Berkeley, EUA, 06/10/2006 – De forma paralela ao aumento da influência política da direita cristã nos Estados Unidos nas duas últimas décadas, também cresceu o apoio a Israel. Organizações de evangélicos conservadores e líderes judeus coletaram milhões de dólares para a causa israelense nos últimos anos. Agora, um novo grupo prevê conquistar significativa presença em qualquer debate político que envolva a “Terra Santa”. Na semana retrasada, enquanto aumentava no Líbano o conflito entre Israel e o movimento islâmico Hezbollah (Partido de Deus), o grupo Cristãos Unidos por Israel (Cufi, sigla em inglês) realizava em Washington sua primeira reunião. Esta organização foi criada há menos de seis meses pelo pastor televisivo John C. Hagee, da Igreja da Pedra Angular de Santo Antônio, no Estado do Texas, e autor do livro “Jerusalem Countdown (Jerusalém, contagem regressiva). Mais de 3,4 mil delegados de todo país participaram da reunião inaugural. O Cufi iniciou o encontro do último dia 19 com um banquete sob o lema “Uma noite para honrar Israel”, no salão principal do hotel Washington Hilton. A reunião atraiu um grande número de destacados líderes políticos e israelenses.
Entre eles estavam o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Daniel Ayalon, o ex-chefe do Estado Maior das forças israelenses, Moshe Yaalon, e o presidente do Comitê Nacional do governante Partido Republicano, Ken Mehlman. Segundo uma informação do site Israpundit, na ocasião Hagee leu saudações enviadas pelo presidente George W. Bush e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. “Deus abençoe e esteja ao lado do povo de Israel, e deu abençoe os Estados Unidos”, teria dito Bush em sua mensagem. Por sua vez, Olmert elogiou o Cufi por sua “firme posição neste tempo de crise”, bem como por seu reconhecimento do bíblico “direito de nascer” do Estado de Israel.
No dia seguinte, Hagee disse em uma concorrida entrevista coletiva: “Devemos unir as pontas. Não é apenas terrorismo, é fascismo islâmico. Todas as coisas que estamos vendo ao redor do mundo não são simplesmente zonas quentes isoladas, mas parte de um único tema: a guerra contra a civilização ocidental”. A coletiva foi seguida por uma visita ao Congresso para promover o novo grupo entre os legisladores. O Cufi não objetiva apenas ganhar presença visível em centenas de cidades dos 50 Estados norte-americanos, mas também, recrutar seguidores para fazer lobby a favor de Israel.
Além disso, o grupo pretende criar uma rede de “Resposta Rápida a Israel” que, através de correio eletrônico, fax e telefone procure se fazer ouvir perante as autoridades dos Estados Unidos. Para passar do planejamento à ação, Hagee escolheu David Brog, uma pessoa com acesso a Washington, para ser o diretor-executivo do Cufi. A contratação de Brog, de origem judia, ex-chefe de secretaria do senador republicano Arlen Spencer e autor do livro “Standing with Israel: Why Christians Support the Jewish State” (Ao lado de Israel: Por que os cristãos apóiam o Estado de Israel?), foi uma decisão politicamente astuta.
Em uma recente entrevista, Brog disse “admirar” Hagee e explicou porque, sendo judeu conservador, estava disposto a trabalhar com uma organização cristã. “Creio que isto é o mais importante que posso fazer, não só por Israel, mas pela civilização judia-cristã de hoje, que é ameaçada pelo radicalismo islâmico”. No prefácio de seu livro, Brog apresenta suas credenciais, destacando que não é “um judeu messiânico (convertido ao cristianismo) nem um judeu por Jesus”, e deixa claro que ainda mantém a fé de seus “ancestrais”.
Enquanto muitos dentro da comunidade judia apreciam o apoio dos evangélicos, outros o vêem com receio, já que não esquecem que estes ainda pregam sua missão de converter os judeus ao cristianismo e que, em suas crenças relacionadas com os últimos tempos, Israel ocupa um lugar central. Em um comunicado de imprensa divulgado pelo Institute for Public Accuracy, o pastor Donald Wagner, professor da Universidade de North Park, em Chicago, e membro-fundador do Instituto para o Estudo do Sionismo Cristão, destacou que os cristãos vêem “o moderno Estado de Israel como o cumprimento da profecia bíblica, e, portanto, lhe dão apoio político, financeiro e religioso”. Wagner disse, ainda, que muitos cristãos sionistas podem interpretar o atual conflito no Líbano como um “prelúdio da batalha de Amargedom e do cenário do fim dos tempos”. (IPS/Envolverde) (*) Bill Berkowitz é um destacado observador do movimento conservador norte-americano. Publica periodicamente a coluna Conservative Watch na revista eletrônica WorkingForChange.org.

