Queremos Controlar a Nossa Água: Queremos Controlar a Nossa Água

JOHANNESBURGO, 23/03/2007 – No seu discurso sobre a condição da naçào em fevereiro, o Presidente da África do Sul o Thabo Mbeki disse que o seu país “já tinha atinjido os Objetivos de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Milénio no que diz respeito a prestaçãode serviços básicos de água, com o acesso a água melhorado de 59 porcente em 1994 á 83 pocento em 2006.” Adotou se oito objetivos do desenvolvimento durante o Cúmulo do Milénio das Nações Unidas no ano 2000, numa tentative a melhorar o nível de vida no globo pelo ano 2015. Estes objetivos incluem reduzir a metade o número de pessoas que não têm acesso a água potável.

Atualmente na África do Sul, uma casa com mais ou menos oito pessoas recebe 6,000 litros de água grátis por mês.

Contudo, o Patrick Findane, o sub coordenador da Coalição Contra a Privatização da Água, um grupo cívico, disse que a representação pelo governo do progresso feito no aumento do acesso a água engana muito – por que a quantidade de água prestada pelo governo não satisfaz as necessidades dos pobres.

Ele explicou a sua opinião numa entrevista com o Moyiga Nduru de IPS antes do Dia Mundial da Água (Março. 22), que este ano, se concentrará na escassez de água.

Moyiga Nduru (MN): Onde é que acha que o sistema da prestação de água está pobre ou não está a cumprir o que devia?

Patrick Findane (PF): A constituição da África do Sul disse que toda a gente tem o direito á água sana, limpa e suficiente. Os pobres recebem 6,000 litros de água por mês, para cada casa (más) isto não chega. As autoridades da água dizem que aumentarão a quantidade a 10,000 litros para cada casa. Já começaram a fazê-lo em algumas zonas.

MN: Más a África do Sul é considerada como um país com uma escassez de água. Não é que as autoridades estão a tentar conservar a água e limitar as quantidades de água prestadas?

PF: Nós não acreditamos que há uma escassez de água na África do Sul. Temos chuvas suficientes.

MN: Como é que a escassez de água toca os pobres?

PF:As pesquisas feitas em Soweto (uma zona residencial para os pretos fora do Johannesburgo) entre Junho e Julho de 2006 mostram que as mulheres e as crianças são as mais tocadas pela falta de água. Em algumas zonas, mesmo nesta dita nova África do Sul democrática, as mulheres vão até dois quilômetros na busca de água. Isto não faz sentido.

MN: A escassez de água piora ou não os efeitos da pandemia de SIDA? (Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (Onusida), a taxa de prevalência nos adultos é 18.8 porcento).

PF: As pessoas seropositivas precisam de ser bem cuidadas. Precisam de ser limpadas e lavadas e também devem beber muita água. Precisam da água para tomar os medicmentos como indicado pelos médicos. Quando se tem um contador de água em casa, o uso da água é muito controlado.

A escassez de água também toca na gestão sanitária. ..Em algumas partes de Soweto não se pode descarga a sanita…É muito degradante. É por isso que levámos ao tribunal o Água Johannesburgo (Johannesburg Water – uma utilidade de água na cidade) para negar os pobres o acesso adequado a água.

Durante o Foro Social Mundial realisado em Nairobi, Quênia, em Janeiro deste ano, descobrimos que toda a gente tem este problema com a água. Vimos os exemplos da privatização da água na Gana, na Tanzânia, na Bolivia e no Brazil. Na Bolivia e no Brazil as comunidades lutaram para controlar a água. Agora a água na Bolivia está controlada pelas comunidades. Nós queremos o mesmo na África do Sul.

Em Nairobi criámos a Rede da Água na África contra a privatização por que esta é como um vampiro que chupa a sangue dos pobres…Nós acreditamos que a água é uma necessidade. Não deveria ser vendida, por que não é uma mercadoria. É a vida mesma.

Correspondentes da IPS

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