Nações Unidas, 19/01/2007 – A resposta do mundo para proteger as crianças infectadas com HIV continua sendo “tragicamente insuficiente”, mas essa situação começou a mudar, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância. A iniciativa “Unidos pelas crianças, unidos contra a aids”, lançada pelo Unicef, tem o objetivo de mostrar a “face oculta” dos mais indefesos entre os afetados pelo HIV na agenda mundial. O estudo intitulado “Crianças e Aids: Um informe de inventário” avalia a resposta mundial à iniciativa no ano seguinte ao seu início, em outubro de 2005.
“Há um ano não sabíamos quantas crianças recebiam tratamento, quantos governos investiam nas crianças e não podíamos afirmar com nenhuma certeza quanto serviços eram oferecidos aos menores órfãos devido a enfermidade”, disse Peter McDermott, diretor do programa de aids do Unicef. “A maioria dos países não contava as crianças”, acrescentou. Mas, um ano depois, o Unicef conseguiu estabelecer dados de base em cooperação com os governos. E a agência identificou algumas tendências positivas.
“No último ano houve um amplo e crescente reconhecimento da necessidade de intensificar e acelerar ações para o acesso universal à prevenção, ao tratamento, cuidado e apoio completos”, diz o informe. Chefes de Estado e de governo e seus representantes reafirmaram o compromisso para atingir essa meta até 2010, na reunião de alto nível sobre aids realizado em julho passado na sede da Organização das Nações Unidas em Nova York. Em muitas regiões do mundo foi registrado progresso no sentido de frear a transmissão do HIV, o vírus causador da aids, de mães para filhos.
Por outro lado, em vários países da África oriental e meridional, é crescente a tendência rumo ao acesso universal à terapia anti-retroviral, que detém o desenvolvimento da enfermidade nos portadores. Na Namíbia, por exemplo, a taxa de acesso ao tratamento saltou de 6% para 29% dos portadores, entre 2004 e 2005. E cada vez mais crianças que vivem com HIV em todo o mundo recebem hoje os medicamentos, embora ainda sejam poucos. Esses avanços são conseqüência da melhoria nos exames, na capacitação do pessoal da saúde, no barateamento dos remédios e de fórmulas mais simples, segundo o documento.
Há dois anos, o Unicef expressava sua preocupação pelo fato de vários fatores impedirem o acesso de crianças ao tratamento. Um era a falta de capacitação dos trabalhadores da saúde na identificação dos menores portadores. Outro, a falta de medicamentos disponíveis em seguros para as crianças nos países pobres, disse McDermott. Os preços caíram e os remédios agora são seguros para as crianças, acrescentou. Porém, esses avanços têm grandes lacunas. Em 2005, 15,2 milhões de menores de 18 anos haviam perdido pai e mão, ou um dos dois, devido à Aids, 80% deles na África subsaariana.
Para 2010, esse número terá chegado a 20 milhões. Além dos órfãos, muitas outras crianças estão em situação vulnerável por causa da aids, entre eles aqueles que vivem com país que são doentes crônicos, os que vivem em lares com outros menores de país falecidos e aqueles que perderam educadores ou outros membros adultos da comunidade devido à enfermidade. A má educação, a doença e o bem-estar dos órfãos e de outras crianças afetadas pela Aids estão ressentidos.
As crianças que perderam pai e mãe – pela Aids ou qualquer outra causa – têm menos possibilidade do que as demais de ir à escola, segundo o Unicef. Para enfrentar essa ameaça, pelo menos 20 países da África subsaariana delinearam planos de ação de proteção à infância vulnerável, e vários outros estão em vias de completa-los. Na África do Sul, o país com maior quantidade de órfãos por causa da adis, mais de 7,1 milhões de menores de 14 anos em condições de pobreza recebiam fundos do governo, em abril de 2006. Botswana e Namíbia também destinam dinheiro às crianças afetadas pela aids.
Dos 2,3 milhões de menores de 15 anos com HIV em todo o mundo, cerca de 780 mil necessitavam de tratamento anti-retroviral em 2005. E apenas 10% tinham acesso pleno à terapia, segundo o informe. Aqueles que não a recebem têm pela frente um futuro cinzento e breve. Um terço das crianças infectadas morre no primeiro ano de vida, segundo estatísticas da ONU. Aproximadamente 380 mil morreram por doenças relacionadas com a Aids, a grande maioria por infecções tratáveis ou evitáveis pela terapia anti-retroviral.
Apenas sete países identificados no informe fornecem o tratamento a pelo menos 20% das meninas e meninos que dele necessitam: Botswana (84%), Cabo Verde (47%), República Dominicana (23%), Jamaica (47%), Namíbia (52%), Ruanda (20%) e Tailândia (95%). Uma em cada 10 mulheres grávidas em capitais da África subsaariana está infectada com o HIV e um em cada tres de seus filhos receberão o vírus durante o parto se for mantida a situação atual, segundo o informe. Uma em cada três está infectada em Gaborone, capital de Botswana, e em Mbabane, capital da Swazilândia, e uma em quatro em Maseru, no Lesotho, e Pretória, na África do Sul. (IPS/Envolverde)

