Clima: Aumenta a lista de mortos do furacão Dennis em Cuba

Havana, 13/07/2005 – Informes preliminares indicam que o furacão Dennis matou, na sexta-feira, pelo menos 16 pessoas em Cuba, o maior número de vítimas fatais de um desastre climático que vive esse país em mais de uma década. A lista de mortos, elevada para um país com um eficaz sistema de proteção contra catástrofes, poderia ter sido muito maior se a Defesa Civil não tivesse feito a evacuação preventiva de 1,5 milhão de pessoas. Mas algumas "deveriam ter sido evacuadas e não foram, ou demoraram a sair, ou regressaram ao seu lugar de origem antes do tempo", disse o presidente Fidel Castro ao enumerar as perdas através da televisão estatal.

Os prejuízos econômicos provocados por Dennis, um furacão de intensidade quatro que teve rajadas de vento de quase 300 km/h, são calculados em mais de US$ 1,4 bilhão, e os impactos ambientalistas podem ser severos, segundo relatórios ainda não definitivos. Estima-se que morreram pelo menos 73 mil aves. Havana não terminou de quantificar as perdas e já deve se preparar para a tempestade tropical Emily. Previsões do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos indicam que Emily tem todas as condições para ganhar intensidade e chegar ao Haiti e ao leste cubano no próximo sábado, já transformada em furacão.

Apesar destas condições, Castro assegurou que seu governo não pedirá ajuda humanitária internacional, rejeitará qualquer oferecimento procedente dos Estados Unidos ou da União Européia e aceitará somente a ajuda dos "países amigos". Se "nos oferecerem um bilhão, diremos não, que suspendam o miserável bloqueio, que cessem a perseguição, a ameaça, a agressão, isso sim. Não queremos a ajuda nem dos europeus nem dos norte-americanos", disse Fidel Castro numa referência ao embargo econômico que Washington mantém há mais de 40 anos. Assim, o presidente rejeitou US$ 50 mil de ajuda humanitária oferecida pelo governo de George W. Bush e fechou as portas a qualquer tentativa de apoio procedente da UE ou de seus 25 Estados-membros.

A cooperação dos países do bloco europeu com Cuba foi congelada como parte de um pacote de sanções européias contra Havana pela detenção e severas condições impostas a 75 dissidentes na primavera boreal de 2003. Por outro lado, Castro anunciou a chegada no domingo, procedente da Venezuela, de um navio com torres e materiais elétricos e combustível, entre outros recursos. O sistema da Organização das Nações Unidas está pronto para canalizar ajuda humanitária para Cuba que permita a esse país suportar a emergência, disse à IPS uma fonte do escritório do coordenador residente da ONU em Havana.

No entanto, o Escritório de Coordenações das Nações Unidas para Assuntos Humanitários destinará US$ 50 mil para comprar gêneros de primeira necessidade e coordenar a resposta à situação de emergência, segundo informou a imprensa. Cuba foi açoitada durante o século passado por cerca de cem ciclones tropicais, entre eles 10 grandes furacões. Dennis foi o primeiro de grande intensidade registrado em julho desde início do século XIX, e também o primeiro a impactar a região oriental. Em perdas humanas, a pior catástrofe em 50 anos foi o furacão Flora, que deixou 1.050 mortos, em 1963. Em 1988, 16 pessoas morreram por causa das chuvas intensas e em 2001 houve cinco mortes durante a passagem de Michelle.

Os furacões Katz, Lili, George, Mitch, Irene e Michelle provocaram perdas milionárias na economia cubana entre 1985 e 2001, mas somente 17 pessoas morreram, segundo a Defesa Civil. Se Dennis tivesse atravessado a capital, as perdas econômicas poderiam ter chegado a US$ 3 bilhões, disse Castro. No momento registram-se 120 mil casas fortemente danificadas, das quais 15 mil foram destruídas. Em Havana, sede dos maiores problemas habitacionais, são 1.828 casas afetadas e 30 que desabaram totalmente. O furacão arrasou cem hectares de cultivos, afetou cerca de 300 mil toneladas de alimentos armazenados e prejudicou severamente cerca de 270 instalações sanitárias e educacionais, 21 hotéis, 96 centros esportivos e 69 centros culturais.

O sistema elétrico nacional sofreu danos importantes, como a queda de 36 torres, impedindo a transmissão de energia de leste para oeste do país e mantendo sem eletricidade 21 municípios. Por falta de energia elétrica, estão sem água potável 2,5 milhões de pessoas nesse país de 11,2 milhões de habitantes, enquanto povoados inteiros continuam inundados pelas fortes chuvas que acompanharam Dennis. Na verdade, as chuvas foram bem recebidas nesta ilha que sofre uma grave seca de dois anos, embora a água não tenha caído em todas as províncias afetadas por uma crônica escassez de chuva. O Instituto Nacional de Recursos Hidráulicos informou que as represas receberam 1.646 milhões de metros cúbicos de água. Em três dias, os depósitos das represas passaram de 35% para 53,7% de sua capacidade. (IPS/Envolverde)

Dalia Acosta

Dalia Acosta ha sido corresponsal de IPS en Cuba por muchos años. Se graduó en 1987 de la licenciatura en periodismo internacional en el Instituto Estatal de Relaciones Internacionales de Moscú. Trabajó un año en el diario cubano Granma y otros seis en Juventud Rebelde, donde incursionó en el periodismo de investigación sobre mujer, minorías, sida y derechos sexuales. En 1990 recibió el Premio de Periodismo Tina Modotti, y en 1992 el Premio Nacional de Periodismo por un reportaje sobre la comunidad rockera de su país. Empezó a colaborar con IPS en 1990 como parte de un proyecto de comunicación con el Fondo de Población de las Naciones Unidas (UNFPA). Desde 1995 se desempeña como corresponsal en La Habana, y entre 1991 y 2010 trabajó también para el Servicio de Noticias de la Mujer de Latinoamérica y el Caribe (SEMLac).

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