Direitos Humanos: Aumentam os presos políticos em Cuba

Havana, 06/07/2005 – As detenções de pessoas por motivos políticos em Cuba duplicaram no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período de 2004, segundo o registro realizado pela Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), de oposição. Esta tendência pode ser confirmada "apesar de o caráter fechado da forma de governo imperante" no país propiciar a existência de casos que permanecem no anonimato", afirma o relatório divulgado por esta organização. O estudo indica que até 30 de junho existiam na ilha 306 pessoas condenadas por motivos políticos. Desse total, uma dezena cumpre sua pena sob licença extra-penal por problemas de saúde.

Esse tipo de liberdade condicional que beneficiou um pequeno grupo dos 75 dissidentes presos em abril de 2003 "pode ser revogada, a qualquer momento, mediante uma simples decisão policial", acrescenta a entidade. O informe não-governamental assinado pelo presidente da CCDHRN, Elizardo Sánchez, e pelo ativista Carlos J. Menéndez, é divulgado a cada seis meses a partir da confirmação de cada caso com fontes militares. A Comissão solicitou seu registro legam em Cuba desde 1987. Em 1990 recebeu o Prêmio pela Liberdade de Expressão da Sociedade Interamericana de Imprensa, e em 1991 o Prêmio Internacional da organização internacional com sede em Nova York, Human Rights Watch.

Do total de casos documentados junto à CCDHRN, 86 são reconhecidos como prisioneiros de consciência pela também organização humanitária Anistia Internacional, com sede em Londres. Segundo a CCDHRN, pelo menos 20 presos de consciência estão seriamente doentes e portanto seu estado de saúde é totalmente incompatível com o severo regime carcerário a que estão submetidos. O documento indica que 70 pessoas estão reclusas em prisões de alta segurança e "submetidas a condições sub-humanas". Durante o segundo trimestre de 2005, dois ex-prisioneiros de consciência partiram para o exílio: o poeta Raúl Rivero e o jornalista Manuel Vázquez.

O governo de Fidel Castro mantém na ilegalidade todos os grupos de oposição política por considerá-los "mercenários a soldo" dos Estados Unidos com o fim de "subverter a ordem interna" em Cuba. O plano de transição para uma Cuba livre, aprovado pelo presidente norte-americano, George W. Bush, no ano passado, inclui a destinação de "até US$ 59 milhões para acelerar o fim da ditadura" de Castro, como assinala o texto. Desses fundos, até US$ 36 milhões foram destinados ao fomento da democracia, apoio aos familiares de membros da oposição e apoio aos esforços pela democracia dos jovens, das mulheres e das pessoas de origem africana.

"A Seção de Interesses dos Estados Unidos não deu nem dá dinheiro aos membros da sociedade civil cubana", disse o chefe dessa missão em Cuba, James C. Cason, na última segunda-feira, quando foi comemorado o Dia da Independência desse país. Cason afirmou que o apoio desse escritório aos "ativistas cubanos a favor da democracia" consistiu em facilitar o acesso à informação sem censura e à Internet e, ainda, à realização de videoconferências sobre transição política. A SINA (sua sigla em inglês) também deu cursos de jornalismo para aquelas pessoas "que se atreveram a escrever sobre Cuba tal como a vêem", disse Cason.

"Para uma pessoa que não viveu sob um governo totalitário fica muito difícil captar o que é a vida quando o Estado domina todos os aspectos da sociedade", afirmou o diplomata norte-americano. Na recepção em sua residência, da qual participaram cerca de 600 pessoas, havia um cartaz luminoso com a imagem da Estátua da Liberdade, de 9 metros de altura e coroada pelo número 75, em referência aos oposicionistas presos em março de 2003. A "lista parcial" de presos políticos divulgada nesta terça-feira inclui 13 opositores presos entre janeiro e junho, e 11 acusados de "periculosidade delitiva".

Entre eles aparecem Ernesto Lucas Corral Cabrera, detido em 18 de junho, e Rigoberto Fernández Ruiz, detido dois dias antes, ambos acusados de "periculosidade". Também foi colocado atrás das grades José Angel Buduén López, por desacato, desobediência e resistência. A CCDHRN estima que existe "uma tendência a prender opositores através de acusações ambíguas e procedimentos sumaríssimos, que geralmente deixam vulnerável o direito ao devido processo", conclui o texto. (IPS/Envolverde)

Dalia Acosta

Dalia Acosta ha sido corresponsal de IPS en Cuba por muchos años. Se graduó en 1987 de la licenciatura en periodismo internacional en el Instituto Estatal de Relaciones Internacionales de Moscú. Trabajó un año en el diario cubano Granma y otros seis en Juventud Rebelde, donde incursionó en el periodismo de investigación sobre mujer, minorías, sida y derechos sexuales. En 1990 recibió el Premio de Periodismo Tina Modotti, y en 1992 el Premio Nacional de Periodismo por un reportaje sobre la comunidad rockera de su país. Empezó a colaborar con IPS en 1990 como parte de un proyecto de comunicación con el Fondo de Población de las Naciones Unidas (UNFPA). Desde 1995 se desempeña como corresponsal en La Habana, y entre 1991 y 2010 trabajó también para el Servicio de Noticias de la Mujer de Latinoamérica y el Caribe (SEMLac).

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