Nações Unidas, 13/03/2006 – As mortes por sarampo no mundo caíram quase pela metade entre 1999 e 2004, com a maior redução se registrando na África subsaariana, informou a Organização Mundial da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O sarampo é a doença que pode ser prevenida com uso de vacina que mais mata meninos e meninas no mundo, particularmente os menores de 5 anos dos países do Sul em desenvolvimento com serviços sanitários inadequados. A enfermidade foi quase completamente eliminada na América do Norte e América do Sul, e agora cerca da metade das mortes causadas pelo sarampo ocorrem na África. Mas como resultado das campanhas nacionais de imunização, as mortes em todo o mundo caíram de 871 mil, em 1999, para 454 mil em 2004, uma drástica redução de 48%. "Isto é um destacável êxito de saúde pública", afirmou o diretor-geral da OMS, Lee Jong-Wook, em um comunicado divulgado na semana passada. Embora ainda não existam estimativas sobre as mortes do ano passado, o documento diz que, "se o progresso mundial seguiu o ritmo dos últimos anos é provável atingir a meta de reduzir a mortalidade até 2005". O sarampo, uma infecção respiratória contagiosa causada por vírus, pode derivar em incapacidades, incluindo danos no cérebro e cegueira.
Embora exista uma vacina de proteção desde 1960, cuja dose custa menos de um dólar, em 2002 a doença fez mais de 40% das 4,1 milhões de mortes anuais por doenças que podem ser prevenidas com vacina. As desigualdades entre os países no acesso a vacinas fazem com que o sarampo se concentre nos mais pobres e marginalizados, disse a diretora-executiva do Unicef, Ann Veneman. "O sarampo é a doença que mais mata crianças no mundo em desenvolvimento, mas não deveria ser. Somente duas doses de uma vacina disponível, barata e segura podem prevenir a maioria das mortes, se não todas", afirmou. Para reduzir a mortalidade e ampliar a cobertura de imunização a OMS e o Unicef desenvolveram o Plano Estratégico Global Contra o Sarampo para o período 2001-2005.
Este programa estabeleceu como meta reduzir pela metade as mortes pela doença até 2005, em relação aos níveis de 1999. A estratégia, dirigida aos 45 países mais afetados, incluiu campanhas maciças de imunização, vacinações rotineiras, melhor vigilância da doença e tratamento dos doentes com vitamina A.Também concede uma segunda oportunidade de vacinação a todas as crianças. A maior redução da enfermidade aconteceu na África subsaariana, a região mais afligida, onde os casos de contágio e morte diminuíram 59%, passando de 530 mil para 216 mil.
Os progressos na Ásia meridional, onde o sarampo diminuiu 23%, foram mais lentos porque "vários grandes países não haviam iniciado suas atividades suplementares de imunização até o final de 2004", diz o relatório. A proporção de países que oferecem uma segunda oportunidade de vacinação também aumentou, bem como o número de nações que reportam oficialmente a doença, passando de 166, em 1999, para 174 em 2003. Entretanto, "ainda são necessários urgentes investimentos para fortalecer a vigilância da enfermidade e registrar os índices de mortalidade em muitos países em desenvolvimento", destaca o documento. Índia, Nigéria e Paquistão são alguns dos países com maior número de casos de sarampo.
Um importante fator por trás da redução dessa enfermidade é a Iniciativa Sarampo, campanha iniciada pela Cruz Vermelha Norte-americana, pelos Centros dos Estados Unidos para o Controle da Enfermidade, do Unicef e da OMS, entre outras organizações. A iniciativa apoiou planos de vacinação em mais de 40 países africanos, arrecadou fundos e agora expandiu seu apoio técnico e financeiro às nações da Ásia meridional para fortalecer seu compromisso político e social na luta contra a doença. "O compromisso dos governos continua sendo um dos mais importantes fatores na eliminação da doença. A América Latina foi a primeira região a erradicar a enfermidade porque os governos se comprometeram com os planos de imunização", disse à IPS Erica Kochi, do Unicef.
Obter maior compromisso político também será um dos grandes desafios da segunda fase da luta: a Estratégia e Visão Mundial de Imunização, uma proposta da OMS e do Unicef para o período 2006-1015. A nova meta é reduzir em 90% a mortalidade por sarampo até 2010 em relação ao índice de 2000. O plano inclui quatro objetivos estratégicos: proteger mais pessoas, introduzir novas vacinas e tecnologias, integrar as imunizações a outros planos sanitários e apoiar os programas nacionais de vacinação em um contexto de interdependência mundial. (IPS/Envolverde)

