Saúde: Vacina contra a malária pode estar próxima

Bangcoc, 07/12/2006 – A corrida rumo a uma vacina preventiva contra a malária parece avançar a passos largos desde está semana, quando especialistas divulgaram na capital da Tailândia um programa rumo a essa meta. Os arquitetos do chamado “mapa para a tecnologia pela vacina contra a malária” lançaram sua iniciativa nesta quarta-feira, ao fim de uma conferência de três dias. Mas, ao mesmo tempo, exortaram para que não haja um otimismo exagerado. “Sabemos que uma vacina é possível, mas, na realidade, ainda estamos engatinhando e com os olhos fechados. Este é um fracasso da ciência”, disse à IPS o médico Carlos Morel, diretor do Centro para o Desenvolvimento Tecnológico da Saúde, com sede no Rio de Janeiro.

Os obstáculos a este desafio que enfrenta a comunidade médica e científica mundial são atribuídos, em parte, à natureza do parasita que causa a doença, muito diferente dos germens que provocam outras doenças infecciosas. “Até agora, não temos uma vacina contra os parasitas. Apenas contra bactérias e vírus. E o parasita da malária é muito esperto”, afirmou Morel. A busca por uma vacina também é bloqueada pela falta de financiamento. A malária é uma assassina implacável de milhares de pessoas no mundo, enquanto a atenção dos pesquisadores se concentra em doenças que afetam o Norte rico.

“É uma enfermidade que não chega aos Estados Unidos nem à Europa, de onde procede grande parte do financiamento para pesquisa e desenvolvimento”, disse a médica Regina Rabinovich, diretora do programa mundial de doenças infecciosas da Fundação Bill e Melinda Gates. “Não é uma prioridade mundial, pois não tem o incentivo do mercado. Depende do financiamento público”, acrescentou Rabinovich. Participantes da conferência internacional de Bangcoc repassaram os progressos no desenvolvimento de vacinas contra aids, dengue, gripe e câncer de colo de útero, além da malária. Uma vacina contra está doença testada com sucesso em Moçambique ficou à frente de todos os projetos sobre está doença, alguns ainda em fase preliminar.

“É uma grande candidata para a fase três. É a mais avançada”, disse a especialista. Mas, outros dois testes feitos na África e nos Estados Unidos não tiveram êxito, apesar de no começo as pesquisas terem proporcionado razoes para otimismo, acrescentou. Apesar de tais retrocessos, o “mapa” divulgado está semana estabelece 2025 como prazo para o desenvolvimento de uma vacina contra a malária que “dê proteção contra a doença com mais de 80% de eficácia e por mais de quatro anos”. O programa já conta com apoio de 230 pessoas de 35 países, desde médicos e cientistas até políticos e doadores.

O mapa estabelece outro prazo, 2015, para “o desenvolvimento e licença de uma vacina de primeira geração com eficácia de 50% contra as variantes mais severas da doença e as mortes”, e por um ano. “Alcançar uma vacina de alta proteção contra a malária e colocá-la à disposição do público nas áreas afetadas será um verdadeiro êxito na área da saúde pública”, disse a diretora da Iniciativa para a Pesquisa de Vacinas da Organização Mundial da Saúde, Marie-Paul Kieny. “O mapa é a primeira tentativa global concertada de estabelecer um plano de ação compartilhado”, acrescentou.

A OMS considerou este programa como o resultado de mais de dois anos de trabalho de parte de representantes de cem organizações envolvidas na luta contra a malária. À margem da falta de pesquisa e financiamento, a iniciativa enfrente “o limitado envolvimento do setor privado e os incertos mecanismos para fabricar e distribuir uma eventual vacina eficiente”, disse está agencia da ONU. A OMS calculou que existem mais de 30 potenciais vacinas em desenvolvimento, um número que supera a capacidade de financiamento para realizar testes clínicos, especialmente em países onde a doença é endêmica.

A África é a região mais afetada pela malária. Ali vivem quase 500 milhões de pessoas infectadas por está doença transmitida por uma variedade de mosquito. Cerca de 1,2 milhão de pessoas morrem por ano de malária na África subsaariana, 90% delas menores de 5 anos, segundo a OMS. “Uma vacina contra essa enfermidade nos consumiu muito temp. agora, pelo menos existe um plano”, disse Kieny. (IPS/Envolverde)

Marwaan Macan-Markar

Marwaan Macan-Markar is a Sri Lankan journalist who covered the South Asian nation's ethnic conflict for local newspapers before joining IPS in 1999. He was first posted as a correspondent at the agency's world desk in Mexico City and has since been based in Bangkok, covering Southeast Asia. He has reported from over 15 countries, writing from the frontlines of insurgencies, political upheavals, human rights violations, peace talks, natural disasters, climate change, economic development, new diseases such as bird flu and emerging trends in Islam, among other current issues.

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