Beirute, 06/10/2006 – O contínuo bombardeio israelense contra o sul do Líbano apenas teria fortalecido o movimento islâmico Hezbollah (Partido de Deus), e, em especial, seu carismático líder, o xeque Hassan Nasrallah. Ao longo dos anos, o grupo conquistou apoio entre a população libanesa graças, principalmente, à prestação de serviços sociais, assumindo projetos de infra-estrutura e atendendo as necessidades de seus seguidores.“Estes bombardeios mostram a verdadeira força de Israel. Estive antes com o Hezbollah, e, agora, quero unir-me a eles outra vez para lutar contra os israelenses, que somente querem nossa terra e atacar o Islã”, disse á IPS um jovem em um acampamento para refugiados, instalado em um parque da capital libanesa. Um membro do Hezbollah encarregado de um grupo de combatentes no sul de Beirute assegurou que o apoio popular ao grupo cresceu drasticamente desde que Israel começou a bombardear o Líbano, há duas semanas, em resposta ao seqüestro de dois de seus soldados. “As pessoas estão assustadas, e agora as estamos protegendo e ajudando a atender os refugiados vítimas desta agressão sionista. Quanto mais dura for a luta, mais apoio ganharemos. Estamos nos preparando para lutar até o fim”, disse à IPS.
O apoio ao Hezbollah parece ser mais forte entre os jovens, e, inclusive, aumenta entre os cristãos. Ramzi Semaan, um cristão de 21 anos, disse à IPS que o movimento estava defendendo seu país. “O Hezbollah está ajudando a defender o Líbano dos sionistas”, acrescentou. Entretanto, a maior parte da população cristã parece responsabilizar este grupo islâmico pelo que está acontecendo. Dos 3,8 milhões de libaneses, 60% são muçulmanos, em sua maioria do ramo xiita, e a maior parte dos 40% restantes seguem a religião cristã. A grande maioria da população xiita obedece cada palavra de Nasrallah.
Entretanto, muitos dos libaneses que vêem o Hezbollah com receio apelam para sua proteção diante dos bombardeios israelenses. A maioria concorda que o grupo é uma importante força política com a qual se deve negociar. É claro que não poderá haver paz neste país deixando o movimento fora do processo. A destruição de infra-estrutura civil é uma das principais razões da crescente fúria popular contra Israel. Os libaneses respondem apoiando o Hezbollah. “Israel está se protegendo porque o Hezbollah lançou seu ataque contra seus soldados. Sua reação é extremamente dura, porque agora destrói nosso país”, disse Fuad Rashed, um cristão de 33 anos proprietário de uma loja de eletrodomésticos.
Por sua vez, Nassan Hanin, cristão, de 50 anos, afirmou que “o Hezbollah se equivocou ao realizar sua operação, e Israel se equivoca agora com esta reação extrema. Estou feliz porque o Hezbollah foi golpeado pelo que fez, mas isto teve um custo muito alto para nós”, acrescentou. Muitos dos que sofreram diretamente a guerra civil libanesa (1975-1990) culpam as duas partes pelo conflito atual. “Apenas podemos acreditar que haja outra guerra. Pensávamos que havia terminado em 1990. Creio que foi um erro o Hezbollah seqüestrar os soldados israelenses, mas este nível de reação, de destruir todo o Líbano, é totalmente injustificado. É uma loucura”, disse à IPS o garçom de um restaurante do distrito de Hamra, em Beirute. (IPS/Envolverde)

