Meio Ambiente: Cúpula do G-8 terá pouco a mostrar em relação ao clima

Londres, 02/06/2005 – A cúpula do Grupo dos Oito países mais poderosos do mundo, prevista para julho na Escócia, mostrará poucos avanços na luta contra a mudança climática, alertou a organização Amigos da Terra Internacional. O grupo fez esta afirmação após analisar o rascunho da declaração da cúpula, publicado na Internet por um site particular. O encontro acontecerá em localidade de Gleneagles, entre 6 e 8 de julho. O rascunho é genuíno, mas, se trata de uma versão preliminar, segundo o escritório do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, anfitrião da reunião. No entanto, a Amigos da Terra considera que o texto demonstra claramente a falta de compromisso de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia na luta contra o aquecimento do planeta.

A mudança climática será um dos principais temas do encontro, bem como o desenvolvimento da África. O rascunho da declaração inclui um chamado geral no sentido de serem adotadas medidas contra a alteração do clima, e também pede a colaboração das instituições financeiras internacionais, embora não exija compromissos específicos nem estabeleça objetivos concretos. Os ativistas esperam que o rascunho seja melhorado nas próximas semanas. "Estamos no início de junho, e temos quase um mês para que seja feito algo muito, muito melhor do que isto", disse à IPS Catherine Pearce, da Amigos da Terra. As exigências do G-8 ganharão maior importância ainda às vésperas das celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente, no próximo dia 5, que este ano acontecerá na cidade norte-americana de São Francisco.

A Amigos da Terra faz três objeções gerais ao rascunho. Primeiro, destaca que não estabelece metas nem prazos para que os países do G-8 reduzam suas emissões de gases causadores do efeito estufa. A maioria dos cientistas concorda que o atual ciclo de aquecimento do planeta é causado por esses gases, originados principalmente pela queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás. Tampouco reconhecem a grande responsabilidade que tiveram e têm as indústrias do G-8 nesse problema. Os países do grupo respondem por 64% das emissões mundiais desses gases, desde 1800. Finalmente, a declaração não menciona a importância do Protocolo de Kyoto sobre mudança climática nem a necessidade de ações internacionais para reduzir as emissões.

"Isto é um claro sinal de onde estão os principais obstáculos", afirmou Pearce, se referindo aos Estados Unidos, que rejeitam esse acordo, o Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em fevereiro, obriga as nações industriais a reduzirem suas emissões de gases que causam o efeito estufa. Mas, o governo de George W. Bush repudiou o documento em 2001 e retirou a assinatura colocada por seu antecessor, Bill Clinton (1993-2001), alegando que afetaria gravemente a economia nacional. Os Estados Unidos, com 4% da população mundial, emitem um quarto dos gases causadores do efeito estufa do planeta. Apenas o Estado do Texas, do qual foi governador o próprio Bush – pertencente a uma família com interesses na indústria do petróleo – supera as emissões anuais da França.

A natureza limitada do rascunho "demonstra os limites da mentalidade do grupo. Não vão além da comodidade. Deve-se buscar uma mudança de paradigma no uso da energia", disse Pearce. A ativista destacou os esforços do primeiro-ministro Tony Blair para impor a agenda do G-8, mas assinalou que necessitará do apoio de todos os líderes. "Não temos muita fé na especial relação entre Blair e Bush. Ele não lhe dará o que quer", afirmou. Há, inclusive, temores de que a declaração possa piorar. Nela não há nenhuma afirmação sobre a opção nuclear nem evidência científica do aquecimento planetário. É possível que incluam afirmações sobre estes temas e nos "peguem pelas costas", disse a ativista.

A Amigos da Terra pede que a declaração da cúpula inclua evidência científica de que o planeta já está sofrendo a mudança climática de que são necessárias medidas urgentes para reduzir substancialmente as emissões que causam essa alteração, incluindo o uso de fontes de energia sustentável e renovável. Por fim, a organização pede ao G-8 que deixe de promover a extração de combustíveis fósseis no Sul em desenvolvimento através de instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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