POLÍTICA-SOMÁLIA: Balas em vez de Reconciliação

NAIROBI, 11/04/2007 – As esperanças para uma conferência nacional de reconciliação programada para a somália pareciam cada vez mais obscuras esta semana, quando o capital — Mogadishu – ficou abalado por um dos conflítos mais ferozes durante 15 anos. Estima se que centenas de pessoas foram mortos e feridas na luta entre as forças do governo interino apoiadas pelas tropas etiópes e os partidários da União dos Tribunais Islâmicos (UIC) e os membros do Hawiye – a tribo principal no capital.

A UIC controlava grandes partes do sul de Somália até dezembro de 2006, quando foi despojada pelas forces etiópes, alegadamente com o apoio dos Estados Unidos – que acusa a união de ser ligada ao al Qaeda. Isto foi depois de alguns meses de tensão entre o grupo islâmico e o governo federal transicional, que não tinha conseguido ampliar a sua influência para além da cidade austral de Baidoa.

No dia 28 de março, os oficiais do governo tentaram ser corajosos perante os desenvolvimentos no pais deles durante uma conferência de imprensa no capital queniano de Nairobi.

“O governo está a esforçar se muito para acabar com a Guerra e trazer a paz á Somália,” disse o Mohammed Ali Nur, o Embaixador Somalí á Quênia.

“Nós cremos que haverá a reconciliação e que a paz virá logo. Cremos que a conferência terá um efeito positivo,” acrescentou ele, referindo se a conferência nacional de reconciliação, programada para o dia 16 de abril em Mogadishu.

o Nur também disse aos jornalistas que o Primeiro Ministro o Ali Mohammed Gedi estava programado a ter uma reunião de emergência com o Presidente Abdullahi Yusuf, o gabinete e os líderes das tribos para ver como lidar com esta crise: “A reunião, particularmente a com a tribu, é muito importante. Os líderes das tribos podem falar com os membros deles e encorajá-los a observar a paz em toda a Somália.”

Esta semana declarou se uma trégua frágil para que os corpos dos mortos poderiam ser tirados das ruas.

Segundo o Escritório Somalí do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), “viu se a artilharia indiscriminada e bombardeamentos nas zonas residenciais da cidade, resultando em muitas mortes e casualidades.”

Um soldado ugandense que fazia parte da missão da União Africana (UA) para a manutenção de paz na Somália, AMISOM, foi morto no dia 1 de abril, e cinco outros foram gravamente feridos. Os estados da AU compremetarm se mandar 8,000 soldados á Somália; más até agora, apenas 1,500 soldados ugandenses foram desdobrados. Estes chegaram na Somália no mês passado.

A declaração de OCHA também reparou que “Um hospital tratando os feridos e os doentes foi bombardeado no dia 30 de março, matando uma pessoa e ferindo muitas outras. As outras facilidades sanitárias estavam sobrecarregados de doentes. Armadilhados pela luta, muitos dos feridos não podem chegar as facilidades médicas e ficam desatendidos nas ruas.”

O Salad Jiimale é um dos habitantes de Somália que foi tocado pelo combate. A sua casa foi apanhada durante os bombardeamentos e a sua criança morreu, e duas outras foram feridas.

“Levei as ao hospital, más não tinham espaço para elas. Agora estão a ser tratadas fora do hospital com a supervisão mínima. Os medicamentos acabaram e não tenho apoio. Já não sei o que fazer,” disse ele a IPS do capital Somalí de Mogadishu.

A situaçào tem piorado tanto que muiitas pessoas acham que não têm nenhuma opção senão fugir.

“Milhares de pessoas têm estado a fugir desde que a luta desatou. Os veículos transportando os que estão a fugir saiem de Mogadishu; algumas pessoas correm carregando as possessões delas na cabeça ou nas costas, enquanto que algumas têm caroças,” contou um jornalista em Mogadishu que trablha com uma agência de imprensa estrangeira.

“Poucas pessoas tomam voos ao nordoueste de Somália. Não há campos preparados pelas agências de assistência humanitarian para os que estão a fugir; algumas pessoas com muita sorte foram alojadas nas zonas fora de Mogadishu. Há milhares de pessoas vivendo por debaixo das árvores com famílias compartilhando o espaço por debaixo de uma árvore.”

Segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários, quase 100,000 pessoas fugiram de Mogadishu desde o início de fevereiro. “Este número vai aumentando diariamente.A falta de acesso a cidade e aos arredores dela por causa dos combates severamente impedem os esforços das agências humanitárias de responder as vastas necessidades dos somalís.”

O conflíto na Somália desatou em 1991 quando o ditador Mohamed Siad Barre foi tirado do poder. Os líderes da fações tribais que estavam a lutar para o contrôle do país depois desta saida do poder, dividiu o país em feudos.

Algumas tentativas a restaurar a ordem no país não deram a nada. Contudo, dois anos de discussões na Quênia sob os auspícios da Autoridade InterGovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) resultaram na criação de um governo interino, que foi inaugurado em 2004.

A dependência do governo nas forças da Etiópia põe-no em oposição com muitos somalís, que desconfiam muito neste país vizinho. A Somália e a Etiópia têm uma história de muitos agravos.

Numa reunião em Cairo no dia 3 deste mês o Grupo Internacional de Contato com a Somália resolveu prestar “o apoio logistico e técnico á UA e aos países que contribuiram tropas para facilitar o desdobramento completo de AMISOM para assegurar a retirada das tropas etiópes da Somália”, entre outras.

Estabelecido em junho do ano passado, o grupo inclui representantes de uma variedade de países africanos e europeios, e dos Estados Unidos – assim com os da ONU, UA, União Europeia, IGAD da Liga dos Estados Árabes .

Joyce Mulama

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