Romênia: Uma valente luta contra a corrupção

Bucareste, 19/03/2007 – Líderes da sociedade civil da Romênia estão preocupados com os crescentes ataques contra a ministra da Justiça, Mônica Macovei, que lidera uma cruzada anticorrupção sem precedentes. Alguns funcionários de governo e líderes da oposição a criticam por suas investigações sobre escândalos que envolvem todo o espectro político. Agora a sociedade civil realiza uma campanha para apoiá-la. No dia 27 de fevereiro houve uma grande manifestação em Piata Universitatii, no centro de Bucareste. Ao chamado de seis organizações não-governamentais a população tomou as ruas para demonstrar apoio a Macovei.

A mobilização aconteceu duas semanas depois que o Senado aprovou uma moção de censura simples que acusa a ministra de bloquear as reformas do sistema judicial. Macovei, de 48 anos, assumiu o cargo no outono de 2004, quando chegou ao poder uma coalizão de centro-direita. Com prestígio internacional, Macovei também goza de ampla simpatia entre os romenos, que vêem nela – contrariamente à moção – a principal promotora da reforma da justiça. A Romênia, de 22 milhões de habitantes, integrou-se à União Européia no dia 1º de janeiro deste ano.

A UE alertou Bucareste de que precisava avançar em sua luta contra a corrupção e em suas reformas judiciais. Do contrário, os demais membros do bloco poderiam se negar a reconhecer as decisões dos tribunais romeno, colocando esse ex-país comunista em uma categoria secundária dentro do grupo. A moção contra Macovei, além de receber apoio dos social-democratas (PSDR) e do ultradireitista Grande Partido Romeno, também foi votada pelos membros da coalizão governante, formada pelos partidos Libera, Democrático e Húngaro.

Isto evidencia que se tratou não de um ataque habitual da oposição contra o governo, mas de uma ofensiva pessoal contra a ministra. Imediatamente após o Senado aprovar a moção, o comissário de Justiça da UE, Franco Frattini, ratificou seu “completo apreço pela ministra Mocovei”. Susanne Kastner, vice-presidente do Bundestad, a câmara alta do parlamento alemão, advertiu a Romênia de que a moção poderia ser interpretada pela UE como uma tentativa de evitar a reforma judicial.

O escritório romeno da Transparência Internacional condenou a moção, dizendo que o texto “está escrito de uma maneira superficial e motivado por razões políticas, ignorando o princípio de independência do poder judiciário”. Macovei respondeu firmemente à moção. “A Romênia tem uma estratégia para reformar o sistema de justiça e combater a corrupção. Caso contrário, não estaríamos hoje na UE”, afirmou. “Foram muito importantes os êxitos obtidos pela Direção Nacional Anticorrupção atingidos nos últimos dois anos”, destacou a ministra.

No ano passado, “360 pessoas foram levadas a julgamento, entre elas um ministro, dois secretários de Estado, sete membros do parlamento, dois presidentes de conselhos locais e um vice-presidente, além de 50 policiais, numerosos juízes e promotores, prefeitos e inspetores de impostos”. Entre as personalidades julgadas por corrupção durante os últimos dois anos destacam-se o ex-primeiro-ministro e líder do PSDR, Adrian Nastase, e seus co-partidarios, o ex-ministro para a Integração Européia Hildegard Puwak e o ex-secretário-geral do governo Petru Serban Mihailescu.

Os promotores do Estado também investigaram integrantes de outros partidos. Um dos casos de maior repercussão foi o de Dinu Patriciu, presidente da companhia de petróleo Rompetrol e membro do Partido Liberal, acusado de lavagem de dinheiro. O primeiro-ministro atual, Calin Popescu-Tariceanu, é do Partido Liberal. O Tribunal Constitucional, consultado se Macovei deveria renunciar devido à moção de censura, concluiu que a última palavra deve ser do primeiro-ministro.

Como Tariceanu e o presidente Traian Basescu estão travados em um confronto político há vários meses, e a ministra é considerada uma protegida de Basescu, a decisão do Tribunal fez temer que Macovei perdesse o cargo. Tariceanu não pediu sua renúncia. Mas, a posição da ministra continua ameaçada, por isso as organizações da sociedade civil decidiram demonstrar-lhe seu apoio.

“Embora o Tribunal Constitucional tenha feito valer o caráter não-obrigatório da moção do Senado sobre e renúncia de Macovei, a pressão sobre a ministra se mantém alta e é provável que busque qualquer pretexto para livrar-se dela”, disse à IPS Alexandru Lazescu, membro do Grupo pelo Diálogo (GDS), um dos organizadores da manifestação. “O apoio de setores alheios ao espectro político é necessário para consolidar sua posição”, acrescentou. (IPS/Envolverde)

Claudia Ciobanu

Claudia Ciobanu covers Central and Eastern Europe for IPS. Romanian, she is currently based in Prague, Czech Republic. She is particularly interested in environmental issues and social activism in post-socialist countries.

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