Genebra, 13/04/2006 – O comércio mundial pode crescer 7% este ano, sustentado pelo fortalecimento da confiança e pelas perspectivas de que a economia mundial continue se consolidando, prevê a Organização Mundial do Comércio. O comportamento das taxas de crescimento do comércio em 2006 será ligeiramente superior ao de 2005, quando aumentaram 6%, mas, significativamente, os dois períodos ficarão abaixo do nível alcançado em 2004, que foi de 9%, observou Patrick Low, economista-chefe da OMC. O caminho seguido pela expansão do comércio mostrou um ano destacado em 2004, embora no final desse período já fossem evidentes os sinais de declínio. Em conseqüência, 2005 foi mais fraco, afirmou o especialista.
A concretização das previsões para este ano dependerá de o comércio mundial conseguir vencer os riscos prováveis, com novos aumentos do preço do petróleo, "um fator que não podemos ignorar", advertiu Low. Também podem influir o aumento das taxas de juros e o rumo que tomarem os desequilíbrios mundiais. A pergunta é quando se reverterá a atual tendência crescente desses desequilíbrios, disseram os economistas da OMC. A esse respeito, o informe sobre "O Comércio Mundial em 2005 e Perspectivas para 2006", divulgado na terça-feira, voltou a mencionar, como em anos anteriores, os "consideráveis déficits da balança comercial (bens) e em conta corrente (bens e serviços)" dos Estados Unidos.
Esses desequilíbrios, que os Estados Unidos já apresentavam em 2004, se agravaram no ano seguinte, diz o documento. O déficit comercial norte-americano de bens e serviços equivale a pouco menos de 6% do produto interno bruto (PIB) do país. Também representou cerca de 6% das exportações mundiais de mercadorias e serviços comerciais, diz o informe. Embora a desaceleração do comércio mundial de 2005 tenha afetado a maioria das regiões, as reduções mais acentuadas aconteceram na Europa, Ásia e nos Estados Unidos. Por outro lado, um forte crescimento das exportações foi registrado na China, com alta de 25%, e na América do Sul e Central, com aproximadamente 10%.
Quanto à evolução dos preços, um dos dados mais destacados do ano passado foi a forte alta dos combustíveis e metais, de 38% e 20%, respectivamente. Low chamou a atenção para o volume significativo desses aumentos. Por outro lado, os preços da maioria dos produtos agrícolas e das manufaturas industriais só cresceram moderadamente, entre 2% e 3%. Contudo, 2005 representou um marco interessante porque pela primeira vez a participação dos países em desenvolvimento como grupo nas exportações de manufaturas superou um terço do total mundial.
Um exame por setores, baseado em dados ainda preliminares, demonstra que os combustíveis e os minerais aumentaram sua participação de maneira destacada. Já os produtos agrícolas tiveram uma cota menor, com um comportamento de sinal oposto, mas também notável. O desempenho do ferro, do aço e de produtos químicos superou a média. Os produtos eletrônicos, um dos setores tradicionalmente mais dinâmicos no comércio, apenas compartilharam em 2005 a média do restante das manufaturas, sem recuperar os índices de expansão de anos anteriores.
Outro dado destacado pelo informe foi o movimento registrado pelo comércio de têxteis e vestuário, inferior à média dos demais bens durante 2005, precisamente o ano em que se materializou a liberalização do setor, que até então estava submetido a um regime de cotas. Michael Singer, outro economista da OMC, explicou que os preços dos têxteis estiveram paralisados nesse ano e, inclusive, caíram em algumas regiões. No item comércio de serviços, Ásia, América do Sul, América Central e Comunidade de Estados Independentes (CEI, que inclui algumas das ex-nações soviéticas) apresentaram os maiores crescimentos.
A Europa teve o crescimento mais fraco de todas as regiões. Inclusive a Grã-Bretanha, maior exportadora de serviços da área européia, registrou uma queda da taxa de crescimento em 2005. Os Estados Unidos expandiram seu intercâmbio de serviços em 10%, um pouco menos da média mundial. China, Índia e Brasil foram os países que nesse ano tiveram as altas mais sustentáveis no comércio de serviços, em termos de exportação. Uma cifra em desuso para a região veio em 2005 do continente africano, onde os países produtores de petróleo registraram um aumento de aproximadamente 45% em suas exportações.
Essas margens foram possíveis porque combinaram seus aumentos de produção com os aumentos de preços. Por outro lado, as exportações das nações africanos não produtoras de petróleo aumentaram somente 12%. Apesar das fraquezas, reconhecidas pelo documento da OMC, o ano passado fechou com uma marca sem precedentes, pois o valor total das mercadorias comercializadas em todo o mundo ultrapassou os US$ 10 trilhões. A alta foi de 13%, inferior aos 21% registrados em 2004. Quanto ao comércio de serviços, seu valor chegou, em 2005, a US$ 2,4 trilhões, com aumento de 11%. Em 2004, os serviços haviam aumentando 19%. (IPS/Envolverde)

