EUA: Todas as baterias contra o Irã

Washington, 29/01/2007 – Seis meses depois do último conflito entre Israel e o movimento xiita libanês Hezbolá (Partido de Deus), o Irã se converteu no “inimigo público número um” dos Estados Unidos, que agora dirige todas suas baterias contra Teerã. A estratégia, que consiste em forjar uma aliança informal tripartite entre Estados Unidos, os países árabes sunitas e Israel, já está sendo aplicada no Líbano e nos territórios palestinos. Junto com o Iraque, estes dois lugares se converteram nos principais campos de batalha do que até agora era uma guerra fria para desafiar a influência iraniana, disse o analista Gary Sick, da Universidade de Colúmbia e ex-assessor do governo de Jimmy Carter (1977-1981).

“O princípio de organização da nova estratégia é o confronto, contendo a influência xiita, especialmente a iraniana, cada vez que está aparecendo na região”, disse Sick. Em um memorando que circulou recentemente, esse analista argumentou que a nova estratégia de Washington foi adotada depois da drástica mudança no equilíbrio de poder regional, a favor de Teerã, depois que o movimento islâmico Talibã foi desalojado no Afeganistão e da queda e execução de Saddam Hussein no Iraque.

Esta mudança, em detrimento dos tradicionais aliados sunitas de Washington, em especial Arábia Saudita, Egito e Jordânia, exacerbou tanto as políticas “pró-democráticas” de Bush no Oriente Médio, que tem o paradoxo mas previsível resultado de fortalecer as forças islâmicas e antiocidentais, como a percepção de que as forças norte-americanas estão presas no atoleiro iraquiano. A nova estratégia parece ter sido impulsionada pela guerra do último verão no Líbano, que, segundo Sick, “foi vista por Israel, Estados Unidos e pelos governos do Levante (costa mediterrânea desde Gaza até a Turquia) desafiando tanto Israel quanto a liderança sunita”.

Nos meses seguintes, houve uma divisão de tarefas entre os três principais componentes desta aliança antiiraniana. O governo Bush se dedicou a aumentar seu poder naval no Golfo e estimulou seus países aliados a adotarem uma postura mais de confronto com o Irã. Também aumentou seu apoio popular ao governo do primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, sunita e apoiado por Riad, e renovou seu compromisso em promover o diálogo de paz entre Israel e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, “reconhecendo que mesmo um progresso visível limitado dará uma maior proteção diplomática aos países árabes se cooperarem com Israel”, segundo Sick.

Além disso, Washington procura aumentar a pressão contra o Irã tanto através do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, por causa de seu plano de desenvolvimento nuclear, quanto no Iraque, acusando Teerã de apoiar setores da inusrgência. Bush assegura que manterá suas forças no Iraque para impedir uma guerra civil em grande escala que possa ter efeitos catastróficos para a população sunita, e prometeu pressionar o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, para que controle as milícias xiitas. Washington poderia, inclusive, estar também procurando organizar movimentos dissidentes no Irã, principalmente entre grupos étnicos da periferia, para, assim, distrair a atenção do governo iraniano e potencialmente desestabilizar Teerã, afirmou Sick.

Por sua vez, os Estados árabes sunitas, entre os quais todos os membros do Conselho de Cooperação do Golfo, decidiram dar maior apoio ao governo de Siniora no Líbano, com o objetivo de afastar a Síria de sua aliança com o Irã, bem como fornecer instalações para as forças norte-americanas. Também concordaram em se esforçar para reduzir o preço do petróleo, tanto para aliviar a pressão política sobre Bush quanto para “tornar a vida mais difícil para o Irã”. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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