EUA: Quem respeita Bush?

Washington, 01/03/2006 – Quase dois terços dos norte-americanos ouvidos na última pesquisa sobre Assuntos Internacionais feita pelo Instituto Gallup consideram que o presidente George W. Bush não é uma figura respeitada por seus pares do resto do mundo. Apenas um terço dos entrevistados disseram acreditar que os líderes mundiais "respeitam" Bush, enquanto 63% responderam que "não o respeitam muito". Trata-se de uma pesquisa periódica do Gallup e que nesta oportunidade mostrou o pior resultado para o presidente norte-americano nessa área desde sua primeira posse há cinco anos. Também marca uma queda estrepitosa desde seu momento de melhor desempenho, em fevereiro de 2002, pouco depois de Washington ter orquestrado a saída do movimento islâmico Talibã, à frente de uma coalizão internacional. Três de cada quatro entrevistados consideraram, então, que o presidente era respeitado por seus pares estrangeiros. O Gallup estimou que o público norte-americano já era bastante céptico sobre o respeito do mundo em relação a Bush até que ocorreram os atentados que deixaram três mil mortos em Nova York e Washington, no dia 11 de setembro de 2001. Em seus primeiros seis meses de governo – iniciado em 20 de janeiro de 2001 – apenas 45% dos entrevistados pelo Gallup consideravam que ele era um líder mundial respeitado. Mas depois dos atentados, a opinião pública se alinhou ao seu lado. De todo modo, tudo foi por água abaixo desde fevereiro de 2002.

A nova pesquisa, feita por telefone com 1.002 adultos, entre 6 e 9 de fevereiro, concluiu que apenas 43% dos pesquisados expressam satisfação com a imagem atual dos Estados Unidos perante o mundo. Essa porcentagem chegava a 71% depois da queda do Talibã e a 69% durante a invasão do Iraque, em abril de 2003. Em um sinal do que pode ocorrer no futuro, o novo estudo indica que, pela primeira vez desde que Bush assumiu a presidência, o Irã é o país mais apontado como principal inimigo dos Estados Unidos (quase um terço dos entrevistados), seguido, de longe, por Iraque (22%), Coréia do Norte (15%) e China (10%).

Nas pesquisas anteriores sobre Assuntos Internacionais feitas pelo Gallup, em 2001 e 2005, o Irã estava em terceiro lugar, atrás de Iraque e China, no primeiro caso, e do Iraque e da Coréia do Norte, no segundo. A subida do Irã no ranking de inimigos ocorre em meio a um aumento da tensão entre Teerã e Washington em torno do programa nuclear iraquiano e de uma série de declarações polêmicas do presidente Mahmoud Ahmedinejad. Uma pesquisa semelhante feita no mês passado pelo Centro de Pesquisas Pew para o Povo e a Imprensa, apresentou resultados similares.

O estudo, junto com outro do Gallup para a rede de televisão CNN e o jornal USA Today, entre 9 e 12 de fevereiro, oferece uma evidência sobre a desilusão do público norte-americano com a condução que Bush apresenta na política externa. Em sua última pesquisa, o Instituto Gallup detectou que 55% dos entrevistados acreditam que Washington cometeu um erro ao enviar tropas ao Iraque. Mas essa rejeição teve, na realidade, seu pico em setembro, depois do furacão Katrina no golfo do México, com 59%. O analista do Gallup Jeffrey Jones, disse, em um artigo que acompanhava o resultado da pesquisa, que entre os seis grandes conflitos bélicos em que os Estados Unidos se envolveram desde a Segunda Guerra Mundial, encerrada em 1945, só a guerra do Vietnã causou tanta oposição pública quando ainda estava em curso.

Em duas pesquisas feitas durante essa guerra – em 1971, quando Washington havia decidido pela retirada, e em 1973, às vésperas da assinatura do Acordo de Paz de Paris – cerca de 60% dos entrevistados afirmaram que o confronto bélico era um "erro". A última pesquisa também indica que o público está mais pessimista do que nunca quanto à guerra: apenas 31% dos entrevistados consideraram que os Estados Unidos e seus aliados estão ganhando a guerra.

Tais conclusões são particularmente preocupantes para o governo, cujos principais porta-vozes enfrentam as crescentes demandas de retirada do Iraque, particularmente depois do atentado contra a mesquita Dourada em Samarra, que desatou uma onda de violência sem precedentes entre as comunidades religiosas xiita e sunita. Se o Iraque afundar em uma guerra civil, a administração Bush estará submetida a uma pressão sem precedentes para a retirada. Além disso, o presidente tem dificuldades para manter as tropas no Iraque, pois cada vez custa mais conseguir consenso dos legisladores de seu Partido Republicano e, menos ainda, dentro do opositor Partido Democrata.

Bush é questionado por apoiar a compra de uma empresa operadora portuária britânica por parte de uma firma estatal dos Emirados Árabes Unidos, que daria ao país árabe o controle de seis grandes portos dos Estados Unidos, e a um polêmico acordo de assistência nuclear com a Índia. Os assessores de Bush acreditavam em melhorar sua imagem como líder mundial com a viagem desta semana à Índia e ao Paquistão. Mas a pesquisa Gallup mostra que essas aspirações eram desproporcionadas. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *