Pequim, 13/01/2006 – Os economistas tentam decifrar o significado do novo status econômico da China, alertando que embora seu grande tamanho e a consolidação de seu poderio econômico despertem o aplauso dos investidores, também trazem consigo uma série de responsabilidades. Depois do anúncio da tremenda prosperidade alcançada pelo país nos últimos 12 anos, o mundo inteiro está atento à forma com administra e responde à uma série de assuntos sérios, como a degradação ambiental, o uso ineficiente da energia e a proteção da propriedade intelectual.
"Com uma economia maior também vêm responsabilidades maiores", afirmou Chen Xindong, economista-chefe da companhia BNP Paribas Peregrine Securities. "Após a publicação dos novos dados econômicos, a comunidade internacional terá maiores expectativas a respeito das obrigações de Pequim como um novo ator global". O Escritório Nacional de Estatísticas (ONE) retificou a avaliação do crescimento da atividade econômica de 2004 e forneceu nova informação referente à evolução do crescimento a partir de 1993. Utilizando os dados do censo econômico de 2004, os especialistas não só descobriram a existência de um produto interno bruto adicional de aproximadamente US$ 258 milhões, do qual não se tinha conhecimento, como revelaram um crescimento muito maior nos últimos 12 anos.
Segundo os dados publicados na página da ONE na Internet no dia 9 passado, o aumento do PIB em 2004 foi de 10,1% em lugar dos 9,5% estimado anteriormente. Além disso, entre 1979 e 2004, a economia chinesa cresceu, em média, 9,6% ao ano, ou seja, 0,2% a mais do que havia sido informado inicialmente. A correção do índice de crescimento do PIB em 2004 significa que a economia chinesa é 17% maior do que se pensava. Isto converte a China na sexta maior economia do mundo, à frente de Itália e apenas atrás da Grã-Bretanha e da França. A propósito, a China irá superar a França no final do mês, quando forem divulgados os dados do crescimento econômico de 2005, afirmam os especialistas.
As mudanças na informação econômica foram o resultado da realização da primeira pesquisa econômica nacional de toda história do país, da qual participaram mais de 10 milhões de coletores de dados e especialistas em estatísticas. Outras realidades econômicas reveladas pelo estudo indicam que o setor de serviços teve um papel muito maior do que se acreditava inicialmente, um dado que para os economistas é sinal de maturidade e de que a economia está deixando para trás a etapa da produção industrial pesada que dependia de planejamento centralizado. A ONE admitiu que os métodos antes utilizados para medir o crescimento da atividade econômica foi um legado do planejamento estatal, inclinado a enfatizar em demasia o setor industrial e não dar a devida atenção ao valor dos serviços. Assim, o crescimento do PIB foi subestimado por mais de uma década, afirma a ONE.
"As correções dissipam uma das principais preocupações sobre a sustentabilidade do rápido crescimento chinês porque o acompanhamento da evolução da economia mostra que este não é excessivamente dependente dos investimentos", disse Tao Dong, analista do Credit Suisse First Boston Securities. A participação do setor de serviços no PIB de 2004 aumentou de 31,9% para 49,7%, informou a ONE, sugerindo com isto que a estrutura da economia chinesa está ficando mais balanceada, isto é, que o crescimento depende cada vez mais do consumo privado e dos investimentos fixos. Entretanto, mesmo com os investimentos se tornando menos importantes em seu conjunto, ainda representam 45% do PIB chinês, o que continua sendo alto.
Além disso, este item continuará crescendo devido às dificuldades que se apresentam na hora de diminuir ou bloquear projetos de investimentos nos quais embarcaram muitos governos locais partidários de um crescimento econômico alto a qualquer preço em lugar de um crescimento de qualidade, preferido pelo governo central. Isto significa que Pequim deverá suportar novos desafios causados pelo crescimento rápido do investimento, como a degradação ambiental e um brutal aumento dos preços da energia. Os economistas concordam que a revisão do PIB terá pouco impacto nas prioridades econômicas do governo central para este ano: a redução da brecha na renda entre ricos e pobres com vistas à harmonia social e a minimização do prejuízo ambiental produzido por anos de crescimento descontrolado.
"O PIB é um reflexo do poder econômico de um país, mas não resolve os problemas de distribuição da renda", disse o analista econômico Fan Wenzhong, da empresa Lehman Brother Securities Ásia. "O governo sabe que deve incentivar o consumo em relação aos investimentos, mas somente é possível aumentando o nível de vida das massas", acrescentou. A nova política para melhorar o desenvolvimento de vastas zonas rurais muito pobres pode fazer com que Pequim resista às pressões de seus sócios ocidentais para que valorize a moeda nacional. A China valorizou o yuan em 2,1% em julho passado, mas o mercado continua apostando em uma valorização maior, enquanto os Estados Unidos continuam afirmando que a moeda chinesa está muito desvalorizada e dá aos produtos desse país vantagens injustas no intercâmbio mundial.
Uma moeda mais forte minaria as tentativas do governo chinês de tornar mais eqüitativa a renda e melhorar o nível de vida no campo. Apenas uma pequena valorização do yuan afetaria os pequenos agricultores, muito vulneráveis à competição estrangeira pelas dimensões de suas propriedades e sua baixa produtividade. Em uma tentativa de frear as especulações sobre a política monetária, um alto economista do governo afirmou não ser provável que a China mexa na moeda este ano. "É improvável que o yuan seja valorizado de maneira significativa em 2006", disse nos primeiros dias de janeiro o analista financeiro Ba Shusong, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Conselho de Estado, segundo o serviço de informação financeira Shanghai Securities News. (IPS/Envolverde)

