Iraque: A ONU ficará por mais um ano

Nações Unidas, 15/08/2005 – O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas aprovou, por unanimidade, uma resolução patrocinada pelos Estados Unidos para manter o pessoal desse fórum mundial por mais um ano no Iraque, apesar do incessante aumento da violência nesse país. "A ONU deve liderar a ajuda aos esforços do povo e do governo do Iraque para criar instituições de governo representativas e promover o diálogo e a unidade", afirmou o Conselho de Segurança na resolução, que reafirmou a "independência, soberania unidade e integridade territorial" do Iraque. Esta é a segunda vez que o Conselho prorroga o mandato da Missão de Assistência das Nações Unidas no Iraque (Unami) desde sua criação, em agosto de 2003, cinco meses depois da invasão desse país pelos Estados Unidos e seus aliados.

"O diálogo nacional iraquiano, ao qual a Unami deve ajudar, é crucial para a estabilidade e unidade política do Iraque", destacou o Conselho, que se propõe renovar o mandato da missão em um ano, ou antes, se isso for solicitado por Bagdá. Atualmente, a ONU tem 260 funcionários civis e de segurança no Iraque. Suas tarefas vão da coordenação de diversas operações humanitárias à assessoria a líderes políticos na redação de uma nova Constituição e na organização de novas eleições para dezembro. No momento, não há sinais de que a ONU vá aumentar seu pessoal. "Qualquer ampliação deve ser avaliada no contexto da situação de segurança", disse à IPS Stephane Dujarric, principal porta-voz do secretário-geral, Kofi Annan.

Em recente carta enviada ao Conselho de Segurança, Annan disse que, apesar das "várias dificuldades operacionais e de segurança", prevê-se o envio de mais funcionários, este ano, como o uso de novas instalações nas cidades de Basra e Erbil, bem com mais atividades humanitárias, de reconstrução e desenvolvimento nessas áreas. Kenzo Oshima, embaixador do Japão junto à ONU, e este mês presidente do Conselho, disse à imprensa que os integrantes desse órgão foram amplamente informados sobre a Unami pelo secretário-geral-adjunto para Assuntos Políticos, Tuliameni Kalmoh. O Conselho destacou que a redação da nova Constituição "progride" e que espera que o governo iraquiano possa cumprir o prazo de 15 de agosto. Entretanto, Oshima observou que persistem "algumas diferenças".

Washington comemorou a decisão do Conselho de Segurança. "Os Estados Unidos estão contentes com a adoção da resolução por unanimidade", afirmou John Bolton, novo embaixador norte-americano junto à ONU, depois da reunião. O enviado do Iraque, Samir Sumaidaie, também expressou contentamento. "Agora há um acordo unânime sobre a necessidade de a ONU continuar envolvida no processo de transição do Iraque", destacou. Diante da aproximação do fim do prazo para concluir a Constituição, intensificou-se a atividade diplomática em Nova York e Bagdá. Na terça-feira, o Conselho de Segurança realizou uma reunião a portas fechadas para realizar consultas sobre a situação no Iraque. No mesmo dia, o enviado especial de Annan na capital iraquiana, Ashraf Qazi, conversou com o primeiro-ministro Ibrahim Jaafari e outros líderes políticos do Iraque sobre o papel das Nações Unidas na preparação das eleições.

Diante da crescente resistência iraquiana, altos oficiais militares dos Estados Unidos sugeriram a retirada de 20 mil a 30 mil, dos 138 mil soldados norte-americanos que estão no Iraque, antes da próxima primavera no hemisfério norte, caso o governo desse país consiga finalizar a Constituição e realizar eleições. Desde a invasão do Iraque, em 2003, morreram quase dois mil soldados norte-americanos e cerca de 25 mil ficaram feridos. A guerra cobrou mais de cem mil vidas, em sua maioria civis. "O mandato da Unami só pode ser plenamente implementado em estreita colaboração com os iraquianos e com o apoio ativo do Conselho de Segurança e da comunidade internacional", afirmou Kofi Annan em sua carta. (IPS/Envolverde)

Haider Rizvi

Haider Rizvi has written for IPS since 1993, filing news reports and analyses from South Asia, Washington, D.C. and New York. Based at United Nations headquarters, he specialises in international human rights issues and sustainable development as well as disarmament, women's rights, and indigenous peoples' rights. He is a two-time winner of the Project Censored Award.

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