Jornalismo: Iraque lidera outro ano sangrento

Washington, 08/02/2007 – O ano passado voltou a ser perigoso para os jornalistas em todo o mundo: o número de profissionais assassinados e presos voltou a crescer, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). O informe “Ataques à imprensa em 2006” documenta vários casos de violência e censura contra os jornalistas no ano passado. Segundo o estudo, 55 jornalistas foram assassinados em 2006 por razões diretamente relacionadas com seu trabalho, contra 47 no ano anterior. Pelo segundo ano consecutivo, os repórteres iraquianos lideraram a lista.

O número de trabalhadores de imprensa presos e censurados também continuou aumentando: 134 foram enviados para a prisão em todo o mundo. Destes, cerca de um em cada três é editor de um site ou administra um blog (site na Internet que funciona como um diário pessoal aberto à consulta pública). A China lidera pelo oitavo ano consecutivo a lista de países que mandaram mais jornalistas para a prisão, com 31 casos. O informe também denuncia assassinatos na Rússia, “o surgimento de autocratas eleitos na América Latina e a erosão do status de observador neutro para correspondentes de guerra”.

O informe de 323 páginas, com detalhes sobre as circunstâancias de cada ataque, foi divulgado uma semana depois de um documento semelhante apresentado pela organização Repórteres Sem Fronteiras. “Um perturbador alto número de jornalistas e trabalhadores de imprensa foram assassinados ou presos em 2006 e já estamos preocupados com 2007, pois seis jornalistas e quatro assistentes de imprensa já foram assassinados apenas em janeiro”, diz o informe da RSF. Esta organização criticou governos ditatoriais, entre os quais inclui Coréia do Norte, Cuba, Eritréia e Turcomenistão, e os qualificou como “principais culpados” de silenciar a imprensa, mas também questionou algumas democracias “nas quais também deve haver progressos”.

O informe da RSF diz que 65 profissionais de imprensa foram assassinados no Iraque. Entretanto, o cálculo do CPJ foi bastante inferior. Segundo esta organização, foram 32 os jornalistas e assistentes mortos no Iraque, muitos deles depois de receber ameaças. Outros morreram em meio ao fogo cruzado. “Quase todos estes assassinatos foram cometidos com total impunidade. Estes ataques são um esforço dos grupos insurgentes para prejudicar a ordem política no país”, disse à IPS o coordenador do programa para o Oriente Médio e a África do Norte do CPJ, Joel Campagna.

O Iraque foi o país onde mais jornalistas foram assassinados desde que foi invadido pelos Estados Unidos em março de 2003. No ano passado, o número total de vítimas fatais nesse país chegou a 97, segundo o CPJ. Trinta e sete intérpretes, motoristas e assistentes também morreram devido à sua colaboração com a imprensa. O informe diz que 30 dos jornalistas assassinados em 2006 no Iraque eram iraquianos, e apenas dois estrangeiros, procedentes de Londres.

“Isto é parte de uma tendência na qual os jornalistas levam a maior carga do risco neste conflito. O crescente papel dos repórteres iraquianos se traduziu em um risco maior, pois se converteram nos olhos e ouvidos que informam sobre o conflito”, disse Campagna. No dia 28 de junho, o jornalista da IPS Alaa Hassan foi assassinado em Bagdá, no que parece ter sido um ato de violência fortuito em uma zona onde muitos já haviam sido assassinados. Hassan era natural de Babylon, no centro do Iraque, tinha 35 anos e sua mulher estava grávida.

No Iraque, os assassinatos de jornalistas representam uma tentativa para desestabilizar o país, enquanto o assedio e a censura à imprensa em outras nações acontece com o suposto objetivo de manter a estabilidade. O informe do CPJ diz que o governo do presidente chinês, Hu Jintao, “conseguiu silenciar alguns dos melhores jornalistas na China”. Alguns países melhoraram seu desempenho no ano passado. A Arábia Saudita, por exemplo, aliviou as restrições à “duramente censurada imprensa interna”. (IPS/Envolverde)

Guthrie Gray

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *