Política: Israel, Irã e EUA, os menos populares

Washington, 08/03/2007 – A maioria dos 28 mil entrevistados de 27 países para uma pesquisa de alcance mundial expressaram opiniões negativas contra Israel, Irã e Estados Unidos. Segundo o estudo, patrocinado pelo Serviço Mundial da rede de televisão BBC de Londres e projetado pela consultoria Globescan e pelo Programa sobre Atitudes de Política Internacional (Pipa), com sede em Washington, 56% dos consultados têm opiniões negativas sobre Israel, e 54% a respeito do Irã. Cinqüenta e um por cento e 48%, respectivamente, disseram o mesmo sobre Estados Unidos e Coréia do Norte.

No outro extremo do espectro, 54% dos entrevistados afirmaram ter uma opinião “principalmente positiva” sobre Canadá e Japão, enquanto a União Européia, em geral, e a França, em particular, com 53% e 50% de avaliação “positiva”, foram seguidas entre os de melhor imagem pelos 12 países avaliados no estudo. “Parece que as pessoas de todo o mundo tendem a ver de modo negativo os países cujo perfil está marcado pelo uso ou pela busca do poderio militar”, disse o diretor do Pipa, Steven Kull.

“Isto inclui Israel e Estados Unidos, que recentemente usaram a força militar, e a Coréia do Norte e o Irã, vistos como tentando desenvolver armas nucleares”, acrescentou Kull. “Os países que, em geral, se relacionam com o mundo principalmente através do poder brando, como Japão, França e os da União Européia, tendem a ser vistos de maneira mais positiva”, ressaltou.

A pesquisa ouviu entre 800 e 1.200 pessoas nos três países da América do Norte (Canadá, EUA, México), três sul-americanos (Brasil, Argentina, Chile), seis asiáticos (Austrália, China, Coréia do Sul, Filipinas, Índia e Indonésia) e dois africanos (Nigéria, Quênia). Também foram incluídos nove países europeus (Alemanha, França, Grã-Bretanha, Grécia, Hungria, Itália, Polônia, Portugal, Rússia) e quatro predominantemente muçulmanos (Egito, Emirados Árabes Unidos, Líbano, Turquia).

Aos entrevistados foi pedida para dizer se a influência dos 12 países analisados (Canadá, China, Coréia do Norte, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Índia, Irã, Israel, Japão, Rússia e Venezuela), além da União Européia como bloco, era “principalmente positiva” ou “principalmente negativa”. Uma média de um em cada quatro consultados negou-se a se pronunciar em um ou outro sentido. Segundo o estudo, Israel teve a maior quantidade de opiniões negativas e, também, em maior quantidade de países: 23 dos 27. O Irã foi avaliado desfavoravelmente em 21 países, e os Estados Unidos e a Coréia do Norte em 20.

Israel, cuja guerra contra o movimento pró-sírio xiita libanês Hezbolá em julho e agosto passados, sem dúvidas, afetou o resultado, sendo visto mais negativamente no mundo islâmico – onde apenas 2% dos entrevistados lhe deram uma avaliação positiva – bem como em boa parte dos países da União Européia. No próprio Líbano, 85% dos pesquisados disseram ter uma opinião negativa sobre o Estado judeu, seguidos por 78% no Egito e 76% na Turquia. Ao mesmo tempo, 77% dos alemães expressaram opinião negativa, como cerca de dois terços de gregos, franceses, britânicos e australianos que participaram da pesquisa.

Na América Latina e Ásia, Brasil (72%) e Indonésia (71%) foram os países que apresentaram mais opiniões desfavoráveis. As nações onde se projetou uma imagem mais positiva de Israel foram Nigéria (45%), Estados Unidos (41%) e Quênia (38%). Para o Irã, as opiniões negativas mais fortes aconteceram na Europa, particularmente na França (86%), Itália (84%), Alemanha (78%), Portugal (77%) e Grã-Bretanha (76%).

Três em cada quatro canadenses e australianos também expressaram opiniões negativas sobre o Irã, que Estados Unidos e outras potências ocidentais acusaram de fabricar armas nucleares. Nos Estados Unidos, 63% dos consultados fizeram uma avaliação negativa, mas, foi uma queda livre de 81% em relação aos que se expressaram dessa mesma maneira em uma pesquisa semelhante da BBC feita no final de 2005. no Líbano, as opiniões sobre o Irã se dividiram de maneira eqüitativa, enquanto os pontos de vista positivos sobre a república islâmica tiveram maior presença no Egito (51% positivo, 18% negativo) e na Indonésia (50% positivo, 31% negativo).

Na América Latina, as opiniões mais desfavoráveis foram registradas no Brasil (69%); na África, o foram no Quênia (60%); e na Ásia oriental, na Coréia do Sul (69%). Sobre a Coréia do Norte, a maioria das respostas foi negativa na região de língua inglesa da América do Norte, Austrália e Coréia do sul. Quase nove em cada 10 alemães e australianos se pronunciaram negativamente, quase oito em cada 10 sul-coreanos expressaram pontos de vista semelhantes e também o fizeram três em cada quatro entrevistados norte-americanos, canadenses e franceses.

Mas vários países apresentaram uma inclinação ligeiramente positiva para Pyongyang, entre eles Líbano (38% positiva, 27% negativa), Turquia (31/22), Nigéria (42/28), Indonésia (40/37) e Índia (26/18). Entre os países que gozam de melhor imagem, o Japão foi considerado mais favoravelmente por indonésios (84%), quenianos e canadenses (74%) e filipinos (70%), apesar de Tóquio ter ocupado o arquipélago na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

De modo menos surpreendente, os pontos de vista mais negativos foram na Coréia do Sul (58%) e na China (63%). Durante muito tempo os dois países exigiram do Japão uma desculpa pelos abusos cometidos por suas forças de ocupação durante a Segunda Guerra. A um foi vista positivamente em 24 das 27 nações em estudo, e recebeu avaliações particularmente altas em seus próprios Estados-membros, bem como no Canadá, Chile e Coréia do Sul. Por outro lado, registrou apreciações levemente negativas na Turquia (30% positivas, 32% negativas), Egito (10/33) e Brasil (31/38).

A França recebeu opiniões positivas de pelo menos 51% em todos os países europeus, com exceção da Hungria (40%). Na Ásia, os pontos de vista favoráveis tiveram maior presença na China (62%) e Coréia do Sul (55%). A proporção de pontos de vista mais negativos para a França, um dos países que mais se opôs à guerra dos Estados Unidos no Iraque, foi detectada na Turquia (59% negativa, 9% positiva) e nos Estados Unidos (41/38). Em 2004, entretanto, 52% dos consultados norte-americanos disseram ter opinião principalmente negativa sobre a França.

Quanto à China, os pontos de vista mais negativos foram registrados na Europa e nos Estados Unidos, enquanto os mais positivos foram detectados na África, no mundo árabe, na Indonésia, nas Filipinas e no Chile. Uma média de 42% de todos os entrevistados, exceto da própria China, disseram ter uma opinião positiva em relação a Pequim. Trinta e dois por cento declararam que sua imagem é fundamentalmente negativa. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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