Desenvolvimento-Ásia: Curta expectativa de vida

Bangcoc, 16/03/2006 – Os habitantes dos 50 países mais pobres do mundo têm uma esperança de vida de apenas 50 anos, enquanto os sistemas de segurança social do Norte industrial enfrentam dificuldades pelo envelhecimento de sua população. "Isto é muito perturbador, em uma época de boas oportunidades e programas médicos que podem salvar vidas", disse à IPS Anwarul Chowdhury, subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas para os países menos avançados (PMA). Chowdhury participou esta semana em Bangcoc de uma conferência para encontrar mecanismos de incentivo ao desenvolvimento dos 14 PMA da Ásia e do Pacífico. Em contraste com os países mais pobres entre os pobres, a expectativa de vida ao nascer no Japão, o país mais rico da Ásia, é de 82 anos. Para que os PMA da Ásia e do Pacífico alcancem os Objetivos das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Milênio sobre redução da mortalidade infantil e materna "é necessário vincular a expectativa de vida a melhores serviços de saúde reprodutiva", disse o subsecretário. Especialistas da ONU identificaram três fatores que conspiram contra um maior tempo de vida nos PMA: serviços inadequados de saúde reprodutiva, desnutrição generalizada (que aumenta a mortalidade de menores de 5 anos) e a propagação da aids.

O primeiro-ministro do Laos, Bounhang Vorachith, advertiu na conferência de Bangcoc que "a mortalidade materna e infantil continuam altas em comparação com outros países da região", enquanto a "aids e outras doenças, como a malária, persistem como uma séria ameaça à vida". Os Objetivos do Milênio, estabelecidos em 2000 por 189 chefes de Estado e de governo reunidos na sede da ONU em Nova York, incluem com primeiros dois pontos reduzir pela metade a proporção da população pobre e faminta do mundo até 2015, em relação à de 1990.

Entre outras metas também constam educação primária universal, promover a igualdade de gênero, reduzir a mortalidade infantil em dois terços e a materna em três quartos, combater a expansão do HIV/aids, da malária e de outras doenças. Além disso, os líderes mundiais se comprometeram a garantir a sustentabilidade ambiental e gerar uma sociedade global para o desenvolvimento entre Norte e Sul. Alguns dos 50 países identificados pela ONU como PMA tinham "há 10 anos uma expectativa de vida de 35 anos", afirmou Chowdhury na capital tailandesa. Diversos informes e discursos feitos na reunião apresentaram diversas estratégias para combater as perturbadoras estatísticas.

"Há três milhões de mortes infantis anuais a menos" do que há 15 anos, período no qual "a expectativa de vida nos países em desenvolvimento aumentou dois anos", disse o secretário-executivo do Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Capitalização, Richard Weingarten. A expectativa de vida no Afeganistão – o PMA da região com piores estatísticas nesse sentido – é de 41 anos para homens e 43 para mulheres, informou em Bangcoc Aynul Hasan, da Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia e o Pacífico (Escap). Os outros PMA asiáticos com baixa expectativa de vida são Birmânia, Camboja, Laos e Timor Leste, com cerca de 55 anos para os homens e pouco mais de 60 para as mulheres.

Os demais PMA da Ásia e do Pacífico são Bangladesh, Butão, Kiribati, Maldivas, Nepal, Samoa, Ilhas Salomão, Tuvalu e Vanuatu. Em Bangladesh, o mais povoado destes países, com 143 milhões de habitantes, a expectativa de vida para os homens é de 63 anos e de 62 para as mulheres. O último Informe sobre Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), de 2005, indica que o gasto público em saúde na Birmânia é de apenas 0,4% do produto interno bruto, no Laos é de 1,5% do PIB e no Nepal de 1,4%.

Segundo o Pnud, a baixa expectativa ao nascer e as dificuldades para cumprir outros cinco objetivos do milênio constituem grandes obstáculos para que esses 14 países cumpram as metas estabelecidas para 2015. Afeganistão, Birmânia, Camboja, Kiribati, Timor Leste e Tuvalu têm "um ritmo lento de avanços" em matéria de Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, indica outro estudo do Pnud, intitulado "Vozes dos PMA da Ásia-Pacífico". "As atuais tendências indicam que aproximadamente dois milhões de menores de 5 anos morreram em 2015 nos PMA da região", acrescenta o estudo. "No Camboja, a mortalidade infantil aumentou de 80 para 96 em cada mil nascidos vivos entre 1990 e 2002. Se a tendência for mantida, 311 mil meninos e meninas morrerão em seu primeiro ano de vida em 2015", adverte o documento. (IPS/Envolverde)

Marwaan Macan-Markar

Marwaan Macan-Markar is a Sri Lankan journalist who covered the South Asian nation's ethnic conflict for local newspapers before joining IPS in 1999. He was first posted as a correspondent at the agency's world desk in Mexico City and has since been based in Bangkok, covering Southeast Asia. He has reported from over 15 countries, writing from the frontlines of insurgencies, political upheavals, human rights violations, peace talks, natural disasters, climate change, economic development, new diseases such as bird flu and emerging trends in Islam, among other current issues.

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