Roma, 10/04/2006 – A Casa das Liberdades, coalizão de partidos de centro-direita, governou em uma das fases mais difíceis da vida italiana. Nesse caminho enfrentou as conseqüências do mais dramático atentado jamais registrado em um só dia. O 11 de Setembro afetou alguns dos indicadores fundamentais da economia mundial. As bolsas foram capazes de se recuperar da crise em um prazo relativamente curto, demonstrando o extraordinário potencial do mundo livre e democrático. Mas também é certo que desde então o preço do petróleo triplicou.
Mas as conseqüências destes fatos – seguidos pelos atentados de Madri, Londres, Bali e Sharm el-Sheik – não podem ser sentidas apenas pelos indicadores econômicos. Nestes anos estouraram todas as contradições de nosso tempo. Propagaram-se temores e incertezas. Guerras sucederam-se. No Afeganistão, no Iraque, dois regimes ditatoriais brutais e obscurantistas foram abatidos. O retorno destes dois povos à autodeterminação está sendo cumprido através de um roteiro dramático do qual a Itália quis participar, assumindo com coragem a responsabilidade de uma missão de paz que está dando seus frutos concretos. Tenho a certeza de que nossa coalizão poderá reivindicar este empenho como uma de suas opções mais justas e previdentes.
A Itália é uma das maiores potências industriais. Por sua capacidade produtiva, sua riqueza patrimonial e sua cultura, por seu legado artístico e natural e pela vitalidade de suas tradições locais. Mas não podemos negar as dificuldades que está enfrentando, no contexto de uma fase nada florescente da economia européia. Desde 1996, data que não por casualidade coincide com o início do começo de centro-esquerda, a Itália está reduzindo grandemente sua participação no comércio mundial.
Entretanto, ninguém pode sustentar que a situação atual do país seja a mesma que herdamos em 2001 do centro-esquerda. Estão à vista as raízes de um país mais moderno e avançado que a Casa das Liberdades plantou nesta legislatura com intervenções de longo alento. Podemos reivindicar com orgulho o fio condutor que nos inspirou: dar prioridade às necessidades de todos antes dos interesses de poucos; tutelar o país em seu conjunto: rechaçar até onde foi possível a idéia de uma ação legislativa sugerida por pressões individuais ou por grupos de interesses. Um dos objetivos que a Itália se fixou foi alcançado: o respeito dos parâmetros de Maastricht e o ingresso no primeiro grupo de países da área do euro. Mas o outro objetivo, a liberalização dos mercados, não se realizou.
As sirenes que invocam a volta ao passado cativaram alguns setores da esquerda. Nós, por outro lado, estamos decididos a avançar, pois sabemos que só a existência de mercados competitivos estimula as empresas e transmite um estímulo determinante em termos de eficiência e abertura do sistema industrial à internacionalização. Por sua vez, a liberalização exige reduzir os custos dos serviços. É precisamente esta a meta que perseguimos e que tem o impacto mais benéfico na qualidade de vida dos cidadãos.
A Casa das Liberdades lançou um grande projeto de modernização da educação para dar às famílias mais opções, mais liberdade e maior qualidade. Hoje, nas escolas públicas e privadas nossos filhos podem diversificar seus itinerários de formação, podem estudar antes e melhor os idiomas estrangeiros e podem encontrar nas atividades extracurriculares novos instrumentos de socialização e crescimento pessoal.
O coração estratégico de nossa idéia de Itália é a família. A taxa de natalidade em nosso país é o mais baixo da Europa, com exceção da Alemanha. Esse dado expressa um mal-estar profundo e confirma a sensação de que o nascimento de um filho não é vivido com a alegria que nenhum outro evento pode dar. Muitas famílias se vêem obrigadas a negar-se este direito irrenunciável devido aos custos que implica a procriação e as insuficiências da assistência social.
Neste quadro, nosso objetivo estratégico é a introdução do quociente familiar: mais filhos, menos impostos. Com esta medida se combinam nossos conceitos sobre a família e o fisco, sobre a coesão social e o desenvolvimento econômico. Aplicando este modelo – já experimentado com sucesso na França – a economia em impostos por família nunca é inferior a 22%. Um sistema de impostos eqüitativo é um incentivo determinante para que os jovens formem uma família e, também, um poderoso impulso para o crescimento econômico. (IPS/Envolverde)
(*) Pierferdinando Casini é presidente da Câmara de Deputados da Itália e líder da União de Centro Democrático, partido que integra a Casa das Liberdades, coalizão de centro-direita.

