Desenvolvimento: Países do Sul precisam de políticas de longo prazo

Londres, 22/06/2005 – Os países em desenvolvimento precisam de oportunidades econômicas de longo prazo e não de ajuda temporária, disse à IPS o secretário-geral da Comunidade Britânica de Nações (Commonwealth), Don McKinnon. Se os países em desenvolvimento não obtiveram verdadeiras oportunidades econômicas, "o resto não será mais do que gorjetas", advertiu McKinnon, que lidera uma campanha pelo comércio justo. A Commonwealth reúne a Grã-Bretanha e outros 52 países que alguma vez integraram o Império Britânico. De todo modo, somente Grã-Bretanha e Canadá integram o Grupo dos Oito países mais industrializados, que estarão reunidos de 6 a 8 de julho na localidade escocesa de Gleneagles.

McKinnon apresentará uma lista de reivindicações da Commowealth ao G-8, que também compreende Estados Unidos, Japão, França, Alemanha, Itália e Rússia. "Queremos que o G-8 reconheça a necessidade de um avanço real em matéria de comércio, alívio da dívida e a própria cooperação para o desenvolvimento", afirmou. "Não é questão de intercâmbios. É questão de os países do mundo em desenvolvimento sentirem realmente que algo de bom pode acontecer", acrescentou. McKinnon escreverá aos líderes do G-8 para dizer-lhes que "é necessário criar mais oportunidades econômicas, e que a forma de fazê-lo é através de uma Rodada de Desenvolvimento de Doha de sucesso".

A atual rodada de negociações comerciais multilaterais foi lançada por ocasião da Quarta Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada em dezembro de 2001 em Doha, capital do Qatar. A rodada está dedicada principalmente à abertura comercial da agricultura e aos serviços, às tarifas alfandegárias e a temas específicos a favor dos países em desenvolvimento, mas, até agora, colheu mais fracassos do que êxitos. Espera-se que as negociações ganhem impulso antes da Sexta Conferência Ministerial, que acontecerá em dezembro, em Hong Kong. "Se a Rodada de Doha não beneficiar os países em desenvolvimento, podemos dizer adeus às oportunidades econômicas", disse McKinnon.

Os ministros das Finanças do G-8 decidiram no dia 11 passado perdoar "de imediato" a dívida de 18 dos países mais pobres do mundo, 14 deles da África subsaariana e quatro da América Latina. O ministro da Economia britânico, Gordon Brown, anunciou que o total da dívida perdoada chegará a mais de US$ 400 bilhões. Mas, essa medida "não resolvem os problemas subjacentes", advertiu McKinnon. "O cancelamento é bom, mas, em primeiro lugar, parte da dívida cancelada nunca deveria ter sido gerada", disse. Quanto à ajuda econômica, "apenas arranha a superfície", acrescentou. "As verdadeiras oportunidades econômicas podem ser dadas pelos Estados Unidos e pela União Européia, eliminando seus subsídios às exportações agrícolas", ressaltou McKinnon. Esses subsídios permitem aos países ricos colocar seus produtos a preços muito abaixo dos custos de produção das nações pobres, cujos agricultores ficam, dessa maneira, afastados do mercado.

Quase a metade do orçamento da União Européia se destina a subsídios agrícolas, mas, o presidente da França, Jacques Chirac, disse à imprensa no último dia 10 que não estava disposto a aceitar mudanças a respeito. McKinnon não acredita que a cúpula do G-8 ajude a tornar o comércio internacional mais justo. "Devo dizer que fiquei muito decepcionado quando ouvi do presidente francês que os subsídios agrícolas são parte da essência da Europa. Isso demonstra uma grande ignorância sobre as necessidades dos países em desenvolvimento", afirmou. "Sou muito crítico em relação aos que dizem: os ajudaremos economicamente, mas, não esperam que façamos uma redução em nossos subsídios agrícolas", acrescentou. McKinnon assinalou que, além da UE, os Estados Unidos têm uma grande responsabilidade. "Em toda sua história esse país se beneficiou de poder comercializar com que quisesse. Agora, é o momento de deixar que outros tenham o mesmo benefício", afirmou. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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