sido corresponsal de IPS en Cuba por muchos años. Se graduó en 1987 de la licenciatura en periodismo internacional en el Instituto Estatal de Relaciones Internacionales de Moscú. Trabajó un año en el diario cubano Granma y otros seis en Juventud Rebelde, donde incursionó en el periodismo de investigación sobre mujer, minorías, sida y derechos sexuales. En 1990 recibió el Premio de Periodismo Tina Modotti, y en 1992 el Premio Nacional de Periodismo por un reportaje sobre la comunidad rockera de su país. Empezó a colaborar con IPS en 1990 como parte de un proyecto de comunicación con el Fondo de Población de las Naciones Unidas (UNFPA). Desde 1995 se desempeña como corresponsal en La Habana, y entre 1991 y 2010 trabajó también para el Servicio de Noticias de la Mujer de Latinoamérica y el Caribe (SEMLac).

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