Terrorismo: ETA e violência persistem no País Basco

Madri, 16/08/2005 – A cidade de San Sebástian foi o mais recente cenário onde o grupo terrorista ETA e seu braço político, Batasuna, demonstraram que a violência persiste no País Basco, apesar do diálogo condicionado oferecido pelo governo do primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero. O Congresso dos Deputados, a câmara alta da Espanha, aprovou, no dia 17 de maio, o diálogo com a ETA (Pátria Basca e Liberdade, em basco) proposto por Zapatero, com a condição expressa de que antes essa organização declarasse o abandono da luta violenta e entregasse as armas e explosivos em seu poder. Os incidentes ocorridos no contexto da manifestação de domingo, em San Sebástian, capital da província basca de Guipúzcoa, e as referências a isso feitas nesta segunda-feira pelos organizadores da marcha e principais partidos políticos, parecem mostrar que a ETA não está disposta a cumprir essa condição.

O governo autônomo do País Basco, formado por uma coalizão do moderado Partido Nacionalista Basco (PNV) com o Partido de Esquerda Unida, desautorizou a convocação feita pelo Batasuna de uma manifestação para o domingo, que, de todo modo, aconteceu sob o lema "Agora o povo, agora a paz". Porta-vozes do Batasuna, o grupo político legalizado em 2002, haviam advertido, na sexta-feira, que haveria incidentes se houvesse ação da Ertzainza, o corpo policial dependente do governo autônomo, encarregado das tarefas de segurança dentro dessa Comunidade, uma das 17 que integram a Espanha. Parte da manifestação aconteceu sem incidentes, mas outra foi cenário de confrontos entre grupos de manifestantes e policiais, quando estes tentaram evitar atos de vandalismo, além de agressões contra nacionalistas moderados.

No final havia sete detidos e cerca de 50 feridos, dez deles com maior gravidade. A maior parte dos afetados é de turistas, que estavam à margem das manifestações e chegaram a San Sebástian para as festas da Semana Grande, repleta de feiras, celebrações e atos culturais. Joseba Alvarez, dirigente do Batasuna, disse, nesta segunda-feira, que "o ocorrido ontem foi um desastre" e que, no primeiro local da cidade onde se reuniram, "a Ertzainza não estava" e por isso não houve incidentes. A dirigente acrescentou que parece "um escândalo que, a esta altura, quando se quer fazer uma manifestação em defesa de um processo de paz, no dia seguinte tenhamos de continuar falando de feridos, detidos e pessoas que apanharam".

Tanto o coordenador do governante Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) no Congresso dos Deputados, Diego López Garrido, como a presidente no País Basco, Maria San Gil, do Partido Popular, pediram à Promotoria Geral da Nação que tome as rédeas do caso e, assim, peça a punição dos responsáveis pela manifestação. Outros atos protagonizados pelos batasunos, em San Sebástian, ilustraram seu apoio à ação armada da ETA. Na manhã de domingo, horas antes da manifestação, os dirigentes partidários presidiram uma cerimônia fúnebre na qual foram lançadas ao mar as cinzas de um membro da ETA, morto em um acidente na França quando fugia da polícia francesa.

Ali, os presentes deram gritos a favor da ETA. Momentos depois se dirigiram a outro ponto da cidade para homenagear a ikurriña, a bandeira do País Basco, exibiram um cartaz onde se lia "Chega de fascismo. Ikurriña, nossa bandeira", e minutos depois quatro encapuzados queimaram uma bandeira espanhola e outra francesa, no centro da Praça da Constituição. Também grupos pró-Batasuna se manifestaram em San Sebástian e ao se encontrarem com membros do PNV os vaiaram e chamaram "espanhóis", o que é considerado um insulto para os nacionalistas. Referindo-se à queima de contêineres de lixo, no domingo, por quatro encapuzados durante a manifestação, fontes da Ertzainza disseram que foram comprovados mais de 30 ataques de violência de rua em apenas cinco dias, e asseguraram que o único grupo que as promove é o braço político da ETA.

As mesmas fontes concordam com as do Ministério do Interior da Espanha de que a ETA está extremamente enfraquecida e que, exatamente por isso, incentiva a violência de rua e coloca bombas, prevendo que cedo ou tarde terá de abandonar as armas e sentar para negociar. Tendo em conta que, em toda a Espanha, incluindo o País Basco, existe a democracia e a liberdade de expressão e de organização, fontes governamentais disseram que a eventual negociação com a ETA, "se esta previamente abandonar as armas", tem a ver com o futuro de seus presos, os ativistas com ordem de prisão ou exilados, e que em nenhum caso serão colocadas na mesa de diálogo condições políticas. A ETA, pelo contrário, pretende que se debata sobre suas demandas de independência do território basco, que serem as três províncias que formam o País Basco, mais a Comunidade Autônoma de Navarra e três departamentos franceses. (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *