Milão, Itália, 13/10/2005 – Reativar as relações entre europeus e latino-americanos é a intenção da II Conferência Nacional sobre a América Latina, que acontecerá nos próximos dias na cidade italiana de Milão. Esta segunda conferência (a primeira foi há dois anos) reunirá personalidades, chefes de Estado, como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, ministros e representantes do mundo econômico, social e cultural da América Latina e da União Européia. "Com a América Latina temos um forte vínculo histórico e cultural. É um continente estratégico com potencialidades extraordinárias", destacou o presidente da Região da Lombardia, Roberto Formigoni, que encabeça a organização da conferência, junto com a chancelaria italiana.
A agenda do encontro compreende duas sessões e quatro grupos de trabalho para analisar oportunidades de comércio e investimentos de empresas médias e pequenas nos setores agrícola e de serviços, promover o intercâmbio de experiências entre instituições européias e latino-americanas, e, ainda, relançar um projeto cultural. Apesar da convergência política e cultural entre as duas regiões, e do mercado de mais de 500 milhões de pessoas que a América Latina representa, ainda não existe entre ambas uma estreita relação econômica e comercial. A UE considera a América Latina uma área não "prioritária" para intensificar essas relações.
Embora a UE tenha assinado tratados comerciais com México e Chile, há dez anos negocia um acordo de livre comércio com o Mercosul (formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e não assinou pactos semelhantes com os sete países da América Central, nem com a Comunidade Andina de Nações (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela). Segundo os organizadores da Conferência, inclusive o acordo com o México não é aproveitado como deveria. As empresas européias não percebem o "trampolim" para o mercado norte-americano que esse país oferece, como membro do Tratado de Livre Comércio da América do Norte.
As negociações com o Mercosul visam uma "associação estratégica" e uma "área de livre comércio", mas já duram muitos anos de dificuldades. A Comissão Européia (órgão executivo da UE) estabeleceu uma nova agenda para impulsionar essas negociações. Contudo, as diferenças entre os dois blocos se mantêm no grau de acesso de produtos agrícolas do Mercosul ao mercado europeu e na reclamação que a UE faz ao bloco sul-americano de maior liberalização do setor de serviços.
"O objetivo da conferência é sensibilizar os representantes europeus sobre as possibilidades de desenvolvimento da região antes da IV Cúpula da União Européia-América Latina-Caribe, em Viena, no próximo ano", disse Bruno Ermolli, presidente da Promos, empresa organizadora de atividades internacionais para a Câmara de Comércio de Milão. De fato, o intercâmbio entre as regiões diminuiu. Apenas 15% das exportações latino-americanas se dirigem à UE, contra 20% nos anos 90.
Para a região, a UE é um mercado menos importante do que os Estados Unidos e destinos asiáticos como a China. A partir da constituição da Comunidade Sul-Americana de Nações (em 2004, por iniciativa brasileira), a América do Sul buscou atrair os países árabes como sócios comerciais e de desenvolvimento. Neste cenário, a Itália está empenhada em revitalizar sua presença na América Latina, que representa um mercado em crescimento e diversificado. Além disso, aposta no desenvolvimento do intercâmbio cultural, científico e educacional, disse Formigoni. "A Lombardia é a protagonista desta aliança, tem 36 projetos de cooperação com a América Latina e 13 protocolos, e enviou sete missões a vários países" da região, ressaltou. (IPS/Envolverde)

