MAISANE, Botswana, 01/06/2006 – Aos 75 anos, Maokaneng Makolong já viu muita coisa, mas há duas coisas que nunca há de sequecer. A primeira coisa foi em setembro de 2002, quando o juíz lhe disse: "Vai ser pendurado até morrer."
Makolong, um curandeiro dedicado a curar doentes e e restaurar a vida, foi acusado de acabar com uma vida.
"Quando ouvi a sentence, eu pensei que fosse uma piada. Eu fique estupificado,” disse ele numa entrevista da sua aldeia de Maisane, 20 kilómetros de Lobatse, onde está o supremo trbunal.
A segunda coisa foi no dia 25 de Julho 2005, quando um outro juíz o libertou. Depois de passar dez meses na cadeia ele foi absolvido e libertado da pena de morte.
"Quando os guardas da cadeia me levaram a um autocarro disseram me a voltar a casa, eu pensei que estivesse a sonhar," ele disse.
Makolong queria suicidar se mas os guardas preveniram-no. "Pensava que seria melhor morrer em vez de experimentar o que tive que suportar”, ele disse tentando controlar as emoções.
"Não conseguia dormir, e até fiquei doente com a alta tensão arterial e passei duas semanas no hospital. Mesmo quando estava no hospital houve guardas com armas.
Makolong embora parece muito saudável e forte, negando a sua idade, não quer falar da sua experiência. Bebe algumas latas de Castle Lager antes de se sentar por debaixo de um árvore para que falarmos. Algumas pessoas interromperam-nos querendo ouvir esta historia curiosa. Os primeiros dias de volta eram terríveis para ele. Alucinava e despertava cada vez que um cão ladrava.
Maisane é uma aldeia pequena, com um pouco mais de mil pessoas. Quase toda a gente na aldeia conhece Makolong e sabe a sua historia. "Eu amo as pessoas aqui. Ninguém me castiga e sendo curandeiro, muitas pessoas vêm ver me de todo o país. Ninguém diz nada (sobre o caso). Tudo acabou aí na cadeia,," disse ele.
Ele compartilhou a pequena cela com mais quatro condenandos a morte, inclusive o Lehlohonolo Kobedi, um Sulafricao negro acusado do assassino de um sargento de polícia. Também estava com o Douglas Simon, com quem tinha sido acusado pelo assassino do George Chabe.
Chabe morreu do envenenamento de malaquite, um medicamento tóxico, que, segundo o Estado, Makalong deu ao Simon. Ao longo do processo Makolong insistía que deu Simon dois outras ervas tradicionais, Thonya e Maleko.
Cada dia começava mal por estes condenados a morte, porque cada amanhecer poderia ser o ultimo. A cela foi pequena e houve pouco a fazer, se não pensar da morte iminente. De vez em quando ouvia se outras vozes de fora, mas de resto era só o som de silêncio, oração, hinos, e lamentos.
Ao pôr do sol, “começavamos e orar e chorar”, disse ele, confessando as nossas fraquezas.
Ao contrário dos outros presos, os condenandos a morte sempre tinham comida, qualquer comida que queriam. Também água quente a qualquer hora de dia e noite.
O dia 18 de Julho, 2003 foi um terrível. A madrugada, um deles, Lehlohonolo Kobedi, foi pendurado. Segundo Makolong, tudo parecia escuro naquele dia.
"Eu fiquei frio, sem nenhuma esperança”, ele diz.
Uma semana depois da execução do Kobedi, o Makolong foi absolvido do assassino, mas isto não foi o destino dos outros condenados.
O Douglas Simon, Gouwane Tsae e Joseph Makhobo –foram pendurados no dia 19 de setembro, 2003.
39 condenados foram executadas na Botswana desde a sua independência em 1966. As execuções estão realisadas logo depois do julgamento por isso há poucos condenados que passam muito tempo na cadeia. É um dos 35 países africanos que retêm e usam a pena de morte. Antes de estar preso, Makolong admete que nunca tinha pensado na pena de morte.
"Eu próprio vi a pena de morte," ele disse mostrando muito dor na cara. “É terrível, eu acho que o governo deve encontrar uma outra maneira de punir – e que não é a pena de morte (END/2006)

