População: A Grã-Bretanha pararia sem imigrantes ilegais

Londres, 18/01/2006 – A economia e os serviços públicos da Grã-Bretanha entrariam em colapso sem os imigrantes que entraram ilegalmente no país, afirmam diversos especialistas. "O Serviço Nacional de Saúde fecharia amanhã. Ninguém poderia receber assistência médica. Com muitas escolas aconteceria o mesmo. Tampouco haveria transporte em microônibus", disse à IPS o diretor-executivo da Fundação Africana para o Desenvolvimento, Chukwu-Emeka Chikezie. "Ninguém limparia os escritórios, porque boa parte da limpeza cabe a empregados africanos, latino-americanos e de outras origens. Então, não haveria muitos bens e serviços. Basicamente, Londres pararia", acrescentou.

E o governo sabe disso, garantiu Chikezie. "Os políticos sabem que a economia depende dos imigrantes irregulares. Mas naturalmente se trata de uma questão politicamente delicada", acrescentou, afirmando que, os governos causam confusão ao não reconhecerem a contribuição dos imigrantes ilegais. "As empresas dependem muito desse trabalho. Portanto, ocupam uma zona cinzenta e não falam à população da importância deste trabalho irregular para a economia e para o modo de vida ao qual as pessoas estão acostumadas", disse Chikezie.

Os imigrantes ilegais – ou pessoas com status irregular, como muitos preferem dizer – não dilapidam recursos do Estado, ao contrário, contribuem com este, disse Khalid Koser, analista da Comissão Mundial sobre Migrações Internacionais, organismo independente criado pela Organização das Nações Unidas. "Existe uma concepção equivocada de que os imigrantes chegam, vivem dos recursos do Estado e ocupam empregos", disse Koser à IPS. "É claro que isso não é verdade. Creio que a maioria das pessoas que vêm para cá o faz porque querem trabalhar, melhorar suas vidas, e realizam tarefas essenciais. Devolvê-los aos seus países causaria uma brecha no mercado de trabalho", afirmou.

Para Koser, a visão oficial é hipócrita. "Por um lado, o governo diz que são irregulares e quer deportá-los. Por outro, sabem muito bem que precisamos dessa gente", afirmou. Do ponto de vista da economia britânica, "não podemos mandá-los de volta. É difícil fazê-lo. Não sabemos quem são, onde estão. Em segundo lugar, precisamos de seu trabalho. Sabemos que estão aqui. Então, por que não permitimos que trabalhem regularmente? Me parece escandaloso agirmos assim", afirmou. O governo britânico estuda a criação de um documento de identidade para controlar a imigração ilegal. Mas poucos especialistas acreditam que um sistema desse tipo sejam bem sucedido.

"Fiz alguns trabalhos sobre tráfico de seres humanos desde o Paquistão, e me parece que essa gente tem muitos recursos", disse Koser. "Se introduzirem documentos de identidade, suspeito que serão feitas falsificações bastante boas em Karachi". O governo deve reconhecer que, simplesmente, não pode deportar os imigrantes ilegais, disse à IPS Sarah Spencer, diretora de Pesquisas Políticas do Centro sobre Migração e População da Universidade de Oxford. "Não é realista prender todos e mandá-los de volta aos seus países. Precisamos pensar em mecanismos para regularizar alguns cujo status é irregular", afirmou. A maioria dos imigrantes ilegais não chega ao litoral britânico depois de uma viagem perigosa por mar, afirmou Spencer.

"A crença generalizada é a de que muitos chegam em botes e durante a noite, mas na realidade viajam em condições perfeitamente legais para trabalhar, assistir a um casamento ou estudar, e permanecem no país além do tempo permitido por seus vistos porque é relativamente simples mover-se dentro do mercado de trabalho", explicou Spencer. Os imigrantes ilegais que chegam dessa maneira são vários milhares por ano, acrescentou. Para Koser, "fazer uma estimativa é perigoso porque a mídia britânica as recebem como uma espécie de evidência. Alguns sugerem que chegam cem mil pessoas irregularmente na Grã-Bretanha por ano, mas provavelmente essa seja a estimativa máxima", concluiu. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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