Dia do Meio Ambiente: Potencial dos desertos em perigo

Londres, 06/06/2006 – Só o deserto do Saara pode capturar energia solar suficiente para fornecer toda a eletricidade que o planeta precisa, mas seu potencial está em risco por causa da má administração, alerta um relatório divulgado por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado nesta segunda-feira. "Os desertos são uma grande extensão de terra e têm uma enorme capacidade latente para fornecer muito, muito mais", disse à IPS o vice-diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Shafqat Kakakhel, durante a apresentação em Londres do estudo Global Desert Outlook (Previsão Mundial dos Desertos).

"O informe diz que um parque solar no Saara poderia gerar toda a energia que o planeta necessita. Naturalmente, há muitas complicações, mas o potencial está ali", afirmou Kakakhel. O estudo do Pnuma alerta que os desertos estão em risco devido à má administração dos governos, ao turismo, à mudança climática e, em especial, à acelerada queda dos níveis de água. "Não há dúvidas de que os níveis de água nas reservas subterrâneas de muitos desertos estão diminuindo", acrescentou.

"Entretanto não só os níveis de água nas reservas, mas também nos rios que atravessam os desertos e são desviados para serem utilizados em outros lugares (para irrigação), bem como as geleiras que derretem já que fornecem um pouco de água agora, mas quando desaparecem é como fechar a torneira. Na verdade, a água diminuiu dos dois lados", acrescentou o vice-diretor do Pnuma. O relatório faz uma clara distinção entre os desertos e a desertificação.

"Não devemos confundir a desertificação, referente às terras áridas que estão sendo degradadas, com os desertos, ágeis e únicos ecossistemas com uma grande diversidade de plantas e espécies. São duas questões em separado", destacou Kakakhel. Por sua vez, Andrew Warren, professor de geografia no University College London e um dos autores do informe, disse que, no geral, há maior preocupação com o que se conhece como desertificação do que propriamente com os desertos.

A desertificação "não é um grande problema. A questão é o que ocorre nos próprios desertos, que são ecossistemas muito sensíveis e vastos, e são lar de 500 milhões de pessoas. Não se trata, necessariamente, de desertos que se propagam. O problema são as coisas que se agravam dentro do próprio deserto", explicou. O perigo da queda dos níveis de água já está sobre nós, alertou Warren. "O Paquistão está sob uma séria ameaça de escassez de água, enquanto o maior lago no deserto norte-americano do Colorado está secando. Isso está acontecendo agora, e, provavelmente, ficará pior", acrescentou. Parte desta degradação é conseqüência da atividade humana. Os desertos são cada vez mais usados como zonas de treinamento militar ou para instalação de prisões ou, ainda, centros para refugiados.

Tais intrusões fazem com que muitas pessoas ingressem nas zonas desérticas, gerando importante renda e melhorando a infra-estrutura, mas deixando seqüelas no meio ambiente, particularmente no tocante à água, já que aumenta o consumo, diz o informe do Pnuma. "Em um mundo inseguro e competitivo, este tipo de investimento continuará, e, inclusive, aumentará", diz o documento. Até 2050, o crescimento populacional e o uso ineficiente da água levarão alguns países para além do limite de seus recursos hídricos, particularmente Chade, Iraque, Níger e Síria.

Em algumas áreas, os recursos renováveis, de água estarão seriamente ameaçados até 2025. Entre eles se destacam os rios Gariep, na África meridional; Grande e Colorado, na América do Norte; Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, e Amu Darya e Indus, na Ásia central. "Uma administração melhor dos recursos de água será o grande desafio para o futuro dos desertos", diz o relatório. Por outro lado, o trabalho do Pnud destaca iniciativas como a instalação de centros para cultivo de peixes e camarões nos desertos do Arizona (EUA) e de Negev (Israel). "Estas empresas oferecem novos meios de sustento ambientalmente amigáveis para os habitantes locais", diz o informe. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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