Mulheres: Campanha por uma nova agência da ONU

Nações Unidas, 16/02/2007 – Quando a Comissão sobre o Status das Mulheres, integrada por mais de 150 organizações não-governamentais de todo o mundo, se reunir a partir do próximo dia 26 em Nova York, lançará formalmente uma campanha para a criação de uma nova agência da Organização das Nações Unidas. “Esperamos que quando mulheres de todo o mundo estiverem presentes em Nova York para as sessões da Comissão tenhamos uma oportunidade de ouvir em primeira mão do secretário-geral, Ban Ki-Moon, o quanto esta reforma é profunda”, disse June Zeitlin, da Organização das Mulheres para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Wedo).

A ativista destacou que a reforma do fórum mundial não é importante apenas “para melhorar a vida das mulheres, mas também para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e, também, assegurar o bem-estar de todos”. Zeitlin disse à IPS que “há um claro consenso de que a atual estrutura é insuficiente para atender as necessidades das mulheres em todo o mundo, ou para que os governos cumpram os compromissos que assumiram em Pequim (na IV Conferência Mundial sobre a Mulher, de 1995), bem como em outras conferências da ONU”. A Comissão foi criada nessa reunião na capital chinesa para ter sessão anual em Nova York e avaliar os progressos alcançados em matéria de direitos das mulheres.

A proposta para a criação de uma “nova arquitetura de gênero” inclui a integração das três entidades da ONU (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher, Escritório do Assessor Especial para Assuntos de Gênero e Divisão para o Progresso das Mulheres) em somente uma nova agência que seria dirigida por uma subsecretária-geral, o terceiro cargo mais alto dentro das Nações Unidas. A idéia foi originalmente recomendada pelo Painel de Alto Nível sobre Coerência do Sistema da ONU, integrado por chefes de governo, ex-líderes políticos e altos funcionários das Nações Unidas. Este órgão sugeriu a “criação de uma entidade da ONU dinâmica, concentrada na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres”.

Charlotte Bunch, do Centro para a Liderança Global das Mulheres (CWGL), afirmou que a proposta é um passo adequado para esforços mais concretos a fim de serem respeitados os direitos das mulheres. “Mas somente poderá ter sucesso se for apoiada com os recursos necessários e se tornar operacional em cada país”, acrescentou. “Como as organizações assinaram nossa declaração em apoio às recomendações, a ONU não poderá pronunciar boas palavras sobre os direitos das mulheres sem fazer que estejam acompanhadas de recursos, pois de outra maneira perderá legitimidade nestes assuntos”, disse à IPS.

O documento, assinado por 157 organizações, diz que é tempo de mostrar apoio para uma entidade formada e fortalecida para as mulheres dentro da ONU. “Os grupos de mulheres exortam os governos a demonstrarem sua vontade política durante as sessões da Assembléia Geral, apoiando as recomendações do Painel de Alto Nível para criar uma arquitetura eqüitativa de gênero mais forte na ONU e aderindo a um processo com prazos para sua implantação”, diz o documento.

Além da Wedo e Cwgl, a Comissão está integrada pelo Fundo de Mulheres Africanas para o Desenvolvimento, Anistia Internacional, Asia Pacific Women’s Watch, Equality Now, Fundo Global para as Mulheres, Liga Internacional de Mulheres pela Paz e a Liberdade, Rede Internacional de Políticas de Gênero, Human Rights Watch, Iniciativa de Mulheres Nobel, Instituto Sociedade Aberta e Sisters Beyond Boundaries, entre outras.

“Entendemos que o novo secretário-geral da ONU disse que se reunirá com os grupos de mulheres para discutir esta proposta e dar-lhe uma consideração seria”, disse Bunch. “Tenho esperanças, mas também reconheço que os progressos para as mulheres sempre dependem de as organizações não-governamentais continuarem demandando atenção, e continuaremos a fazê-lo”, acrescentou. (IPS/Envolverde)

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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