Bruxelas, 15/07/2005 – Uma semana depois dos atentados em Londres, nesta quinta-feira, milhões de europeus uniram-se aos londrinos para em silêncio recordar as vítimas dos ataques do último dia 7 no transporte público da capital britânica, que deixaram, pelo menos, 52 mortos e cerca de 700 feridos. Por sua vez, a União Européia prometeu fortalecer seus esforços antiterroristas implementando as leis de segurança estabelecidas pouco depois dos ataques de Madri, no dia 11 de março de 2004, que deixaram 191 mortos. Os ministros do Interior da UE, reunidos na quarta-feira em Bruxelas, concordaram em melhorar a cooperação policial e o intercâmbio de informação entre os países membros, estudar quais razões atraem certas pessoas ao terrorismo, e revisar a segurança da navegação marítima e aérea.
Na reunião de emergência convocada em resposta direta aos atentados, os ministros também prometeram fixar regras comuns sobre os procedimentos de emissão de documentos de identidade, bem como normas para combater o financiamento do terrorismo. Além disso, se propuseram a aprovar ainda este ano medidas que afetariam a esfera privada, como obrigar as empresas de telecomunicações a guardarem por um ano dados sobre gravações telefônicas e correios eletrônicos e colocá-los à disposição da polícia, e formularam uma iniciativa sobre o registro dos passageiros de avião. O ministro do Interior britânico, Charles Clarke, presidiu a reunião. A Grã-Bretanha ocupa a presidência rotativa da UE neste segundo semestre.
"Todos nós, em toda a União Européia, estamos absolutamente determinados a acelerar nosso trabalho para tornar o terrorismo mais difícil", afirmou o ministro aos jornalistas ao término do encontro. Além disso, avançou-se sobre a "substância" dos planos para obrigar as firmas de telecomunicações a conservarem o registro de telefonemas, mensagem de texto e de correio eletrônico, acrescentou. A reunião também estabeleceu medidas para troca de informações sobre explosivos perdidos ou roubados e finanças de grupos terroristas, inclusive novas leis sobre transferência de dinheiro e medidas contra a lavagem de ativos. Nenhuma destas propostas é nova, já que haviam sido acordadas por líderes da UE na cúpula de junho, como prioridade para este segundo semestre. Uma reunião semelhante de ministros do Interior europeus aconteceu depois dos atentados na capital espanhola. Nessa ocasião se acelerou a implementação da lei européia sobre justificativas de prisões e impulsionou-se o intercâmbio de informação policial.
Antes do encontro desta quarta-feira, o presidente da Comissão Européia, José Durão Barroso, advertiu que todos os países-membros do bloco correm risco de sofrer um ataque terrorista. "Sabemos que o ocorrido em Londres pode voltar a acontecer, em qualquer de nossos países-membros, a qualquer momento. Em resposta a esta ameaça aos nossos valores comuns, a União Européia se unirá cada vez mais e intensificará a assistência e o apoio mútuos", afirmou Barroso. Porém, organizações dos direitos civis advertiram que as novas medidas afetarão os direitos dos cidadãos europeus. As medidas propostas sobre retenção de dados "colocarão todos os habitantes da UE sob vigilância, serão usadas para combater o crime em geral e podem ser usadas para controle social e político", advertiu o grupo britânico Statewatch.
"É compreensível que os governos queiram responder à tragédia, mas implantar um sistema que converte todos os europeus em suspeitos e que poderia ser objeto de mau uso e de abuso enfraquece a democracia que se quer defende", afirmou Tony Bunyan, diretor da Statewatch. A luta contra o terrorismo consta da agenda da União Européia desde 1997, mas as ações coordenadas somente começaram depois dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. (IPS/Envolverde)

