JOHANNESBURGO, 12/03/2007 – O progresso da democracia na África foi o sujeito da discussão numa conferência realisada esta semana no centro commercial sul africana de Johannesburgo O Michael Chege, o conselheiro do Ministério Quêniano da Planificação e do Progresso Nacional, lembra se de que os anos da Guerra Fria não tinham muita esperança para a política multipartidária.
“Entre os anos 1960s e 1989, os países africanos que elegeram os governos deles na base das eleições multipartidárias foram a pequena minoria de Botswana, Maurício, Senegal e Gâmbia,” disse ele.
“O restante dos países Africanos tinham…estados monopartidários e governos militares”, acrescentou o Chege.
A queda do Muro de Berlim em 1989 proclamou o fim da Guerra Fria, e melhorou a fortuna a democracia na África.
Em 2006 uns 23 países africanos estavam a praticar a política multipartidária, embora 14 deles eram considerados fundamentalmente não democráticos por Freedom House, uma organização não governamental baseada em Niova Iorque. O restante dos 53 países africanos são considerados “parcialmente livres”.
“Pela primeira vez desde a independência nos anos 1960s, a maioria da população africana goza do direito a votar e ás liberdades civiís associadas com as liberdades democráticas – a liberdade de expressão, a liberdade de associação e de culto,” disse o Chege.
Algumas países como a Swazilândia, a Eritrea, a Tunisia, a Líbia, o Sudão, o Zimbábue, a Costa de Marfim e a Guiné continuam a resistir a reforma democrática.
“Quando vejo as pessoas de Guiné lutando para os direitos delas, lembro me dos jornalistas que estão a sacrificar a vida deles para a liberdade do nosso continente,” o Alpha Oumar Konare, o presidente da Commissão da União Africana – e o ex presidente do Mali – disse na reunião.
“As pessoas de Guiné merecem a nossa solidariedade. Não queremos aceitar a autocracia.”
O presidente doentío de Guiné o Lansana Conte, tem estado a governor a nação da Africa Occidental durante 23 anos e não mostra nenhuma intenção de deixar o governo. Umas 60 pessoas morreram durante as greves recentes contra a baixa no nível de vida e alegam a má governance na Guiné.
Quando acabou o seu discurso, o Konare partiu para participar nas celebrações do cinquenta aniversário da independência de Ghana, o primeiro país sub-saariano a ganhar a sua independência. A nação da África Ocidental é considerada uma das mais democráticas do continente, um fato que irrita o seu principal partido da oposição, o Congresso Democrático Nacional.
“Temos um ditador subtil na Gana. O partido (do Presidente John) Kufuor, por exemplo, não dá a oposição acesso a TV e ao rádio. Os agentes do governo andam a perseguir a oposição. Não temos um campo plano , não há igualdade político na Gana,” a Nana Agyeman-Rawlings, a mulher do ex presidente de Ghana o Jerry Rawlings, disse numa entrevista com a IPS.
Más, um propagandista ganense não estava de acordo com essa avaliação, dizendo que a situação no país melhorou muito desde as golpes militares pelo Rawlings em 1979 e 1981: “Há democracia na Gana. Pode se dizer o que quiser e nenhum agente de segurança lhe deterá ou perseguirá como durante o dia de Rawlings.”
Os relatórios na impresa dizem que o Rawlings boicoteou a celebração das bodas de ouro de Gana.
A conferência também discutiu a participção das mulheres na política que é chave para assegurar que todos beneficiam da demcracia.
“Vimos as mulheres africanas surgindos e tomando o lugar delas nas esferas públicas:a representação da mulher no parlamento é mais de 48 por cento na Rwanda; mais de 30 por cento na África do Sul e Moçambique, e há uma chefe de Estado feminina pela primeira vez na história Africana –a Ellen Sirleaf-Johnson, a presidenta de Libéria,” disse a vice presidente sul africana Phumzile Mlambo-Ngcuka, aos delegados.
“No Maurício a representação da mulher no parlamento saltou de um miserável cinco a 17 por cento em 2005.”
Não obstante estes sucessos, alguns fatores continuam a debilitar a participação das mulheres na política.
“Eu acho que os governos africanos, a sociedade civil e os pesquisadores devem interrogar os fatores que limitam a capacitação da mulher. As vezes os maridos proibem as mulheres deles de ir as reuniões a noite por que estas têm que cuidar das crianças. Os outros maridos impedem as esposas deles de estar a vontade quando relacionam com os colegas masculinos delas por razões religiosas,” disse Thabiso John, um pesquisador na Universidade da África do Sul, numa entrevista com IPS.
A conferência de três dias titulada 'Sustentando o Ímpeto Democrático', atraiu mais de 400 delegados da África, Ásia, da Ámerica Latina, dos Estados Unidos e da Europa, e acabou no dia sete deste mês

