Havana, 14/06/2006 – Uma localidade incomunicável, cidades e campos inundados, colheitas prejudicadas e casas destruídas são o saldo da passagem por cuba da tempestade tropical Alberto, a primeira de temporada de ciclones iniciada este mês com previsões de que será muito intensa. Mais de 25 mil pessoas foram evacuadas somente na província ocidental de Pinar del Río e no município Ilha da Juventude, a sudeste de Havana, segundo fontes oficiais citadas por um sistema de informação do Escritório do Coordenador Residente do Sistema da Organização das Nações Unidas em Cuba.
Não se tem notícia de mortes. Os informes preliminares tampouco citam números totais do prejuízo na economia do país ou da população, mas se sabe que as chuvas causaram, pelo menos, 28 desabamentos na capital do país, a maioria parcial, e que podem chegar a 50 na região afetada. "Em Pinar del Río calcula-se em cerca de 13 mil os hectares de cultivo que ainda estão debaixo d?água. Na Ilha da Juventude são 260 hectares inundados", afirmou o encarregado de imprensa do escritório da ONU, Alberto de Pérez, que considerou positivo o fato de "o ocidente cubano ter sido capaz de represar milhões de toneladas de água".
As inundações lembram outras semelhantes provocadas em 1982 por uma tempestade tropical de mesmo nome. As chuvas já duram cinco dias e o perigo das inundações pode persistir enquanto a tempestade se afasta. Em Paso Real (em Pinar del Río) choveu 103 milímetros em uma hora. Crocodilo, uma comunidade de aproximadamente 300 pessoas ao sul da Ilha da Juventude, permanece isolada por terra, embora tenha acesso a serviços médicos de emergência, segundo fontes oficiais.
Gabriel Pinto, morador em Nova Gerona, uma das zonas baixas da mais importante cidade da Ilha da Juventude, disse à imprensa nacional que é a primeira vez em 30 anos que a água entra em sua casa e chega a 20 centímetros de altura. Ao meio-dia de terça-feira, a tempestade Alberto se movimentava a 15 quilômetros por hora e ventos máximos de 100 km/h. Mais de 20 mil pessoas receberam ordem de abandonar suas casas nesse Estado do sul, segundo a imprensa.
"Pode-se esperar inundações costeiras por ondas ciclônicas de cinco a sete pés acima dos níveis normais da maré, principalmente a leste e sul", anunciou um boletim do Centro Nacional de Furacões de Miami, ao sul da Flórida. A tempestade, que poderia enfraquecer em território norte-americano e não chegar à categoria de furacão, não atingiu território cubano, mas afetou Cuba desde o final da semana passada, durante seu deslocamento pelo estreito de Yucatán e o golfo do México.
As chuvas que acompanham a tempestade afetaram três províncias do ocidente cubano e a Ilha da Juventude e coincidiram com um forte tornado no povoado de Palo Seco, no município de Nueva Paz, e fortes precipitações em várias províncias do oriente do país. O tornado açoitou o local na noite do último domingo e em apenas alguns segundos danificou 52 casas, quatro totalmente destruídas. "Foi rapidíssimo e violentíssimo. Estava dentro de casa e senti uma forte pressão. Quando consegui abrir a janela, já se podia ouvir os gritos", contou uma moradora de Palo Seco a uma rádio local.
Este é o quarto fenômeno natural deste tipo que afeta esta região de Cuba. "Nenhum foi como este, e moro aqui há 42 anos", afirmou Sofia Martinez, moradora do povoado. Por outro lado, várias províncias do leste de Cuba, severamente afetadas pela seca nos últimos anos, se beneficiam com as persistentes chuvas desde o último dia 5. As chuvas também atingiram Jamaica, Haiti, República Dominicana e Porto Rico. Segundo a Direção de Recursos Hidráulicos de Santiago em Cuba, a 800 quilômetros da capital, as represas acumulavam mais de 676 milímetros de água no último fim de semana, ou 98% de sua capacidade.
"Pela primeira vez em anos, as vacas começaram a dar leite suficiente. Os campos começaram a ficar verdes novamente e a pecuária parece estar se recuperando", disse por telefone à IPS, Ileana Sánchez, moradora em Camagüey, uma das mais importantes regiões pecuaristas da ilha, a 540 quilômetros de Havana. O Centro de Previsões do Instituto Cubano de Meteorologia prevê uma temporada de ciclones muito intensa para este ano. Pelo menos 15 tempestades tropicais podem ser formar até 30 de novembro e nove delas se transformar em furacões quando seus ventos atingirem 118 Km/h. Na temporada passada houve um recorde nos registros meteorológicos, com 27 tempestades tropicais, das quais 15 chegaram à categoria de furacão. (IPS/Envolverde)

