Cuba: Apostas sobre a saúde do comandante Fidel

Havana, 20/11/2006 – As apostas sobre o estado de saúde do presidente de Cuba, Fidel Castro, sua reaparição em público e incorporação real à frente do governo socialista crescem na medida em que se aproxima o dia 2 de dezembro, data escolhida pelo próprio mandatário para festejar seus 80 anos. O adiamento da “festa”, originalmente prevista para acontecer por volta do dia 13 de agosto, aniversário de seu nascimento, foi anunciado por Castro no mesmo “proclama ao povo” no qual informou que havia sido operado de urgência e que, pela primeira vez desde 1959, e “provisoriamente”, passava seus cargos à frente do país ao seu irmão Raúl Castro, ministro das Forças Armadas.

Mais de cem dias depois desse anúncio as opiniões nas ruas de Havana vão de um extremo a outro. Enquanto não falta quem afirma que “sim”, que “Fidel voltará” e “não renunciará e estará” nas comemorações, muitas pessoas se mostram cautelosas depois de terem visto um vídeo transmitido pela televisão nacional no dia 28 de outubro. “Entendo que era preciso provar que estava vivo, mas, não o teria mostrado daquela maneira. Há algo diferente em seu olhar. Será difícil tê-lo de volta como era antes, como estávamos acostumados”, disse Aurélia Comas, integrante de um clube de avós, que se diz “revolucionaria e fidelista por toda a vida”.

No vídeo, Castro se dirige à câmera, lê sentado o jornal do dia, anda em um elevador e caminha sozinho por um corredor, sem apoio, mas, lentamente. Para rebater versões sobre sua morte, o presidente recordou que anterior mente já havia dito que sua recuperação “seria prolongada” e não isenta de “riscos”. Está claro que “a vontade do presidente é maior do que sua atual capacidade física”, disse à IPS Manuel Cuesta Morúa, porta-voz do Arco Progressista, uma coalizão da oposição moderada. “Há gente dizendo que ele não está bem, mas, ninguém sabe realmente. Qualquer coisa pode acontecer… ele é forte”, disse Virgen Gómez, professora de inglês. “Que voltará, voltará”, enfatizou Manuel Agüero, dirigente de um Comitê de Defesa da Revolução, organização de massas que funciona nos bairros.

Na esteira dos otimistas, uma latino-americana radicada em Cuba desde o início da década de 60 suspendeu uma viagem ao exterior por diversas razões, entre elas “não perder” as atividades previstas para o período de 28 deste mês a 2 de dezembro: desfile militar, concerto, exposição e evento teórico sobre a transcendência do pensamento de Castro. “Quero estar aqui no dia em que voltar”, afirmou. Ao confirmar a convocação dos festejos, porta-vozes da Fundação Guayasamín, criada em 1977 para promover a obra do artista plástico equatoriano Oswaldo Guayasamín, asseguraram que “no momento oportuno, em meio do disciplinado processo de recuperação em que se encontra Fidel Castro, ele decidirá a circunstancia em que poderá nos acompanhar em Havana”.

“Se os médicos autorizarem Fidel poderá realizar essa esperada reaparição pública, ao menos em algum dos eventos programados”, disse o deputado e escritor argentino Miguel Bonasso, amigo pessoal do líder da Revolução Cubana. Enquanto funcionários norte-americanos afirmam que Castro sofre de um câncer em estado terminal e, provavelmente, não chegue a 2008, autoridades cubanas divulgam mensagens que evitam os excessos de um lado e de outro: Nem se recupera de todo, nem está tão mal que não possa supervisionar as principais decisões do país.

Nas declarações em Havana à agência norte-americana de notícias AP, o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, afirmou no último dia 6 que a recuperação de Castro avança, embora esclarecendo que ainda não há garantias de que esteja totalmente restabelecido para assistir as comemorações. Segundo a versão jornalística, Roque também disse que o presidente retomará suas funções “quando tiver de ser” e considerou que se trata de um tema sobre o qual não se deve “aventurar” prognósticos. “O importante é que recupere sua saúde, e isso ele está fazendo de maneira séria e tenaz”, ressaltou.

No dia 3 deste mês, o presidente do Parlamento de Cuba, Ricardo Alarcón, havia assegurado que Castro “se recupera mais rápido do que esperávamos, se envolve cada vez mais na atividade política, é consultado sobre muitos assuntos e estão ao par da solução dos problemas que surgem”. Já o vice-presidente, Carlos Lage, se mostrou convencido de que Fidel “se reintegrará às suas tarefas”, em declarações à imprensa em Montevidéu no dia 5 passado, ao participar da XI Cúpula Ibero-americana.

Mas, independente de saber se Castro estará ou não presente às comemorações de seu aniversario, analistas locais estimam que a tranqüilidade vivida no país desde o anúncio de sua doença prova a capacidade do governo de sustentar o poder na ausência de Fidel e tentar manter o continuísmo político. Para Cuesta Morúa, “um retorno de Castro ao poder” em suas plenas capacidades já não seria possível e chegou o momento de tomar uma decisão que signifique a “entrega do poder a quem lhe corresponde juridicamente”, seu irmão Raúl. Somente assim Cuba poderá caminhar para uma “nova época”, afirmou. (IPS/Envolverde)

Dalia Acosta

Dalia Acosta ha sido corresponsal de IPS en Cuba por muchos años. Se graduó en 1987 de la licenciatura en periodismo internacional en el Instituto Estatal de Relaciones Internacionales de Moscú. Trabajó un año en el diario cubano Granma y otros seis en Juventud Rebelde, donde incursionó en el periodismo de investigación sobre mujer, minorías, sida y derechos sexuales. En 1990 recibió el Premio de Periodismo Tina Modotti, y en 1992 el Premio Nacional de Periodismo por un reportaje sobre la comunidad rockera de su país. Empezó a colaborar con IPS en 1990 como parte de un proyecto de comunicación con el Fondo de Población de las Naciones Unidas (UNFPA). Desde 1995 se desempeña como corresponsal en La Habana, y entre 1991 y 2010 trabajó también para el Servicio de Noticias de la Mujer de Latinoamérica y el Caribe (SEMLac).

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