Omã: Observação de cetáceos também implica riscos

Mascate, 10/01/2006 – Os mares de Omã abrigam 20 das 81 espécies de cetáceos conhecidas no mundo, mas o auge das expedições turísticas de observação desses animais em seu hábitat constitui um novo risco para sua sobrevivência. Os cetáceos são grupos de mamíferos marinhos que incluem as baleias, os golfinhos e marsopas. Os turistas ficam fascinados com a observação de graciosos golfinhos ou baleias que saem à superfície nas claras águas azuis da costa de Omã.

"Depois de quase uma hora navegando, tínhamos perdido toda esperança de ver algo, e muito menos golfinhos. De repente, ali estavam, saltando e brincando. Foi uma das imagens mais belas que já vi", contou Bhuvana, uma turista de Dubai. "Havia centenas deles. Nosso barco foi rodeado por corpos brilhantes que davam piruetas. A cada segundo um grande número saltava, roçando o ar com água. Foi espantoso", acrescentou, encantada. Enquanto os turistas se maravilham com este tipo de espetáculo, os conservacionistas se preocupam com a velocidade com que a observação de cetáceos se transforma em uma importante indústria deste país do Oriente Médio com limitados recursos petrolíferos.

"Apesar de estarem localizadas dentro do trópico, as águas de Omã experimentam correntes de água muito fria e rica em nutrientes, o que faz seu entorno marinho ser muito mais produtivo do que a maioria das regiões tropicais. Existe uma abundante fonte de alimentos para muitas espécies de baleias e delfins, daí a grande quantidade desses animais", explicou a especialista Gianna Minton, da Organização para a Pesquisa de Baleias e Golfinhos de Omã, que faz parte da Sociedade Ambientalista desse país (ESO).

Os fáceis avistamentos e o crescente número de operadores turísticos geram preocupações sobre as ameaças para a conservação desses belos mamíferos. Existem organizações dedicadas à preservação, como a ESO, que promove viagens de ecoturismo, que servem tanto a turistas quanto a conservacionistas, mas os operadores comerciais freqüentemente ignoram as orientações de segurança e as advertências referentes à preservação. "Temos as reservas (turísticas) completas, especialmente durante os meses de inverno. Tentamos recordar todas as indicações, porém é comum serem esquecidas por causa da pressa", disse Ahmed, um agente de turismo.

Ultimamente, o turismo se converteu em uma das principais indústrias de Omã. As autoridades revalorizaram o imenso potencial econômico de sua bela paisagem, suas majestosas fortalezas, suas praias arenosas e pouco profundas, seu deserto intimidador e suas colinas ondulantes. Segundo o subsecretário de Turismo, Salem Al-Muaameri, o turismo representa 1% do produto interno bruto, e espera-se que em 2020 constitua entre 3% e 5%, e que mais de um milhão de turistas visitem o país por ano. A maior parte dos turistas procede da Grã-Bretanha, seguidos dos alemães, franceses e italianos.

Observar baleias e golfinhos é uma das principais atrações, e Omã tem o potencial de atrair boa parte dos ganhos anuais globais do negócio de observação, estimado em US$ 317 milhões e em quatro milhões de pessoas em todo o mundo, que se aventuram ao mar apenas para apreciar as brincadeiras destes mamíferos. O governos e vários especialistas regionais e internacionais formulam várias medidas para garantir que estas espécies não sejam ameaçadas pela crescente atividade turística. A organização de Minton pesquisou por muitos anos as baleias e os golfinhos em Omã, e trabalha lado a lado com o governo para garantir que as descobertas deste estudo se traduzam em uma ação que vise a conservação. Com parte de suas atribuições, a organização também pode atuar em um esforço mais amplo para proteger os recursos naturais do país e tentar a conscientização ambiental.

"As baleias e os golfinhos suportam muitas das mesmas ameaças que no resto do mundo, como ficar preso em artefatos de pesca; perder o hábitat ou sofrer a degradação do mesmo pelo desenvolvimento costeiro; contaminação e exploração petrolíferas, e os distúrbios causados pelo tráfego de embarcações de transporte, recreação e ecoturismo", disse Minton. "Não há medidas formais para proteger as baleias e os golfinhos e, mais além de uma proibição da caça direta e de várias leis de proteção marinha, a organização e a ESO trabalham para impulsionar o desenvolvimento de tais normas", acrescentou. O governo também tenta reduzir o número de baleias e golfinhos presos acidentalmente em redes de pesca todos os anos. Uma equipe de mergulhadores voluntários está em alerta 24 horas por dia para agir em caso de animais em perigo.

Omã teve importante papel para deter a caça internacional de baleias, e é o único país da Península Arábica membro da Comissão Baleeira Internacional. Também apóia firmemente a não-governamental União Mundial para a Natureza (UICN) e aplica a proibição global à caça e matança desses mamíferos. A maioria dos avistamentos ocorre bem perto de terra firme, facilitando o trabalho dos operadores de turismo. Os pescadores costumam seguir as embarcações de turistas e são recompensados com a pesca do atum, vendido a preços altos no mercado local. Os golfinhos são habitualmente mais fáceis de serem encontrados do que as baleias, já que tendem a nadar em grupos maiores e saem à superfície com maior freqüência.

"Na medida em que a indústria cresce, os operadores de turismo necessitarão ter especial cuidado com a proteção dos recursos que exploram. Alguns podem ser tentados a fazer com que os golfinhos saltem ou a se aproximar das baleias para que movimentem a cauda ou as barbatanas, ignorando que tais exibições são, na realidade, sinais de advertência ou de algum incômodo", explicou Minton. "Os turistas que participam destas visitas podem contribuir inconscientemente para o assédio a baleias e golfinhos. Se estas práticas forem ampliadas, podem forçar os animais a se afastarem das áreas onde são facilmente avistados, e, em última instância, as empresas de turismo estarão destruindo seu próprio negócio", ressaltou a especialista. (IPS/Envolverde)

Meena S Janardhan

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