Américas: Um surto de auto-estima na América Latina

Washington, 10/01/2007 – As elites dos principais países da América Latina esperam cada vez mais de suas próprias economias e menos dos Estados Unidos, revela um estudo da empresa Zogby International divulgado está semana pela revista Newsweek. A pesquisa, feita com 603 latino-americanos de destaque (políticos, empresários, acadêmicos e figuras dos meios de comunicação, quase todos com títulos universitários), sugere que Washington perdeu importância para estes líderes e que George W. Bush se tornou mais e mais impopular.

Oitenta e seis por cento dos entrevistados, entre eles 81% que se identificaram politicamente como sendo de “centro-direita”, consideram que o manejo das relações com a América Latina por parte de Washington é regular (48%) ou deficiente (38%), contra apenas 13% que consideram o consideram bom e 1% excelente. A opinião anti-norte-americana é muito acentuada no México, onde quase dois em cada três entrevistados descreveram as relações com Washington como deficientes. Mesmo na Colômbia, de longe o país que mais recebe ajuda norte-americana na América Latina, menos de 1% dos pesquisados considerou boa a relação com os Estados Unidos.

As elites latino-americanas ainda afirmam que os Estados Unidos são o país “mais importante” para o futuro da região. No entanto, vêem a China e a União Européia como atores significativos, especialmente no plano econômico. Assim, embora 58% dos entrevistados acreditem que os acordos comerciais com os Estados Unidos são importantes (26%) ou extremamente importantes (32,5%) para a economia da região, essa porcentagem é muito inferior aos 80% que atribuem igual grau de importância aos vínculos com a União Européia e aos 70% que o atribuem à China. De maneira similar, quase 27% descrevem a China como o país mais importante para o futuro da América Latina depois dos Estados Unidos, citado por 30,5% dos entrevistados.

A nova pesquisa, semelhante a que foi realizada pela Zogby em 2002, aconteceu em novembro e início de dezembro de 2006 e incluiu entre 80 e 100 líderes em cada um dos sete países (Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, México, Peru e Venezuela).

Em comparação com 2002, as elites latino-americanas demonstram um otimismo muito maior em relação às perspectivas de suas economias. Há cinco anos, somente 7% descreviam a saúde de suas economias como boa ou excelente. Essa porcentagem aumentou para 43% e, além disso, 81% esperam melhorias nos próximos anos. Os líderes mais otimistas são os do Brasil, seguido dos argentinos, chilenos, peruanos e venezuelanos. Os mais pessimistas são, de longe, os do México, onde 83% descrevem suas condições econômicas como regulares ou deficientes, enquanto um terço diz que a situação pode piorar.

Os entrevistados também manifestaram otimismo sobre o rumo da região em geral. Quase 53% acreditam que a América Latina está “no bom caminho”, e um em cada três diz que está “no mau caminho”. Os peruanos, brasileiros e venezuelanos são os mais otimistas, e mexicanos e chilenos os menos, segundo o estudo, co-patrocinado pela Universidade de Miami, na Flórida. No item qual governante latino-americano representava os melhores modelos, a mais votada foi a presidente do Chile, Michelle Bachelet (28%), seguida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (26,4%) e do colombiano Álvaro Uribe.

O venezuelano Hugo Chávez ficou em quarto lugar com 9%, e o argentino Néstor Kirchner aparece em seguida com 8,5%. Como Uribe, Chávez recebeu uma sólida votação de seus compatriotas (34% e 39%, respectivamente). Por outro lado, somente 28,4% dos entrevistados consideraram positiva a influência de Chávez na América Latina, e 62% a consideraram negativa. Em contraste com a visão negativa dos Estados Unidos sob a administração Bush, as elites latino-americanas vêem positivamente o surgimento da China como potência econômica.

Pouco menos da metade dos entrevistados descreveram Pequim como um “sócio econômico”, em oposição a uma “ameaça grave” (7,1%) ou “ameaça potencial (12,6%). Outros 6,6% consideram que a China não representa ameaça alguma. As atitudes mais favoráveis foram registradas na Venezuela, no Chile e Peru, e as menos favoráveis no México, provavelmente em conseqüência da competição chinesa pelo mercado norte-americano. Pela margem de dois a um os entrevistados do Chile e da Argentina consideram que Pequim é mais importante para o futuro da América Latina do que Washington, enquanto os do Peru se mostram divididos sobre a questão. Os Estados Unidos foram considerados mais importantes do que a China nos outros quatro países.

Por outro lado, a pesquisa revelou um forte apoio a uma Área de Livre Comércio das Americas (Alca) que inclua os Estados Unidos. Quase dois terços dos entrevistados apóiam esse tratado. O apoio é maior no Peru (92,5%), Chile (84%) e Colômbia (77,5%), enquanto a oposição é mais forte na Argentina (51,9%), Venezuela e Brasil (ambos com 41%). Entretanto, respondendo se para seus respectivos países é mais importante integrar-se com os Estados Unidos ou com outras nações latino-americanas, apenas um em cada três escolheu a primeira opção e 59% optaram pela integração regional. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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