FORO SOCIAL MUNDIAL: A Importância da Toca Africana

JOHANESBURGO, 26/01/2007 – Este ano será o primeiro noqual um país Africano, a Quênia, sera o único hospede do Foro Social Mundial (FSM) –uma reunião que foi realizada pela primeira vez em Porto Alegre no Brazil há sete anos. Em 2006 uma parte deste FSM foi realizada na África (Bamako, Mali), mas isto foi no contexto do dito ‘foro policéntrico’, noqual outras partes da reunião tomaram lugar nos outros continentes:Caracas o capital de Venezuela e Karachi o centro comercial do Paquistão. As vezes chamado ao “carnaval dos oprimidos”, o FSM reune grupos que se opõem á forma atual da globalização, e á preeminência do capital no âmbito internacional, entre outros assuntos.

Hassen Lorgat, o direitor do departamento de campanhas e comunicação da Coalição Sul Africana de Organizações Não Governamentais, aplaudiu a decisão de realizar este novo foro na África. Numa entrevista com IPS, ele disse que o FSM de 2007—do 20-25 deste mês- prestará uma ocasião de chamar atenção aos desafíos chaves que enfrentam ao continente.

IPS: Qual é o significado da África ser o único hospede do FSM deste ano? Hassen Lorgat (HL): Há muitas razões por isso. Dada a marginalização da África na política e na economía mundial, o continente continua a ser apenas um exportador de materias primas. Vendemos estas materiais a um preço regalado e depois compramo-as do Ocidente a um preço exorbitante uma vez que sejam refinadas.

Estamos a lutar a obter representação nos foros internacionais importantes como a Organização das Nações Unidas (ONU). Muitos dos membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) são pobres e susceptíveis ao soborno. A África sofre da corrupção tanto interna como externamente. Os nossos sindicatos são fracos.

O FSM 2007 dá nos tempo de refletir e rededicarnos a luta contra a imensa pobreza aqual a África está presa. Em Nairobi vamos avaliar todas estes desafios.

Para além disso, as reuniões realizadas na América Latina tinham uma toca latinoamericana. Está no hora de que indegenizemos a reunião de Quênia com as nossas peculiaridades africanas.

IPS: Os Africanos viajando a Nairobi, estão unificados em torno de questões comuns sobre as quais esperam ver progresso ao FSM- ou há uma percepção de que as pessoas de regiões diferentes do continente têm expectativas diferentes do foro?

HL: O foro é um espaço aberto noqual movimentos diferentes na África terão abordagens e estilos diferentes. As vezes até podem ter perspectivas ideológicas diferentes. Isto leva nos a pergunta de se nossa diversidade nos está fortalecendo ou enfraquecendo?

Penso que temos esperanças e fontes de desespero semelhantes. Tomemos como exemplo as 24.000 pessoas que morrem de fome cada dia globalmente, e as 8.200 que morrem de SIDA cada dia, um grande número na África do Sul. Se não regressamos a estes questões centrais, com 1.1 bilhões es de pessoas sem acesso a água limpa no mundo inteiro, fariamos uma injustiça a humanidade.

Mais importante ainda, devemos começar a chegar a um acordo sobre quais as causas da pobreza e da inegualdade e que as reproduz.

IPS: Há alguma questão que você pessoalmente gostaria que se trate no FSM?

HL: Eu penso que temos que reclamar como nosso o discurso contra a corrupção e integrá-lo numa agenda progresista. Recentemente, o presidente Olusegun Obasanjo, de Nigeria, falou sobre isso. Ele disse que cada ano se perde milhões de dólares no seu país, no sector público como no privado. Mas a corrupção não está isolada a Nigeria; é um problema global.

IPS: O que o FSM pode fazer para abordar os problemas da África que outras conferências não fazem?

HL: O FSM é um grande bazar….Toda a gente vai, organiza as suas prórias reuniões e anda em toda parte tratando das suas coisas. Há líderes religiosos, organizações da mulher, ativistas contra o sida, e cada um vem com o seu prório objetivo. Todos querem ser ouvidos, mas o nosso desafio é de procurar encontrar alguns pontos de acordo.

IPS: Muitos delegados das outras partes do mundo estarão na Quênia para o FSM. Que tipo de aliança internacional deveriam buscar os africanos para abordar os assuntos de preocupação global, tais como as regras comerciais injustas?

HL: A cooperação Sul-Sul do que se fala deve ser levada ao nivel da sociedade civil. Por exemplo, a aliança India-Brasil-África do Sul é uma de cooperação entre governos. A sociedade civil deve participar mais neste tipo de cooperação. IPS: O que se espera que os delegados levarão com eles de Nairobi? HL: Mais ação , mais pensamento, e trabalhar juntos. Temos que aprender dos brasileiros e dos índios e da revolução na América Latina, onde os países se estão movendo a esquerda d oespectro político.

Moyiga Nduru

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