NAIROBI, 16/03/2007 – O Primeiro Ministro Interino da Somália o Ali Mohammed Gedi fez um apelo para cerca de 42 milhões de dólares para segurar o capital do seu país, Mogadishu, e para patrocinar a conferência de reconciliacão no país. “Eu aproveito deste momento a lançar um apelo aos membros da comunidade internacional, aos parceiros e amigos de Somália de apoiar os nossos esforços para atinjir a reconciliação compreensiva, a boa governança e a paz duradoura na Somália,” disse Gedi falando com jornalistas no capita queniano de Nairobi, onde também teve uma reunião com os representantes de alguns doadores.
O Congresso da Reconciliação Nacional pretende reunir cerca de 3,000 Somalis de toda a parte, incluindo os líderes de tribos e fações, os politicos, os comerciantes, os representantes de comunidades religiosas – e nacionais no estrangeiro.
O Congresso está programado para o dia 16 de Abril em Mogadishu e durará dois meses, nosquais os delegados abordaram as injustiças contra os Somalis durante o conflíto que começou em 1991 quando o ditador Mohamed Siad Barre foi expulso do poder.
Segundo o Gedi “A reconciliação social é muito importante para curar as feridas da Guerra civil, e assim preparer para a reconstrução e o desenvolvimento de Somália.”
O Mohammed Abdi Hayir, o Ministro da Reconciliação estava de acordo dizendo que ” Temos certeza de que havemos de ter a paz duradoura por causa desta conferência. Ela vai transformar o futuro da Somália,” disse ele a IPS.
O colapso da administração do Siad Barre abriu a porta a luta entre as fações que matou milhares de pessoas e desplaçou ainda mais pessoas. A Somália passou mais de dez anos sem um governo central.
Houve muitos atentados a restaurar a ordem no país más não deram resultados e foram seguidos pela criação de um governo transicional em 2004. Devido a insegurança contínua a nova admistração não pude estar no capital, más ficou em Baidoa. Os oficiais da administração não conseguirão extender a autoridade deles para além de Baidoa.
Tentou se assassinar o Gedi em novembro de 2005, em Mogadishu, e o Presidente interino o Abdullahi Yusuf sobreviveu um ataque suicídio em Baidoa no ano passado.
Nos meados de 2006 a União dos Tribunais Islâmicos (Union of Islamic Courts (UIC)) conseguiu fazer o que o governo interino não pude – estabeleceu o contrôle do capital e de muitas partes no sul do país. A UIC foi derrotada pelas forças armadas do governo interino no fim do ano passado, os soldados da União Africana (AU) foram desdobrados a manter a paz na Somália.
Más, a violência continua a escalar em Mogadishu.
O Yusuf deslocou se ao capital este mês, depois do parlamento decidir que o governo deve se deslocar a Mogadishu. Poucas horas depois da sua chegada no capital a sua residência foi atacada por morteiros. Enquanto as cifras governamentais dizem que duas pessoas morreram nesta casualidade, os habitants da zona dizem que cerca de 15 pessoas morreram. O Yusuf não foi ferido no ataque.
Diz se também que as forças do governo interino e da Etiópia foram atacadas pelos rebeldes. Muitos somalis são antipáticos aos etíopes por causa da tensão histórica entre a Etiópia e a Somália.
Diz se que um avião com forças da Uganda para o mantimento de paz foi fuzilado na semana passada e pegou fogo a aterrar. Esta violência já está a desanimar muitos.
“A maioria dos habitantes de Mogadishu está preocupada, desesperada e desamparada. Quase todos os serviços como a transportação foram tocados, e as pessoas nem se atrevam sair das casas,” disse alguém a IPS. “As pessoas estão a fugir …eu vi as pessoas fugindo do quintal do Sheikh Suffi que também foi atacado por morteiros, com roupa de cama em cima das cabeças. Fugiam na direção da cidade de Barawe – á uns 40 quilómetros de Mogadishu,” continuou o informante. “Toda a gente está nervosa por causa dos ataques indiscriminadores por morteiros, que prevalecem.”
ACNUR calcula que 40,000 pessoas fugiram de Mogadishu em fevereiro por causa da violência e da instabilidade.
As autoridades somalis responsabilizam a insurreição da UIC em Mogadishu. Também se diz que os tribunais têm afiliações terroristas. Ambos a Etiópia e os Estados Unidos ficam preocupados com as ligações da UIC com al Qaeda. A UIC nega todo o relacionamento com al Qaeda.
“Durante os ataques (da UIC), tinham o apoio de organizações terrioristas. Estes terroristas estão a tentar agravar a insurreição, más não hão de conseguir,” disse Gedi, notando que 4,000 forças nacionais estão no capital para restaurar a estabilidade.
Programou se a chegada de 8,000 tropas da AU para controlar as instalações chaves em Mogadishu. Nem todas estas forças já foram comprometidas.

