Saúde: Fábrica de genéricos contra aids cria grandes expectativas em Moçambique

Maputo, 02/08/2005 – A proposta da construção da primeira fábrica de medicamentos anti-retrovirais genéricos, com a colaboração do Brasil, é um raio de esperança para Moçambique, que tem uma prevalência de HIV/aids superior a 12%. Os dois países assinaram um acordo para começar a estudar a viabilidade do projeto. "Atualmente estamos em processo de contratação da empresa que realizará o estudo", explicou Francisco Luz, assessor de cooperação da embaixada brasileira em Maputo. O Brasil transformou a produção de anti-retrovirais genéricos em uma ferramenta fundamental para o acesso universal ao tratamento do HIV/aids. Os genéricos se identificam por seu princípio ativo e são muito mais baratos do que seus equivalentes de marca. "Nosso compromisso é realizar o estudo de viabilidade e ajudar o governo moçambicano a obter os fundos para a construção do laboratório", explicou à IPS.

Segundo Martinho Dgedge, porta-voz do Ministério da Saúde de Moçambique, o estudo custará cerca de US$ 1 milhão e vai demorar 10 meses, e o laboratório somente será construído se ficar determinado que terá mercado no país e no exterior. "O importante é determinar se a fábrica também poderá vender na região", acrescentou. Vítimas do HIV (vírus da deficiência imunológica adquirida) receberam com alegria a notícia do projeto, proposto pela primeira vez em novembro de 2003. "A fábrica de anti-retrovirais pode reduzir significativamente as mortes relacionadas com o HIV/aids", comemorou Arlindo Fernandes, presidente da Associação Kindlimuka, que reúne vítimas da aids.

Atualmente, 75% dos cerca de 500 integrantes desse grupo recebem tratamento anti-retroviral, que prolonga e melhora notavelmente a qualidade de vida das pessoas infectadas com o HIV (causador da aids). No ano passado, o governo destinou mais de US$ 4 milhões ao tratamento de aproximadamente sete mil pacientes. Dgedge anunciou que cerca de 20 mil doentes receberão a terapia esta ano, já que foram destinados US$ 7 milhões para esse tratamento. A Fundação Clinton, criada pelo ex-presidente norte-americano Bill Clinton, negociou com fabricantes de genéricos para que Moçambique pudesse ter medicamentos pelo menor preço possível. A Irlanda também ajuda este país africano com fundos para os medicamentos anti-retrovirais.

Além disso, a Comunidade de Sant`Egidio, uma organização não-governamental italiana, oferece assistência a um total de 9.200 portadores do HIV, 4.200 deles na fase de receber tratamento anti-retroviral. O programa de Sant`Egidio conseguiu um importante êxito na prevenção da transmissão do vírus da aids de mãe para filho. Estima-se que 500 pessoas por dia contraem o HIV em Moçambique. Estatísticas oficiais situam o número de pessoas que vivem com HIV ou aids em 1,2 milhão. Fernandes contou que a maioria dos membros de seu grupo que receberam medicamento anti-retroviral levam uma vida normal, embora sofram discriminação. Alguns foram demitidos de seus empregos e não conseguem arrumar trabalho. (IPS/Envolverde)

Bayano Valy

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