Aids: Ativistas confiam em compromissos de países ricos

Moscou, 06/10/2006 – “É hora de os líderes do G-8 Oito apoiarem a sociedade civil junto às agências multilaterais”, para combater a pandemia de aids no mundo, afirmou o ativista Joost van der Meer, concordando com organizações não-governamentais. Os governos ricos devem tomar iniciativas “para implementar estratégias que respondam às necessidades dos mais marginalizados e de pessoas vulneráveis, como viciados em drogas, trabalhadores do sexo e presos”, disse à IPS Van der Meer, diretor-executivo da Fundação contra a Aids Leste-Oeste (Afew), em comentário enviado por correio eletrônico.A Afew e a organização Sócios Transatlânticos contra a Aids (TPAA) manifestaram-se esperançosos a respeito do futuro apoio á luta contra essa doença por parte dos países-membros do G-8, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia. Essas duas organizações não-governamentais dedicadas a atender portadores do HIV (vírus da deficiência imunológica humana, causador da aids) na Rússia e na região da Ásia central recomendaram aos países mais industrializados que tratem desta pandemia e outras enfermidades.

Os líderes do G-8, que se reuniram no último dia 17 na cidade russa de São Petersburgo, devem contribuir para a erradicação do estigma e a discriminação contra as pessoas com aids (síndrome da deficiência imunológica adquirida), especialmente levantando as restrições de viagem, e trabalhar junto à sociedade civil, afirmou Van der Meer. “É necessário que o G-8 impulsione energicamente os acordos de livre comércio que levem em conta as necessidades de saúde pública e deixem de restringir o acesso a medicamentos essenciais”, acrescentou.

Por sua vez, o presidente da TPAA, John Tedstrom, disse à IPS que a Rússia, de longe o país com produto interno bruto por habitante mais baixo de todos os integrantes do G-8, realiza significativos investimentos em saúde pública, o que se reflete nos aumentos do orçamento federal destinado à luta contra a aids. Entre 2005 e este ano, Moscou aumentou o orçamento para essa causa em 20 vezes, que, em 2007, será duplicado. “Os resultados da cúpula do G-8 foram menos animadores do que em anos anteriores, mas isto é um reflexo principalmente de assuntos prioritários, como segurança energética, paz no Oriente Médio e sua guerra contra o terrorismo”, disse Van der Meer.

Mas “a luta contra a aids passa por uma fase de consolidação a respeito de compromissos prévios, promessas e iniciativas”, assegurou o ativista. “Creio que a cúpula perdeu a oportunidade de colocar o assunto da aids na Eurásia em um lugar estratégico de sua agenda”, disse Tedstrom. “A epidemia na China, Índia e Rússia, em especial, requer mais atenção dos governos nacionais e da comunidade internacional”, acrescentou. Os líderes do G-8 renovaram seu compromisso de cumprir as promessas feitas nas cúpulas anteriores no sentido de reverter a propagação do HIV, através do Fundo Mundial da Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária.

Os membros do G-8 reiteraram em uma declaração conjunta que os compromissos seriam cumpridos, embora “mobilizando o apoio ao Fundo” e “continuarão buscando, na medida de suas possibilidades, o acesso universal ao tratamento contra o HIV/aids para todos que precisam, até 2010”. O documento estabelece “a promoção de um enfoque balanceado e global para abordar o HIV/aids, que inclui prevenção, tratamento e assistência; aumentar o apoio para tratar as crescentes taxas de novas infecções pelo vírus entre os jovens, especialmente meninas e mulheres.

Os países ricos também se comprometem na “participação contínua de todos os sócios relevantes, incluindo a sociedade civil, o setor privado e pessoas com HIV/aids, nas atividades para tratar esta pandemia e reduzir o estigma e a discriminação contra as pessoas enfermas”. Em outro trecho da declaração, prometem “apoiar a implementação contínua de estratégias de prevenção global, baseadas em evidências, e o desenvolvimento de novos métodos inovadores, tal como microbicidas; e vacinas contra doenças que aumentam o risco de transmissão do HIV; facilitar o acesso à prevenção, ao tratamento e aos cuidados para os segmentos mais vulneráveis da população”.

“Consolidar os sistemas de cuidados sanitários dos países pobres através da contratação, capacitação e emprego de trabalhadores do setor público e privado, e aumentar a consciência pública a respeito da ameaça existente em todos os países afetados”, é outro ponto da declaração. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse após a cúpula que “foram tomadas decisões significativas na luta contra as doenças infecciosas e pretendemos trabalhar profundamente para impulsionar os esforços internacionais no sentido de prevenir e conter a propagação das epidemias”. (IPS/Envolverde)

Kester Kenn Klomegah

Kester Kenn Klomegah is the IPS Moscow correspondent. He covers politics, human rights issues, foreign policy and ethnic minority problems. His research interests include Russian area studies and Russian culture. Kester has worked for several years with the Moscow Times. He has studied social philosophy and religion and spent a year at the Moscow State Institute of International Relations. He is co-author of ‘AIDS/HIV and Men: Taking Risk or Taking Responsibility’ published by the London-based Panos Institute. In 2004, he was awarded the Golden Word Prize for excellence in journalism by the Russian Media Union, a non-governmental media organisation in Moscow.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *