Artigo: Astronauta abre uma porta para o céu

RIO DE JANEIRO, 30/01/2006 – Crianças de 39 escolas públicas do Brasil poderão realizar experiências no espaço, graças ao primeiro cosmonauta de seu país, Marcos Pontes. Quando o primeiro astronauta brasileiro, Marcos César Pontes, seguir para o espaço, em março, as portas do céu se abrirão não só para alguns renomados pesquisadores brasileiros, como também para dezenas de crianças de 39 centros municipais de educação. Pontes, que é tenente-coronel da Aeronáutica, partirá do Casaquistão, no dia 30 de março, na nave russa Soyuz rumo à Estação Espacial Internacional (ISS). Ali coordenará, durante oito dias, diversas experiências, incluindo duas sobre os efeitos da microgravidade, das quais participam crianças de escolas de São José dos Campos, no Estado de São Paulo.

Esta cidade foi escolhida por ser considerada a capital brasileira da tecnologia espacial. Nela se localiza a Empresa Brasileira de Aeronáutica e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, onde Pontes se formou em engenharia. As experiências das crianças consistirão em observar a germinação de sementes de feijão em órbita terrestre em comparação com o processo usual na Terra e em analisar a reação da clorofila – pigmento próprio das plantas verdes que possibilita a transformação da energia luminosa em energia química – na quase ausência de gravidade.

"O objetivo da experiência é principalmente pedagógico, de motivar o estudo da ciência e despertar vocações nos alunos", explicou ao Terramérica Elisa Saeta, orientadora de Ciências da Secretaria Municipal de Educação e coordenadora do projeto. Professores e alunos poderão usar fotos e informes do astronauta, enviados pela Internet, para acompanhar a missão e avaliar os dados obtidos, acrescentou. Trata-se de uma experiência pioneira porque será feita com estudantes do ensino básico e não do universitário ou secundário, destacou Márcio Catalani, orientador de Geografia que também participa da coordenação.

Por seu caráter nitidamente pedagógico, as experiências das crianças não apresentarão novidades científicas, como ocorrerá com os projetos realizados por pesquisadores profissionais. Em um deles, será observada, pela primeira vez em microgravidade, a germinação de uma árvore tropical, a Gonçalo Alves, destacou Roberto Fontes Vieira, do Centro de Recursos Genéticos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), responsável pela experiência. Também se buscará observar as diferenças nos processos fisiológicos, como a produção de hormônios que possam alterar o crescimento, e o desempenho na ausência de luz do fototropismo, que faz com que a planta cresça buscando luz, e do geotropismo, que orienta as raízes a se aprofundarem na terra, explicou o pesquisador.

A Gonçalo Alves foi escolhida porque suas sementes germinam simultaneamente em quatro dias e a espécie tolera tipos bem variados de pressões ou carências. É uma árvore do cerrado brasileiro que produz madeira e, por isso, sofre intensos cortes. Os resultados práticos dessa pesquisa não serão visíveis a curto prazo, mas serão importantes para "abrir portas" para uma maior interação entre a Embrapa e a Agência Espacial Brasileira, disse Vieira.

Outras experiências, a cargo de universidades brasileiras, estudarão os efeitos da microgravidade em evaporadores capilares (equipamentos para bombear fluídos através de numerosos e pequenos poros), proteínas luminescentes (como as dos vaga-lumes) e sondas de nanotecnologia (minúsculos aparelhos usados para examinar, por exemplo, o interior do corpo humano). Além disso, um estudo voltado ao futuro das viagens espaciais avaliará com reage o sistema de reparação do ADN (ácido desoxirribonucléico, material genético dos organismos) na microgravidade, já que "nada se sabe sobre como se realiza esse processo", explicou ao Terramérica Nasser Ribeiro Assad, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e responsável pelo projeto.

A "Missão Centenário" de Pontes, assim chamada em comemoração aos cem anos do primeiro vôo de Alberto Santos Dumont, que os brasileiros consideram o inventor do avião, será possível pela adesão do Brasil ao ISS e aos acordos de cooperação com a Rússia. Tudo isto integra um ambicioso programa espacial que começou nos anos 60 e se ampliou nas décadas seguintes, com a construção de satélites e do Centro de Lançamento de Alcântara, no Estado do Maranhão. O Brasil espera atrair o lançamento de foguetes de muitos países para esse Centro, vantajoso por ficar quase na linha do Equador. O país já assinou contrato com a Ucrânia, e ainda não o fez com os Estados Unidos porque o Congresso considerou inaceitáveis as condições exigidas por Washington.

O programa espacial brasileiro também compreende um Veículo Lançador de Satélites, fracassado até agora e marcado pela trágica explosão de seu terceiro protótipo, em agosto de 2003, em Alcântara, quando morreram 21 técnicos e engenheiros. O Brasil destinará, em 2006, cerca de US$ 200 milhões ao seu programa espacial, ou seja, o dobro do orçamento que tinha nos anos 80.

* O autor é correspondente da IPS.

Para saber mais sobre como Marcos Pontes se prepara para sua missão, entre no site http://www.marcospontes.net.

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Mario Osava

El premiado Chizuo Osava, más conocido como Mario Osava, es corresponsal de IPS desde 1978 y encargado de la corresponsalía en Brasil desde 1980. Cubrió hechos y procesos en todas partes de ese país y últimamente se dedica a rastrear los efectos de los grandes proyectos de infraestructura que reflejan opciones de desarrollo y de integración en América Latina. Es miembro de consejos o asambleas de socios de varias organizaciones no gubernamentales, como el Instituto Brasileño de Análisis Sociales y Económicos (Ibase), el Instituto Fazer Brasil y la Agencia de Noticias de los Derechos de la Infancia (ANDI). Aunque tomó algunos cursos de periodismo en 1964 y 1965, y de filosofía en 1967, él se considera un autodidacto formado a través de lecturas, militancia política y la experiencia de haber residido en varios países de diferentes continentes. Empezó a trabajar en IPS en 1978, en Lisboa, donde escribió también para la edición portuguesa de Cuadernos del Tercer Mundo. De vuelta en Brasil, estuvo algunos meses en el diario O Globo, de Río de Janeiro, en 1980, antes de asumir la corresponsalía de IPS. También se desempeñó como bancario, promotor de desarrollo comunitario en "favelas" (tugurios) de São Paulo, docente de cursos para el ingreso a la universidad en su país, asistente de producción de filmes en Portugal y asesor partidario en Angola. Síguelo en Twitter.

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El premiado Chizuo Osava, más conocido como Mario Osava, es corresponsal de IPS desde 1978 y encargado de la corresponsalía en Brasil desde 1980. Cubrió hechos y procesos en todas partes de ese país y últimamente se dedica a rastrear los efectos de los grandes proyectos de infraestructura que reflejan opciones de desarrollo y de integración en América Latina. Es miembro de consejos o asambleas de socios de varias organizaciones no gubernamentales, como el Instituto Brasileño de Análisis Sociales y Económicos (Ibase), el Instituto Fazer Brasil y la Agencia de Noticias de los Derechos de la Infancia (ANDI). Aunque tomó algunos cursos de periodismo en 1964 y 1965, y de filosofía en 1967, él se considera un autodidacto formado a través de lecturas, militancia política y la experiencia de haber residido en varios países de diferentes continentes. Empezó a trabajar en IPS en 1978, en Lisboa, donde escribió también para la edición portuguesa de Cuadernos del Tercer Mundo. De vuelta en Brasil, estuvo algunos meses en el diario O Globo, de Río de Janeiro, en 1980, antes de asumir la corresponsalía de IPS. También se desempeñó como bancario, promotor de desarrollo comunitario en "favelas" (tugurios) de São Paulo, docente de cursos para el ingreso a la universidad en su país, asistente de producción de filmes en Portugal y asesor partidario en Angola. Síguelo en Twitter.

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