EUA: Diminui a fé em intervenções militares

Washington, 08/10/2006 – Cinco anos depois dos devastadores atentados terroristas de Nova York e Washington, a opinião pública norte-americana se mostra menos entusiasmada com as intervenções militares no exterior, segundo uma nova pesquisa divulgada às vésperas do aniversário dos ataques. O estudo, feito pelo independente Centro de Pesquisas Pew para a População e a Imprensa, concluiu que os simpatizantes do governante Partido Republicano continuam sendo mais partidários das ofensivas militares no exterior do que os do opositor Partido Democrata e os independentes, os quais acreditam que os Estados Unidos perderam respeito no mundo durante os últimos anos.

As pesquisa, feita com mais de 1,5 mil adultos selecionados ao acaso, também descobriu que 46% dos consultados consideram que o apoio de Washington a Israel é a “principal razão” do aumento do sentimento antinorte-americano em todo o mundo, um incremento significativo desde a última pesquisa, feita há dez meses. É revelador que essa idéia também seja, em proporções similares, tanto dos democratas quanto dos republicanos, apesar de em outros temas sobre relações internacionais demonstrarem importantes diferenças.

O estudo foi feito entre os dias 9 e 13 de agosto, antes da entrada em vigor do cessar-fogo que pôs fim à guerra entre Israel e o movimento xiita Hezbollah (Partido de Deus) e no momento em que havia uma grande pressão da comunidade internacional para que Washington persuadisse o governo israelense a deter os bombardeios no Líbano. A divulgação do estudo coincidiu com a de uma segunda pesquisa apresenta quarta-feira pela rede de televisão CNN, que revelou um crescente ceticismo sobre as afirmações da administração de George W. Bush de que os Estados Unidos estão conseguindo progressos no Iraque e de que a ocupação desse país tem a ver com uma “guerra mundial contra o terrorismo” lançada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Somente um em quatro entrevistados nesta pesquisa, feita entre 30 de agosto e 2 de setembro, disseram acreditar que Washington e seus aliados ganhariam essa guerra, contra 13% que disseram que os rebeldes iraquianos estavam prevalecendo e 62% que afirmaram que o conflito estava paralisado. Apesar das repetidas e cada vez mais freqüentes declarações de Bush de que a guerra no Iraque se converteu na “frente central” da “guerra contra o terrorismo”, 53% dos consultados disseram que se tratava de uma “ação militar completamente separada” da campanha internacional contra as redes terroristas.

Cinqüenta e oito por cento disseram ser contra a operação nesse país do Oriente Médio, contra 39% que afirmaram apoiá-la, uma margem que não mudou substancialmente nos últimos meses. A descoberta mais interessante da pesquisa Pew parecer ser o crescente desencanto do público norte-americano com as intervenções militares no exterior. Quarenta e cinco por cento dos pesquisados disseram acreditar que a forma mais efetiva de reduzir a ameaça de ataques terroristas nos Estados Unidos é “diminuir”, em lugar de “aumentar”, a presença militar no exterior.

O Centro Pew indicou que os resultados da pesquisa revelam uma “mudança total” da opinião pública a respeito do primeiro aniversário dos atentados de 11 de setembro. Na época, 48% disseram que as operações militares era a melhor forma de se proteger de futuros ataques, enquanto 29% afirmavam que era preciso reduzir tais intervenções. Na última pesquisa, 43% dos consultados afirmaram que “os ataques militares” contra nações que tentavam desenvolver armas de destruição em massa eram uma forma muito importante de reduzir o terrorismo.

A nova pesquisa também revela um desejo geral de reduzir as intrusões dos Estados Unidos no Oriente Médio. No estudo feito há quatro anos, quando foi pedido aos entrevistados que identificassem o que consideravam muito importante para reduzir o terrorismo, 58% responderam o ataque a instalações nucleares no estrangeiro. Mas na última pesquisa, 67% destacaram a importância de diminuir a dependência do petróleo do Oriente Médio. O aumento do que alguns chamam de sentimento isolacionista se refletiu também em outra pesquisa do Centro Pew e do Conselho de Relações Exteriores de novembro de 2005.

Nesse estudo, 42% dos consultados disseram que Washington deveria “se preocupar com seus próprios assuntos e deixar outros países fazerem o melhor que podem com os seus”, contra 30% que haviam tomado essa posição em dezembro de 2002. Democratas e independentes respondem por grande parte destas mudanças. No verão de 2002, por exemplo, a maioria favorecia um aumento da presença militar no exterior. Agora, apóiam a redução das operações no estrangeiro pela margem de três para um. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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