Mulheres: Mais presença, menos notícias

Londres, 16/02/2006 – Cada vez mais mulheres trabalham em noticiários de rádio e televisão em todo o mundo, mas somente um quinto das notícias são sobre seus problemas e interesses, revela um estudo da Associação Mundial para uma Comunicação Cristã (WACC). "O que vemos nos noticiários é que, apesar de as mulheres representarem 52% da população mundial, apenas 21% dos temas abordados se referem a elas", disse à IPS a ativista Annan Turley, da WACC. Entretanto, o estudo da organização também conclui que o número de mulheres por trás das notícias continua aumentando. "É animador quando constatamos um sustentado aumento no número de notícias lidas por mulheres", que passaram de 31% para 37% entre 2000 e 2005, acrescentou.

O Projeto de Vigilância Global da Mídia foi elaborado com base nas quase 13 mil notícias divulgadas no dia 16 de fevereiro de 2005 em 76 países. Este estudo é feito desde 1995 pela WACC, organização não-governamental que trabalha por mudanças sociais através das comunicações. Entretanto, o número de notícias relacionadas com as mulheres entre 2000 e 2005 permaneceu praticamente inalterado. Isto parece indicar que, embora haja mais mulheres nos noticiários, ainda escrevem sobre homens. "Creio que essa é uma possível conclusão, embora tudo indique que no trabalho de uma jornalista existam mais possibilidades de serem abordados temas sobre mulheres", disse Turley.

Por outro lado, dentro desses 21% de notícias, as mulheres aparecem não pelas melhores razões. "É mais fácil encontrá-las no que se conhece como final suave das notícias, com as notas sobre celebridades, temas sociais ou legais. Estão menos presentes nas informações sobre política e economia, que naturalmente constituem a grande parte dos noticiários", acrescentou a ativista. Ao comparar os diferentes meios de comunicação "descobrimos que a imprensa está bem defasada em relação ao rádio e a televisão", ressaltou. Apenas 29% dos jornalistas dos órgãos escritos são mulheres, enquanto a média em todo o jornalismo é de 37%.

Na televisão, as mulheres superam os homens. O informe da WACC conclui que 58% dos jornalistas dos noticiários de TV dos 76 países estudados eram mulheres. Mas isto não necessariamente agrada a WACC. "O que constatamos foi que o número de mulheres com menos de 35 anos na televisão é muito grande. Isto, naturalmente, sugere que a aparência física e a idade são os critérios para escolher mulheres jornalistas", disse Turley. A organização também descobriu que esta situação é semelhante em países tão diferentes quanto Grã-Bretanha e Zimbábue.

O estudo também mostra que os temas sobre mulheres estão menos presentes nos noticiários de rádio, com apenas 17% das notícias, contra 22% nos jornais da televisão e 21% nos jornais impressos. Além disso, cerca de 86% das mulheres dos porta-vozes consultados pelos jornalistas são homens, enquanto o número de mulheres duplica quando se trata de vítimas de violência ou de acidentes. As jornalistas têm mais possibilidades de serem enviadas para cobrir assuntos "leves", e somente 10% das notas publicadas têm uma mulher como tema central.

A WACC também indica que somente 3% das notícias desafiam os estereótipos de gênero, enquanto 6% os apóiam. Mas este desequilíbrio pode ser ainda pior do que sugere o estudo. "Creio que a pesquisa esteve muito baseada na situação urbana, pois é nas cidades que as mulheres têm mais possibilidades de trabalharem na mídia", disse à IPS o jornalista Arul Aram, do jornal indiano The Hindu. "Nas zonas rurais, as mulheres ainda não aparecem", acrescentou. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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