Washington, 16/06/2006 – A imagem dos Estados Unidos na Europa ocidental e em países islâmicos aliados de Washington é cada vez mais negativa, enquanto cresce a percepção de que a invasão do Iraque tornou o mundo "mais perigoso". O apoio à "guerra mundial contra o terrorismo" também diminuiu, enquanto a imagem dos Estados Unidos e de seu presidente, George W. Bush, estão em seu nível mais baixo, segundo pesquisas feitas com cerca de 17 mil pessoas em 14 países pelo Centro Pew de Pesquisas para o Público e a Imprensa (PGAP). Em 12 desses países, desde maiorias de 44% dos entrevistados (como China e Rússia) até 76% (na França) disseram que a guerra no Iraque deixou o mundo "mais perigoso". As únicas exceções foram Índia e Nigéria, onde cerca de 41% dos consultados afirmaram que o mundo está hoje "mais seguro". Além destas nações, a pesquisa também foi realizada, entre abril e maio em quatro Estados ocidentais (Alemanha, Espanha, França e Grã-Bretanha), cinco de maioria muçulmana (Egito, Indonésia, Jordânia, Paquistão e Turquia) e em potências como China, Japão e Rússia.
Este estudo, que cobriu uma ampla gama de temas, incluindo opiniões sobre o aquecimento do planeta, a gripe aviária e o conflito palestino-israelense, foi o quarto de uma série de pesquisas anuais elaboradas pelo PGAP desde 2002. Pouco depois da invasão do Iraque, em março de 2003, as pesquisas revelaram uma contundente queda na imagem de Bush e dos Estados Unidos, sobretudo entre seus aliados na Europa e no mundo islâmico. Na França, por exemplo, a proporção de entrevistados com opinião favorável aos Estados Unidos caiu de 63% em 2002 para 43% no ano seguinte, enquanto na Indonésia passou de 61% para 15% no mesmo período, e na Jordânia de 25% para apenas 1%.
Em 2004, a queda continuou em poucos países, mas na maioria a imagem de Washington pareceu se recuperar levemente em meados do ano, e ainda mais no primeiro trimestre de 2005. Nessa oportunidade, a porcentagem de russos com uma opinião favorável em relação aos Estados Unidos havia aumentado de 36% logo após a guerra no Iraque para 52%, enquanto na Indonésia subiu para 38% e na Jordânia para 21%. Entretanto, a última pesquisa, divulgada na terça-feira, mostra uma nova deterioração da imagem dos Estados Unidos apesar dos explícitos esforços do governo, sobretudo por parte da secretária de Estado, Condoleezza Rice, enfatizando a diplomacia multilateral acima das ações unilaterais.
As quedas foram especialmente fortes na Espanha, onde a proporção de entrevistados com uma visão favorável dos Estados Unidos diminuiu de 41% para 23%, enquanto na Rússia baixou de 52% para 43%, na Indonésia de 38% para 30%, na Jordânia de 21% para 15%, na Turquia de 23% para 12%, e na Índia de 71% para 56%. Os únicos países onde a imagem de Washington parece continuar seu processo de recuperação foi a China, onde a opinião favorável passou de 42% para 47%, e Paquistão, onde subiu de 23% para 27%.
No caso paquistanês, sem dúvida, a melhora foi impulsionada pela ajuda do governo Bush ás vítimas do terremoto de outubro de 2005 na província de Caxemira. A imagem dos Estados Unidos na Indonésia também melhorou notoriamente devido à assistência às vítimas do maremoto no oceano Índico em dezembro de 2004, mas caiu no ano seguinte. A nova deterioração da imagem internacional de Washington se deve, em especial, à crescente oposição à ocupação do Iraque e à "guerra mundial contra o terrorismo".
A maioria dos consultados em 10 dos 14 países disse que o mundo ficou "mais perigoso" depois da invasão do Iraque, em 2003, e em todas as nações onde foi feita a pesquisa menos duas (Alemanha e Japão) predomina a idéia de que "a presença norte-americana no Iraque" constitui uma ameaça maior à paz mundial do que as ambições nucleares da Coréia do Norte. Inclusive no maior aliado de Washington, a Grã-Bretanha, a maioria dos consultados considerou a presença norte-americana no Iraque um perigo maior do que o plano de desenvolvimento nuclear do Irã. O mesmo foi registrado em países islâmicos como Jordânia e Paquistão.
Entretanto, a administração Bush pode se consolar com os resultados da pesquisa sobre a imagem do Irã, principalmente na visão européia. A oposição ao plano de desenvolvimento nuclear iraniano é esmagadora, de 82% a 95% na Europa, Japão e Rússia, até 60% e dois terços dos pesquisados na Índia, Nigéria, Turquia e Indonésia. Estes resultados coincidiram com os de uma pesquisa feita em 33 países e divulgada pela rede britânica BBC em janeiro, segundo a qual, das potências emergentes do planeta, somente o Irã é vista de forma mais negativa do que os Estados Unidos. (IPS/Envolverde)

