Bruxelas, 06/10/2006 – A União Européia lançou uma iniciativa para o Oriente Médio em duas frentes, colaborando com a retirada dos civis estrangeiros no Líbano afetados pelos bombardeios de Israel e ajudando trabalhadores palestinos da área da saúde. A comissão Européia, órgão executivo do bloco, destinou US$ 14 milhões para ajudar a remoção para seus respectivos países de aproximadamente 10 mil cidadãos de nações em desenvolvimento que se encontram em território libanês. A decisão é uma resposta a um pedido feito por vários países do Sul em desenvolvimento que não têm meios para retirar seus nacionais. No início do conflito entre Israel e o movimento islâmico xiita Hezbollah (Partido de Deus), há duas semanas, havia no Líbano entre 100 mil e 200 mil estrangeiros de países em desenvolvimento. Os maiores grupos são de Bangladesh, Etiópia, Filipinas e Sri Lanka. Também há gente de Gana, Nepal, Vietnã e de alguns países da Europa oriental e Rússia. A maioria dos estrangeiros já foi evacuada através da Síria, Jordânia e do Chipre, países com pouca capacidade para atendê-los antes que regressem aos seus respectivos países. Como o número de estrangeiros no Líbano é muito alto, a Comissão Européia prevê que cada vez mais pessoas deverão ser retiradas. Isto significará uma importante carga para os países vizinhos.
A UE espera que sua iniciativa, ao apoiar as nações de trânsito em seus esforços para atender as necessidades básicas dos que são evacuados, reduza significativamente o efeito desestabilizador na região e garanta que as rotas de saúde permaneçam abertas para futuras retiradas. O programa terá a colaboração da Organização Internacional para as Migrações, e será financiado pelo Mecanismo de Reação Rápida, fundo criado pela UE especialmente para o Líbano. A Comissão Européia também estuda destinar parte das reservas de emergência do orçamento do bloco para planos humanitários adicionais. Como para isso precisa da autorização do Parlamento Europeu e do Conselho de ministros, a Comissão trabalha contra o relógio para enviar uma solicitação a esses organismos.
Os fundos, administrados pelo Departamento de Ajuda Humanitária da comissão, serão empregados em uma ampla gama de atividades de assistência, incluindo o abastecimento dos refugiados e cuidados médicos. “No Líbano, do ponto de vista humanitário, presenciamos uma trágica espiral. Temos uma crise com grandes necessidades a serem cobertas”, disse o comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária da UE, Louis Michel. Espera-se que também colaborem na iniciativa o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, várias agências humanitárias da Organização das Nações Unidas e outros grupos não-governamentais que já estão trabalhando no Líbano.
A Comissão também anunciou que avança em seu plano para pagar cerca de 13 mil trabalhadores da saúde palestinos. Devido a uma profunda crise financeira, os funcionários públicos da Autoridade Nacional Palestina (ANP), entre eles médicos e enfermeiros, não recebem seus salários há cinco meses. A doação européia foi anunciada na quinta-feira pela comissária de Relações Exteriores da União Européia, Benita Ferrero-Waldner, durante uma visita a Gaza. Embora os fundos do bloco não garantam um pagamento regular de salários, permitirão que esses profissionais continuem, no curto prazo, dando assistência aos civis afetados pela ofensiva israelense nessa região.
A União Européia colaborou com a ANP fornecendo geradores para hospitais, bombas de água e centrais para tratamento de água, depois que Israel destruiu seis transformadores da principal usina de energia em Gaza. As doações de combustíveis feitas pelo bloco permitem o funcionamento de serviços essenciais para mais de 90 mil pacientes e o aceso à água potável de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas, disse a Comissão. “Pagando os trabalhadores sociais da primeira linha, estamos assegurando que os serviços essenciais continuem funcionando. Isto é um benefício direto para a população palestina”, disse Ferrero-Waldner. (IPS/Envolverde)

