AUSTRÁLIA:: Sobreviventes Sudaneses Perdem Se na Nova Casa

MELBOURNE, 16/03/2007 – Embora a Austrália livremente aceitou um grande número de sudaneses jovens que sobreviveram uma das guerras mais viciosas do ultimo século, muitos destes estão a enfrentar grandes dificuldades na nova casa deles. Os sudaneses, principlamente os cristãos do sul do pais – constituem a maioria dos beneficiários de um programa humanitário australiano. Recebem vistos permanentes das categorias dos ‘refugiados’ e do ‘programa humanitário especial’ (SHP).

Desde 2002-2003, deu se um total de 19,401 vistos aos refugiados sudaneses e cerca de 24,000 de pessoas de origem sudanesa vivem na Austrália.

Uma disputa em janeiro naqual um homem foi punhalado na comunidade sudanesa durante um concurso de beleza em Melbourne, atirou a atenção da imprensa. Também houve um pouco de controvérsia quando uma família de refugiados sudaneses foi rejeitada pelo conselho regional de Tamworth. Depois de muitas protestas o conselho decidiu aceitá- los temporariamente.

Akoc Manheim, de 24 anos, chegou na Austrália em 2003 depois de passar cinco anos num campo de refugiados na Quênia para os que estavam a fugir da Guerra na parte Austral do Sudão. Diz se que duas milhões de pessoas morreram antes do acordo de paz assinado em Janeiro de 2005 que terminou a Guerra de 21 anos entre os musulmanos do norte e os cristãos e animistas no sul.

Manheim, como muitos outros sudaneses que fugiram da conscripção, chegou a Quênia sozinho sem os pais dele.. A segurança foi um problema. “As pessoas locais que viviam perto do campo vinham saquear a comida que vinha das Nações Unidas, por isso muitos refugiados morreram de fome,” Manheim disse a IPS.

Ele acredita que a solução é de estabelecer e fortalecer a comunidade sudanesa. “Segundo a nossa educação tradiçional, quando um leão te caça deves correr a comunidade, porque pode te ajudar a matar o leão. Qual é o leão na nossa situação? É a nossa pobreza e os nossos problemas no nosso país,” disse o Manheim, que é direitor atual da Associação Australiana dos Meninos Perididos, um grupo de apoio importante.

Enquanto os sudaneses são vistos como causando mais problemas do que os outros grupos, poucas pessoas reconhecem que se trata de jovens que sofreram de muito trauma e dificuldades. A maioria são orfãos que apenas sobreviveram os ataques das aldeias deles pelos soldados governamentais por que estavam a guardar o gado ou conseguiram se esconder. Muitos deles chegaram aos campos de refugiados na Quênia e na Somalia depois de lutar contra a fome, a doença e os animais selvagens.

Há poucas ‘meninas perdidas’ porque a maioria estavam em casa quando os soldados chegaram e foram violadas, assassinadas ou levadas da casa a ser escravas na parte setentrional do país. Algumas não sobreviveram as dificuldades das viagens.

Uma das causas de conflíto entre os Australianos locais é as dificuldades que os jovens refugiados enfrentam com a lingua inglesa, disse o Gatwech Puoch, um imigrante trabalhando com o Centro de Recursos para os Imigrantes da Região Sudoriental. Puoch, que aprendeu Inglês numa universidade no Sudão, disse que é mais fácil para as crianças com menos de 15 anos daptar e apreender o Inglês de que para os refugiados mais velhos.

‘'Os com mais de 15 anos típicamente tiveram que interromper a educação e então têm muitos problemas a conseguir emprego na Austrália,” Puoch disse a IPS.

‘'Estas pessoas precisam de ser encorajadas a superar as dificuldades a apreender a língua e participar nos programas da alfabetisação de adultos. Por isso que muitos deles vivem nas estações dos comboios por falta de opções," acrescentou Puoch.

O governo australiano,através do seu Programa do Inglês para os Imigrantes Adultos, dá os recém chegados 510 horas de aulas de Inglês. Durante uma ceremónia de cidadania em janeiro, o Primeiro Ministro do país, o John Howard reiterou o seu apelo para os imigrantes apreender Inglês.

Más o Puoch acha que 510 horas não bastam. “Precisam de falar com outras pessoas (em Inglês). Precisam de comunicar com as pessoas locais. Más quando (os sudaneses) saiem da escola não têm ningém com quem praticar. Não há nenhuma interação com a comunidade local," ele disse.

O Archangelo Madut que fugiu do Sudão com oito anos, viveu na Etiopia, Quênia e Uganda antes de chegar á Australia, é agora um consultor á Foundation House em Melbourne, que faz parte da Fundação Victoriana para os sobreviventes de Tortura (Victorian Foundation for Survivors of Torture). Ele disse que 510 horas de aulas “pode chegar para aquelas pessoas que têm uma boa história com a língua, más não chegam para quem estar a começar.”

Os imigrantes sudaneses enfrentam muitas limitações na nova vida deles na Austrália. “O passado continua a tocar muitas pessoas. Há sempre indivíduos que perderam famílias inteiras na Guerra. A vida pode até ser boa na Austrália más o passado também continua a assombrar a vida. As vezes pode se estar na aula e estar a pensar de outras coisas que se teve que superar,” disse o Madut.

Alguns membros da comunidade sudanesa têm vividos nos campos de refugiados durante 20 anos.”Estes não estarão bem vivendo num meio com as pessoas normais,” disse o Madut. “Todo o que experimentaram nos campos teve um impato neles.”

Stephen de Tarczynski

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