FORO SOCIAL MUNDIAL: Um Conto de Desafios Orçamentais e Trabalho Duro

NAIROBI, 26/01/2007 – Poucos dias antes do início do sétimo Foro Social Mundial, os seus organizadores andam muito agitados nas preparações de hospedar mihares de delegados no capital queniano do 20-25 de Janeiro. Este foro anual não é só uma plataforma para os grupos e individuais que se opoõem ao sistema actual da globalização- mas também é um grande desafio, porque pela primeira vez a sessão do FSM será realizada completamente na África. Por isso fizemos umas perguntas urgentes ao Onyango Oloo, o coordenador nacional do Foro Social de Quênia, que faz parte dos organizadores.

IPS: Está preparado para o FSM?

Onyango Oloo (OO): Estamos preparados e até ficamos a espera do início das atividades. Passámos muitas noites brancas aqui no secretariado com uma equipa talentosa com pessoas da Quênia, Tanzânia, Uganda, Salvador, Dinamarca, Canada, Zimbabué, Senegal e Tunisia. Também temos intérpretes volunteiros e grupos diferentes do pessoal técnico inclusivem os da IT – tecnologia informática, trabalhando dia e noite para assegurar o successo do Foro Social Mundial.

IPS: Quantas pessoas já confirmaram a participação no foro?

OO: Estamos inundados de pedidos de registração, particularmente durante as últimas três semanas. No início deste mês por exemplo, estavamos na Sala Social de Muthuruwa (um projeto de habitação de baixo rendimento para os empregados dos caminhos de ferro de Quênia) falando com as pessoas sobre o FSM, que queriam registrar. Todos os dias pessoas vêm ao nosso escritório querendo saber onde se inscrever, pagar ou se inscrever pelo internet. A Rede Kutoka ( um grupo de igrejas católicas trabalhando nos bairros) está a facilitar a registração de indivíduos ou grupos através da sua rede de igrejas nos bairros orientais e ocidentais de Nairobi.

É dificil estimar o número de inscrições comfirmadas, porque ainda não vimos todas as aplicações. No início desta semana, Oduor Ong’wen, um dos meus colegas indicou que apenas dos quenianos já temos ao menos 15,000 inscrições confirmadas.

IPS: Já têm representação internacional?

OO: Esperamos receber participantes de toda a parte do mundo. Centenas de estrangeiros já chegaram e cada dia mais uma outra chega ao aeroporto que temos que ir buscar. Uma estatística indica que para alem de participantes individuais, um grupo de 250 ativistas vem da África do Sul.

IPS: Quais foram os principais desafios que enfrentaram na organização deste sessão? OO: O desafio principal foi ao nivel psicológico porque muitos estrangeiros acham que a responsabilidade desta sessão é demasiado grande para a África. Por isso os meus colegas gostam de dizer que muitos esperam a prova da nossa incompetência e a falência do FSM, mas já provámos que somos competentes.

O outro grande desafio é a falta de recursos. O fato de nós termos os recursos que conseguimos até agora é um milagre. Há pouco tempo conseguimos mais de 50 porcento do alvo orçamental.

IPS: Qual foi a coisa mais recompensadora durante a organização do FSM deste ano?

OO: A coisa mais recompensadora foi a maneira em que os Quenianos e os doutras partes da África aceitaram a ideia de realizar o FSM na nossa parte do mundo. Um dos benefícios imediatos disto foi o número de volunteiros querendo contribuir ao sucesso do FSM 2007 em Nairobi.

IPS: Nào há desafios com a segurança, dado os ataques teroristas na Qûenia no passado?

OO: A segurança não é um problema. Nairobi já serviu de hospede a muitas reuniões internacionais e regionais. Nairobi não é mais insegura de Nova Iorque, Montreal, Paris ou Liverpool. Ainda por cima, estamos a trabalhar com o governo queniano a estabelecer mecanismos preventivos.

IPS: Que quer ver neste FSM?

OO: Queremos que as pessoas voltam daqui com uma energia positive renovada, com mais contatos e redes com as quais podem trabalhar. Queremos que estes participantes iniciam atividades sobre questões sociais, culturais, políticas e económicas nas comunidades deles para transformar e melhorar a realidade destas.

Eu gostaria de ver relações mais fortes entre a Africa e a Ásia, e com as Caraíbas, a America Latina e com os povos indigénos de toda a parte do mundo. O meu desejo é de ver os grupos sociais mariginalizados do mundo, particularmente os da mulher, da juventude e dos mutilados assim como das minorias étnicas e culturais terem mais capacidades de determinar os destinos respeitivos deles.

Joyce Mulama

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