Mulher: A longa marcha para a igualdade

Madri, 08/03/2007 – Os grandes avanços para a igualdade de gênero registrados na Espanha nos últimos anos se refletem nas demandas pelo respeito aos direitos femininos em todo o mundo que serão apresentadas por ocasião da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Um dos atos de destaque nessa linha é o Segundo Encontro de Mulheres Africanas e Espanholas, aberto pela rainha Sofia, nesta quarta-feira e encerrado hoje pelo primeiro-ministro, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

No encontro, que acontecerá sob o lema “Mulheres por um mundo melhor”, participarão 250 delegadas de 43 países africanos e 150 espanholas, bem como a primeira-ministra de Moçambique, Luisa Dias Diogo; a primeira vice-primeira-ministra da Espanha, Maria Teresa Fernández de la Veja, e a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, que presidirão as mesas de debate. O programa inclui conferências da moçambicana Graça Machel, criadora e presidente da Fundação pelo Desenvolvimento da Infância e titular da comissão de Estudo da Organização das Nações Unidas sobre o Impacto dos Conflitos Armados na Infância, e, ainda, da ativista queniana Wangari Maathai, prêmio Nobel da Paz de 2004.

O primeiro encontro deste tipo aconteceu em Maputo, capital de Moçambique, em março de 2006, quando os governos desse país e da Espanha se comprometeram a juntar esforços para impulsionar na África subsaariana a situação das mulheres, o desenvolvimento econômico, a luta contra a pobreza, pela saúde e a educação. Mas esta reunião é o centro de uma grande variedade de atividades, todas girando em torno do Dia Internacional da Mulher, cuja origem não tem uma data clara. Começa-se recordando o dia 8 de março de 1550, quando morreu São João Deus, fundador da ordem católica que leva seu nome e que em sua época libertou as mulheres pobres e indigentes dando-lhes formação e trabalho digno.

Outro 8 de março a ser recordado é o de 1857, quando centenas de mulheres de uma fábrica em Nova York se manifestaram contra os baixos salários e as péssimas condições de trabalho e foram dispersas pela policia. Também nessa cidade norte-americana, mas em 1908, um grupo de trabalhadoras se declarou em greve pedindo salário e tratamento iguais aos dos homens. Além disso – algo inovador para a época – pediram o direito de amamentar os filhos e a redução da jornada de trabalho para 10 horas, mas o patrão não as atendeu, trancou as portas da fábrica e a incendiou, causando a morte de 129 mulheres.

Em 8 de março do ano seguinte, em Nova York, 15 mil mulheres se mobilizaram sob o lema “Pão e Rosas”, exigindo, além de melhorias trabalhistas o direito ao voto e o fim da escravidão infantil. Mas também há antecedentes na Europa, como o de 8 de março de 1910 na segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhague, onde a alemã Clara Zetkin propôs instituir o dia 8 de março como como Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, o que foi aceito por unanimidade. Finalmente, em 1977, a Organização das Nações Unidas oficializou a data.

Esta semana em Madri, em torno do Encontro serão montadas várias exposições, entre elas uma de fotografia do Encontro de Moçambique, outra organização pelo oficial Instituto da Mulher e intitulada “Mulheres na Aldeia Global”, “FotogÁfrica”, de Médicos do Mundo e outra sobre o ciclo cultural “Elas acreditam”, com produções de artistas africanas. Por outro lado, duas centenas de estudantes participam de atividades educativas paralelas ao fórum e são realizados painéis intitulados “Uma porta para a África”, voltados à difusão do conhecimento da cultura desse continente e em especial da mulher na sociedade e a sua tradição.

Além disso, a música tem um papel relevante sob o título genérico de “Elas acreditam”, com atuações das representantes de Malí, Oumou Sangare e Mamani Keita; da camaronesa Sally Nyolo, e da moçambicana Mariza. A Filmoteca Nacional é a sede onde desde quinta-feira da semana passada são apresentados filmes e documentários, que prosseguirão durante todo este mês centrando-se em dois temas: a contribuição das mulheres para o desenvolvimento do espaço urbano contemporâneo e o papel delas na África, seu presente e seu futuro.

As mulheres na ciência também protagonizam atos organizados pelo Ministério da Educação e Ciência, e o oficial Instituto da Mulher tem preparada uma campanha publicitária para esta quinta-feira, na qual se destaca o avanço concreto para a igualdade para as mulheres na Espanha e na África. A organização Anistia Internacional apresentou nesta quarta-feira o informe “Nem abuso de poder, nem impunidade!”, no qual exige que seja combatida a violência sexual contra mulheres por parte de agentes do Estado. Nesse informe são denunciados os obstáculos que elas encontram para denunciar esses crimes, tanto em tempo de paz quanto de guerra na Nigéria, nos Estados Unidos, no México, Sudão, Colômbia, Chechênia e República Democrática do Congo, entre outros países.

Outra organização civil, Mãos Unidas, havia apresentado na terça-feira um documento denunciado que 70% dos 1,2 bilhão de pessoas que vivem no mundo em situação de extrema pobreza são mulheres. Além disso, com base em dados do Banco Mundial, diz que “em 2006 a brecha entre os salários de homens e mulheres em alguns países chegou a estar entre 30% e 40%” e que as mulheres são mais da metade dos trabalhadores agrícolas do mundo. (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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